Relatório indica que mais de R$ 13 milhões passaram pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022. Outros R$ 14 milhões passaram por empresas dela
A Polícia Civil e o Ministério Público afirmam que mensagens apreendidas e comprovantes bancários indicam pagamentos destinados a Deolane Bezerra em uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A influenciadora foi presa na última quinta-feira (22), no âmbito da Operação Vernix, e é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e participação em organização criminosa. A defesa nega qualquer envolvimento dela com a facção ou com recursos ilícitos, informa o Fantástico.
◍ Investigação começou após bilhetes em presídio
Segundo a apuração, o caso teve origem em 2019, quando agentes penitenciários encontraram bilhetes escondidos em uma cela do presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, as mensagens traziam ordens atribuídas a Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e a Alejandro Camacho Júnior.
Os investigadores afirmam que, a partir desse material, chegaram a um casal apontado como “laranja” no esquema. A dupla teria criado uma transportadora nas proximidades do presídio para movimentar e lavar dinheiro do PCC, incluindo recursos associados ao tráfico internacional de cocaína.
◍ Mensagens citariam abreviação ligada a Deolane
Em celulares apreendidos durante a Operação Vernix, policiais dizem ter encontrado conversas sobre repasses financeiros. Uma das mensagens mencionaria uma abreviação que, na avaliação da investigação, fazia referência a Deolane Bezerra.
“Há contato de Everton, determinando transferências para uma abreviação que se referia a ‘Deo... Beze’... e um número de conta bancária que, uma vez apurada, revelava a identidade de Deolane Bezerra”, afirmou um dos delegados responsáveis pela investigação.
A polícia também afirma ter localizado comprovantes de depósitos feitos por Ciro César Lemos, apontado como um dos operadores da transportadora investigada, em contas vinculadas à influenciadora.
◍ Relatório aponta movimentação milionária
Um relatório financeiro elaborado pela polícia indica que mais de R$ 13 milhões passaram pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022. O mesmo levantamento aponta ainda a movimentação de outros R$ 14 milhões por empresas registradas em nome dela.
Para os investigadores, parte dos valores teria sido distribuída em dezenas de contas e empresas associadas à influenciadora. A polícia também cita a existência de empresas abertas em cidades próximas a Presidente Venceslau e aponta indícios de que elas funcionariam como estruturas de fachada.
◍ Deolane nega ligação com a transportadora
Em depoimento durante audiência de custódia, Deolane afirmou que os valores recebidos tinham relação com serviços advocatícios. Ela também negou qualquer ligação com a transportadora investigada.
A defesa declarou que “não há nenhuma relação com crime organizado ou dinheiro de origem ilícita” e sustentou que todos os rendimentos da influenciadora são declarados e compatíveis com suas atividades empresariais.
◍ Monitoramento e prisão
Segundo a polícia, Deolane foi monitorada com apoio da Interpol enquanto estava em Roma, na Itália, antes de ser presa no Brasil. Após a detenção, ela foi levada para o presídio feminino de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
A Operação Vernix segue investigando a suspeita de lavagem de dinheiro e a possível participação de pessoas e empresas em uma estrutura financeira usada para movimentar recursos atribuídos ao PCC.
Fonte: Brasil 247
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