quarta-feira, 8 de julho de 2026

FBI investiga AFA por suspeita de lavagem de dinheiro em contratos milionários

Apuração nos EUA mira operações ligadas à Federação Argentina e contratos internacionais que somam mais de R$ 1,5 bilhão

      Escudo da Associação do Futebol Argentino (AFA)  -  Crédito: Divulgação

A Associação do Futebol Argentino (AFA), entidade que comanda a seleção campeã mundial, entrou na mira do FBI e de procuradores federais dos Estados Unidos por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude bancária em contratos internacionais que somam mais de R$ 1,5 bilhão, segundo informações divulgadas pelo jornal argentino La Nación.

De acordo com a reportagem, as autoridades americanas investigam transações financeiras vinculadas à AFA que teriam movimentado mais de US$ 300 milhões pelo sistema financeiro dos Estados Unidos. O caso surge em meio à campanha da seleção argentina na Copa do Mundo de 2026, em que a equipe avançou às quartas de final.

O foco principal da investigação é a relação comercial entre a entidade presidida por Claudio Tapia e a empresa TourProdEnter LLC. A companhia passou a atuar como agente de cobrança de contratos internacionais da federação, recebendo pagamentos de patrocinadores e parceiros comerciais da AFA fora da Argentina.

Entre os acordos sob análise estão operações de grande valor envolvendo empresas multinacionais. Segundo os relatos citados pela imprensa argentina, os investigadores examinam um repasse de US$ 60 milhões relacionado à Adidas e outro de US$ 40 milhões associado à Warner. As autoridades buscam verificar a legalidade dos fluxos financeiros e a eventual existência de irregularidades bancárias ou mecanismos de ocultação de recursos.

As apurações teriam ganhado corpo ao longo de 2025. Desde então, agentes ligados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos passaram a reunir documentos e colher depoimentos para esclarecer a estrutura dos contratos, a origem dos pagamentos e o papel desempenhado por intermediários nas operações internacionais da AFA.

Um dos depoimentos citados no caso foi prestado por videoconferência pelo empresário Guilherme Tofoni. A oitiva integra o conjunto de medidas adotadas pelos investigadores para mapear a atuação da TourProdEnter LLC e entender como os recursos provenientes de patrocinadores eram canalizados para a federação argentina.

A equipe responsável pela investigação em Washington é liderada pelos procuradores Patrick Gushue, especialista em crimes financeiros da Unidade de Integridade Bancária, e Christopher Ting. O grupo também conta com Michael Berger, do Distrito Sul da Flórida, conhecido por atuar em processos de lavagem de dinheiro, incluindo o caso que levou à condenação do ex-controlador-geral do Equador em Miami.

Até o momento, a AFA não se manifestou publicamente sobre a investigação. Também não há, nas informações divulgadas, indicação de denúncia formal apresentada contra a entidade ou seus dirigentes. A apuração segue em andamento no âmbito das autoridades federais americanas.

O caso aumenta a pressão sobre a federação argentina justamente em um período de grande exposição internacional do futebol do país. A AFA administra contratos globais de patrocínio, direitos comerciais e parcerias ligadas à seleção, que ampliaram de valor após a conquista da Copa do Mundo de 2022 e a manutenção do protagonismo da equipe no cenário internacional.

A investigação americana busca determinar se a estrutura usada para receber pagamentos internacionais respeitou as normas bancárias e de prevenção à lavagem de dinheiro dos Estados Unidos. Como parte das operações teria passado pelo sistema financeiro americano, o caso passou a ser acompanhado por órgãos federais especializados em crimes financeiros.

Fonte: Brasil 247 com informações divulgadas pelo jornal argentino La Nación.

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