A queda diante da Noruega aumentou a pressão sobre o trabalho de Ancelotti, mas não interrompeu o projeto do técnico italiano
Seleção Brasileira posa para foto oficial antes da partida contra a Escócia, na quarta-feira (24/6), pela Copa do Mundo - Crédito: Reuters
A eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 encerrou mais uma tentativa frustrada de conquistar o hexacampeonato e abriu imediatamente o debate sobre o futuro da Seleção Brasileira. Com Carlo Ancelotti sob contrato até 2030, a CBF inicia agora um novo ciclo, marcado pela necessidade de preservar lideranças, acelerar a renovação e definir quais veteranos deixam de fazer parte dos planos.
Segundo informações publicadas por O Globo, a comissão técnica vê nomes como Vinícius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha, Bruno Guimarães, Marquinhos e Gabriel Magalhães com boas chances de seguir como referências da Seleção. Ao mesmo tempo, jovens como Endrick e Rayan já vinham sendo tratados por Ancelotti como peças importantes para o futuro do grupo.
A queda diante da Noruega aumentou a pressão sobre o trabalho de Ancelotti, mas não interrompeu o projeto do técnico italiano. O treinador tem vínculo com a Seleção até a Copa de 2030 e, em tese, terá a possibilidade de conduzir um ciclo completo, algo raro na história recente do Brasil após sucessivas trocas de comando.
Entre os nomes que devem permanecer, Vinícius Júnior aparece como a principal referência técnica do país. O atacante do Real Madrid fez sua melhor Copa, com quatro gols, embora não tenha conseguido decidir o confronto eliminatório contra a Noruega. Aos 29 anos em 2030, deverá chegar ao próximo Mundial ainda no auge físico e com status de liderança.
Raphinha também tende a continuar no radar, apesar de ter vivido uma temporada marcada por lesões e de ainda conviver com desconfianças na Seleção. Seu desempenho no Barcelona pesa a favor da permanência. Na próxima Copa, o atacante terá 33 anos, idade que não inviabiliza sua participação, mas exigirá regularidade em alto nível.
Matheus Cunha saiu do Mundial com saldo positivo dentro do elenco. O atacante do Manchester United marcou duas vezes contra o Haiti e ganhou confiança com a camisa da Seleção. A dificuldade em repetir o desempenho no mata-mata, porém, mostra que ele ainda precisará consolidar protagonismo nos jogos de maior pressão.
Endrick e Rayan simbolizam a aposta mais evidente de renovação. Os dois chegaram ao torneio como talentos projetados para o futuro, mas já acumularam minutos e ganharam experiência internacional. Ambos terão 23 anos em 2030, idade considerada ideal para assumir papéis maiores no ataque brasileiro.
No meio-campo, Bruno Guimarães deve seguir como peça central, apesar do pênalti desperdiçado contra a Noruega e da atuação abaixo do esperado na eliminação. O volante do Newcastle vinha sendo apontado como um dos principais jogadores do Brasil na campanha e terá 32 anos no próximo Mundial.
A defesa também deve manter parte de sua estrutura. Marquinhos, embora tenha feito uma Copa apenas mediana, segue atuando em alto nível no Paris Saint-Germain e pode continuar no grupo, ainda que chegue a 2030 com 36 anos. Gabriel Magalhães, do Arsenal, parece ter situação mais sólida: será um zagueiro de 32 anos no próximo torneio e permanece como um dos brasileiros mais fortes da posição no futebol europeu.
Lucas Paquetá vive situação semelhante. O meio-campista do Flamengo fez uma campanha irregular e sofreu lesão durante a Copa, mas ainda é considerado um dos principais nomes do país no setor. Aos 32 anos em 2030, pode permanecer caso recupere regularidade e mantenha protagonismo em seu clube.
Outros jogadores aparecem como alternativas para o próximo ciclo. Danilo Santos, Luiz Henrique, Douglas Santos, Bremer, Gabriel Martinelli e Léo Pereira podem seguir recebendo oportunidades, embora em diferentes condições. Alguns dependerão de desempenho em clubes; outros, da carência de opções em posições específicas, como as laterais.
O gol é uma das maiores indefinições. Alisson, titular na Copa de 2026, chegará ao próximo Mundial com 37 anos. Apesar de ainda ser visto como um dos melhores goleiros brasileiros, convive com questionamentos e problemas físicos. Ederson e Weverton, convocados para o torneio, também vivem momentos menos favoráveis e podem perder espaço no próximo ciclo.
Entre os nomes com futuro incerto estão ainda Éderson Silva e Igor Thiago. O volante entrou no grupo após corte de última hora e pode crescer caso confirme evolução no futebol europeu. Já o centroavante precisa repetir em alto nível o desempenho por clubes para voltar a ser considerado opção consistente.
A lista de possíveis encerramentos de ciclo é extensa. Neymar, principal jogador brasileiro das últimas duas décadas, disputou sua quarta Copa em papel secundário e não deve estar em 2030, quando terá 38 anos. A tendência é que sua trajetória pela Seleção se encerre após a eliminação para a Noruega.
Casemiro, Danilo, Alex Sandro, Fabinho, Ederson, Weverton e Ibañez também aparecem entre os nomes com menor probabilidade de permanecer. Parte deles já está mais próxima do fim da carreira, enquanto outros perderam espaço por desempenho, idade ou contexto competitivo de seus clubes.
Por outro lado, jogadores ausentes da Copa por lesão ou opção técnica devem voltar ao radar. Wesley, cortado às vésperas do torneio, é visto como forte candidato à lateral direita. Estêvão, Rodrygo e Éder Militão também devem retomar espaço se recuperarem condição física e mantiverem rendimento em alto nível.
João Pedro, ausência considerada polêmica por parte da crítica, pode voltar às convocações. O atacante do Chelsea é tratado como uma das opções mais fortes para o setor ofensivo e terá 28 anos em 2030. No gol, Bento e Hugo Souza surgem como alternativas caso Ancelotti decida renovar a posição.
A reconstrução brasileira começa em um cenário de cobrança intensa. A eliminação nas oitavas aprofunda o jejum em Copas e obriga Ancelotti a equilibrar continuidade e mudança. O próximo ciclo deverá definir se a Seleção seguirá apoiada em uma base já conhecida ou se fará uma reformulação mais profunda para tentar chegar a 2030 com uma equipe mais competitiva.
Fonte: Brasil 247 com informações publicadas por O Globo
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