Campanha de Lula pretende mobilizar lideranças e apoiadores para explorar desistência do adversário e reverter desgaste sofrido no primeiro turno
A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de não participar do debate da Band, previsto para o segundo turno da eleição presidencial, levou o Partido dos Trabalhadores (PT) a preparar uma ofensiva política e nas redes sociais contra o senador. A estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é transformar a ausência do adversário em um tema central do confronto eleitoral, buscando desgastar sua imagem diante dos eleitores.
Segundo informações do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, a mobilização começou na noite de terça-feira (13), quando integrantes do PT passaram a divulgar vídeos com trechos de reportagens sobre a desistência de Flávio. A iniciativa deverá ganhar força nesta quarta-feira (14), com a participação de dirigentes partidários, apoiadores, representantes da campanha e do próprio presidente Lula
A avaliação dos petistas é que a ausência de Flávio representa uma oportunidade de inverter a situação registrada no primeiro turno, quando o candidato do PL procurou explorar politicamente a decisão de Lula de não comparecer a um debate da TV Globo.
Agora, a campanha governista pretende utilizar contra o adversário a mesma estratégia de pressão adotada anteriormente pelo bolsonarismo. O objetivo é ampliar a repercussão da desistência e colocar o senador na posição de ter de explicar publicamente por que não participará do confronto televisivo
⦾ PT quer mobilizar Lula e lideranças contra Flávio
A ofensiva petista deverá ultrapassar as publicações nas redes sociais. De acordo com a CNN Brasil, a orientação é envolver diferentes setores do partido e da campanha presidencial para ampliar o alcance das críticas à decisão de Flávio Bolsonaro.
A mobilização inclui lideranças políticas, porta-vozes e apoiadores de Lula, além da possibilidade de o próprio presidente abordar o assunto publicamente
A estratégia busca manter o episódio em evidência e aproveitar a importância dos debates eleitorais na disputa presidencial. Para os petistas, a decisão do candidato do PL abre espaço para questionamentos sobre sua disposição de enfrentar diretamente Lula e apresentar suas propostas aos eleitores.
A campanha também considera relevante o histórico recente de confrontos entre os dois candidatos em torno da participação nos debates. A ausência de Flávio na Band oferece ao PT a oportunidade de responder à pressão exercida pelo adversário durante a primeira etapa da eleição
⦾ Episódio com a Globo orienta estratégia petista
O movimento do PT tem como referência a controvérsia envolvendo o debate que seria realizado pela TV Globo no primeiro turno.
Na ocasião, Flávio Bolsonaro anunciou que participaria do encontro, enquanto Lula informou que não compareceria. A decisão do presidente desencadeou uma disputa jurídica que envolveu diretamente ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Segundo a CNN Brasil, integrantes das duas cortes atuaram na definição de condições destinadas a reduzir os efeitos da ausência de Lula. As medidas acabaram contribuindo para que Flávio também desistisse de participar, o que levou a emissora a cancelar o debate.
O episódio passou a ser interpretado pelas duas campanhas como um fator que beneficiou eleitoralmente o senador no primeiro turno
Na avaliação de integrantes do PL e do PT, tanto a ausência de Lula quanto a intervenção judicial tiveram repercussões políticas favoráveis a Flávio, contribuindo para seu desempenho na votação.
Essa leitura ajuda a explicar a decisão dos petistas de intensificar as críticas à desistência do candidato bolsonarista no segundo turno
⦾ Campanha de Lula tenta inverter desgaste eleitoral
A mudança de posição entre os dois candidatos nos debates tornou-se um elemento importante da estratégia eleitoral petista. Se no primeiro turno Flávio buscou pressionar Lula a comparecer ao confronto promovido pela Globo, agora é o presidente quem poderá explorar a ausência do adversário.
A expectativa no PT é que a mobilização coordenada de lideranças e apoiadores amplie o desgaste político do senador e mantenha a discussão sobre o debate da Band na agenda da campanha
A ofensiva também demonstra a importância atribuída pelos petistas à disputa de narrativas nas redes sociais, especialmente em uma eleição na qual os episódios envolvendo os candidatos são utilizados para reforçar críticas e mobilizar eleitores
Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

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