Investigação da PF aponta transferências internacionais, criptoativos e empresas em esquema de lavagem ligado ao tráfico internacional
Investigados por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e alvos de sanções dos Estados Unidos teriam usado o Zelle, sistema de transferências bancárias norte-americano, criptoativos e empresas para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas em um esquema que, segundo a Polícia Federal, movimentou mais de R$ 10 bilhões, informa o jornal O Globo.
A informação consta em decisão da Justiça Federal que deu base à Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (3). O documento descreve movimentações financeiras internacionais, mensagens extraídas de celulares, comprovantes bancários e indícios de uso de empresas para ocultar e dissimular valores de origem ilícita.
A investigação aponta que brasileiros sancionados recentemente pelo governo dos Estados Unidos por suposto vínculo com o PCC teriam utilizado o Zelle, o “Pix americano”, em operações atribuídas ao grupo investigado. Segundo a decisão judicial, mensagens analisadas pelas autoridades fazem referência ao banco Wells Fargo e ao envio de dados bancários pelo sistema durante tratativas ligadas à remessa internacional de recursos.
Em outro trecho do documento, conversas atribuídas a Ygor Fokin Saviolli indicariam o uso do Zelle em transferências destinadas ao pagamento de entorpecentes. A Justiça menciona ainda a identificação de um comprovante de depósito de US$ 10.002 feito por meio da plataforma para uma conta do Bank of America, nos Estados Unidos.
O caso começou a partir de uma comunicação formal da Homeland Security Investigations (HSI), agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. O órgão informou à Polícia Federal brasileira sobre uma investigação envolvendo cidadãos brasileiros suspeitos de integrar uma estrutura criminosa especializada na lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas, com atuação no Brasil e nos EUA.
Segundo a decisão, a apreensão do celular de Ygor Fokin Saviolli em uma fiscalização no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, em outubro de 2023, permitiu que autoridades norte-americanas encontrassem mensagens, imagens, registros bancários e outros materiais considerados relevantes para a investigação. O conteúdo apontaria, segundo os investigadores, movimentação de dinheiro em espécie, negociação de drogas, investimentos em criptoativos e remessas internacionais.
A partir da análise desse material, a Polícia Federal identificou Victor Henrique de Oliveira Shimada e Ygor Fokin Saviolli como supostos líderes do grupo. As investigações indicam que ambos teriam usado empresas para circular, ocultar e dissimular recursos de origem ilícita, atribuídos ao tráfico internacional de drogas.
As conversas analisadas pela PF também descrevem uma rede financeira com recolhimento de dinheiro em espécie, transferências bancárias, uso de criptoativos e operações fora do Brasil. Em um dos diálogos citados na decisão, há referência a movimentações em cidades dos Estados Unidos como Houston, Chicago, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.
A Justiça Federal afirma ainda que os dados telemáticos revelaram negociações envolvendo haxixe, uso de linguagem cifrada, remessas internacionais e mecanismos de compensação financeira. Também teriam sido identificadas operações por meio de empresas investigadas, usadas para movimentar valores classificados como suspeitos.
Com base nesses elementos, a Justiça autorizou prisões temporárias, mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens, valores e criptoativos, além do afastamento do sigilo de dados telemáticos dos investigados. Conforme a Polícia Federal, o grupo teria movimentado mais de R$ 10 bilhões.
A Operação Exchange foi deflagrada com mandados expedidos pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Entre os alvos estavam Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionados pelo governo dos Estados Unidos dois dias antes por suposta ligação com o PCC.
Stella foi presa durante a operação. Shimada, por sua vez, é considerado foragido. As investigações da Polícia Federal já estavam em andamento antes da adoção das sanções pelos Estados Unidos e tiveram origem na cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
Além das medidas cautelares, a Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite aproximado de R$ 10,4 bilhões. A medida busca preservar recursos que, segundo a investigação, podem estar associados à estrutura financeira usada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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