Grupo Dass encerra unidade de calçados em Misiones, demite 150 trabalhadores e passa a priorizar importações e operações logísticas no país
A fabricante de Nike e Adidas fechou sua última fábrica na Argentina, localizada na cidade de Eldorado, na província de Misiones. Com o encerramento da unidade de calçados, o Grupo Dass demitiu os 150 trabalhadores que ainda permaneciam no complexo industrial e decidiu priorizar importações e operações logísticas no país, segundo o Infobae.
A empresa informou ao sindicato que a produção será definitivamente interrompida entre os dias 17 e 25 de julho. O Grupo Dass também se comprometeu a pagar integralmente as indenizações trabalhistas devidas aos funcionários desligados.
A decisão representa o fim da produção industrial do grupo na Argentina. Formada por capitais argentinos e brasileiros, a companhia era uma das principais fabricantes do setor calçadista do país e produzia tênis para Nike e Adidas na unidade de Eldorado desde 2008.
A mudança foi atribuída ao novo cenário comercial argentino. Com a ampliação da entrada de produtos estrangeiros, a direção da empresa concluiu que importar calçados prontos passou a ser mais rentável do que manter a fabricação no território nacional.
Nike e Adidas já abastecem o mercado argentino por meio das oito fábricas administradas pelo Grupo Dass no Brasil, onde, segundo a reportagem, os custos de produção são considerados mais competitivos. A redução das encomendas das duas marcas inviabilizou a continuidade das atividades na unidade de Misiones.
⊛ Grupo Dass continuará operando na Argentina
Apesar do fechamento da fábrica, o Grupo Dass não deixará completamente o mercado argentino. A companhia mudará seu modelo de atuação e concentrará as atividades nas áreas comercial, de importação e de logística.
A empresa continuará como representante e importadora das marcas Fila, Umbro e Asics, cujas licenças administra no país. Os centros localizados em Coronel Suárez e Cañuelas serão utilizados como bases logísticas para a nova estrutura operacional.
A União dos Trabalhadores da Indústria do Calçado da República Argentina (UTICRA) responsabilizou a abertura das importações, a redução do consumo interno e a falta de políticas de proteção à indústria nacional pelo encerramento da unidade.
Na avaliação da companhia, entretanto, o fechamento não foi provocado por dificuldades financeiras. A medida faria parte de uma reconversão estratégica diante de um ambiente no qual trazer produtos acabados do exterior se tornou economicamente mais vantajoso do que fabricá-los na Argentina.
⊛ Fechamento encerra processo iniciado em 2025
A desativação da unidade de Eldorado conclui um processo de redução da produção iniciado em janeiro de 2025. Naquele momento, o Grupo Dass fechou a fábrica de Coronel Suárez, onde produzia calçados da Adidas, e dispensou aproximadamente 360 funcionários.
Após o encerramento daquela unidade, a empresa havia anunciado que concentraria toda a produção argentina em Misiones. A promessa, porém, não se sustentou diante da queda das encomendas e da transformação do mercado local.
Em janeiro de 2026, outros 43 trabalhadores já haviam sido demitidos da fábrica de Eldorado. Na ocasião, representantes sindicais alertaram que os pedidos existentes garantiam atividade somente até junho.
“Não sabemos com quanto pessoal chegariam a essa data nem o que acontecerá depois de junho”, afirmaram naquele momento fontes da UTICRA ao Infobae. A declaração antecipava a incerteza que cercava o futuro do estabelecimento e culminou no anúncio do fechamento definitivo.
⊛ Setor calçadista argentino enfrenta retração
O caso do Grupo Dass integra uma sequência de fechamentos e reduções de pessoal na indústria argentina de calçados. Outras empresas também passaram a substituir a produção nacional pela importação de produtos acabados, principalmente de países asiáticos.
A John Foos, marca argentina criada na década de 1980, encerrou a operação de sua fábrica em Beccar, no município de San Isidro. A empresa decidiu importar os calçados que comercializa e reduziu seu quadro de quase 400 trabalhadores, em 2023, para cerca de 50 no início de 2026, antes de interromper totalmente a fabricação local.
Em maio, a Gomas Gaspar, fabricante de solados que atuava havia mais de 30 anos no bairro de San Vicente, na cidade de Córdoba, também fechou as portas. O encerramento deixou 40 trabalhadores sem emprego, com reclamações relacionadas a salários atrasados e indenizações ainda não pagas.
Os números oficiais confirmam a retração do segmento. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC) mostram que a fabricação de calçados e componentes caiu 30,9% em novembro de 2025, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
O instituto relacionou o resultado à menor demanda no mercado interno e ao avanço dos produtos importados. A indústria argentina de calçados atingiu seu maior nível de produção em 2015, quando foram fabricados 125 milhões de pares, mas passou a acumular perdas nos anos seguintes.
Fonte: Brasil 247
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