quinta-feira, 9 de julho de 2026

Entenda por que o FBI investiga a Federação Argentina

A investigação ainda está em fase preliminar nos Estados Unidos

Em jogo dramático, Argentina vence Cabo Verde na prorrogação - Crédito: Reprodução Youtube CazeTV

A investigação do FBI sobre a AFA, a Associação do Futebol Argentino, avançou durante a Copa do Mundo em meio a suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude bancária e possível desvio de recursos em contratos internacionais firmados pela entidade na gestão de Claudio Tapia. A apuração envolve movimentações financeiras realizadas nos Estados Unidos e foi revelada em reportagem do jornal argentino La Nación.

Autoridades norte-americanas analisam operações ligadas ao presidente da AFA, Claudio Tapia, e ao tesoureiro da entidade, Pablo Toviggino. O foco é verificar se parte das receitas internacionais da federação argentina, provenientes de contratos comerciais e patrocínios, foi transferida a empresas e beneficiários sem comprovação clara de prestação de serviços.

No centro do caso está a TourProdEnter LLC, empresa sediada na Flórida e pertencente ao empresário Javier Faroni. A companhia atuava na administração da cobrança de contratos internacionais da AFA com patrocinadores e parceiros comerciais, o que colocou suas operações sob o escrutínio de agentes federais norte-americanos.

Os investigadores buscam reconstruir o caminho do dinheiro movimentado por Faroni e por sua esposa, Erica Gillete, dentro do sistema financeiro dos Estados Unidos. Entre os contratos examinados estão um acordo de US$ 60 milhões com a Adidas e outro de US$ 40 milhões com a Warner, ambos relacionados à exploração comercial da marca da seleção argentina.

De acordo com documentos citados pelo La Nación, a TourProdEnter LLC teria movimentado ao menos US$ 260 milhões em receitas vinculadas à AFA por meio de grandes bancos norte-americanos. As operações passaram por instituições como Citibank, JPMorgan, Bank of America, Synovus e PNC Bank.

O ponto considerado mais sensível pelas autoridades é a destinação de aproximadamente US$ 57 milhões desse montante. Segundo a apuração, esses valores teriam sido enviados a empresas e beneficiários sem justificativa econômica evidente ou finalidade comercial identificável nos documentos analisados.

A suspeita é que apenas uma parte dos recursos tenha sido usada para cobrir despesas operacionais da AFA. Outra parcela, conforme a linha investigativa, pode ter sido desviada por meio de companhias sem atividade real ou sem relação comprovada com serviços prestados à federação.

Documentos citados pela imprensa argentina apontam ainda a existência de empresas que poderiam funcionar como estruturas de fachada. Algumas delas, segundo a investigação jornalística, não teriam prestado serviços à AFA e seriam controladas por pessoas registradas como beneficiárias de programas de assistência social na Argentina.

As autoridades também investigam pagamentos feitos a duas empresas ligadas a Pablo Toviggino, tesoureiro da AFA e figura influente na administração da entidade. Além disso, foram identificadas transferências para sua companheira, que é parente de Manuel Valdés, apontado como “guia espiritual” da Seleção Argentina.

A apuração ganhou força em 2025 e passou a ser conduzida por procuradores federais norte-americanos especializados em crimes financeiros e integridade pública. Entre os nomes mencionados estão Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, que atuam na coleta de informações e depoimentos relacionados às operações.

Um dos depoimentos recentes foi prestado por Guillermo Tofoni, CEO da World Eleven. A empresa é parceira comercial da AFA e possui licença da Fifa para organizar amistosos internacionais da Seleção Argentina, o que a torna uma peça relevante no mapeamento dos contratos internacionais da federação.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos também avalia ouvir ex-integrantes do governo do presidente argentino Javier Milei que tenham fiscalizado a AFA ou tido acesso a informações da entidade nos últimos anos. A medida indica que a apuração pode se ampliar para além dos contratos diretamente administrados pela TourProdEnter LLC.

Apesar da gravidade das suspeitas, a investigação ainda está em fase preliminar nos Estados Unidos. Até o momento, não houve acusação formal nem indiciamento contra a AFA, Claudio Tapia, Pablo Toviggino ou outros dirigentes citados no caso.

A AFA ainda não se pronunciou oficialmente sobre a investigação. Enquanto isso, a apuração ocorre em um momento de forte exposição internacional da seleção argentina, que disputa a Copa do Mundo sob o comando administrativo da mesma direção agora investigada por autoridades norte-americanas.

Fonte: Brasil 247 por meio de reportagem do jornal La Nacion

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