quarta-feira, 7 de outubro de 2026

PF arquiva investigação sobre suposta interferência dos EUA nas eleições

 Decisão encerra apuração que preocupava a campanha de Flávio Bolsonaro diante do segundo turno

Polícia Federal - Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Polícia Federal decidiu arquivar o inquérito instaurado para investigar uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A apuração vinha sendo acompanhada com preocupação pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Palácio do Planalto.

Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a ausência de elementos que sustentassem a suspeita levou a PF a arquivar o procedimento, que havia sido aberto após uma representação apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU).


O caso ganhou repercussão política porque a existência da investigação provocou preocupação na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Aliados temiam que um eventual avanço das apurações pudesse resultar em medidas do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o candidato antes do segundo turno.

A abertura da apuração havia sido anunciada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, no domingo do primeiro turno das eleições. Na ocasião, ele explicou que o procedimento ainda estava em estágio inicial e não havia sido formalizado como inquérito policial.

“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, declarou Rodrigues.

A valiação interna predominante na Polícia Federal é que o anúncio feito pelo diretor-geral representou uma resposta institucional à solicitação encaminhada pela AGU, comandada pelo ministro Jorge Messias.

☉ Reportagem sobre recursos dos EUA motivou pedido

A iniciativa da AGU ocorreu após o jornal britânico The Guardian revelar um projeto atribuído ao governo Donald Trump que previa recursos destinados a organizações da sociedade civil contrárias ao que os Estados Unidos classificavam como abuso de poder judicial e censura praticados pelo Supremo.

Diante da reportagem, Jorge Messias acionou a Polícia Federal na quinta-feira (1º) e classificou as informações divulgadas pelo jornal britânico como “especialmente grave diante do processo eleitoral brasileiro em curso e dos episódios recentes de pressão externa sobre as instituições brasileiras, conforme amplamente noticiado”.

Segundo o Guardian, aproximadamente R$ 5,2 milhões seriam destinados ao Brasil por meio de uma iniciativa denominada “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”.

A reportagem, entretanto, não esclareceu se os recursos chegaram efetivamente ao país, qual montante teria sido transferido ou quais organizações ou pessoas eventualmente teriam recebido o dinheiro.

☉ PF não encontra elementos para avançar

Foi justamente a ausência de indícios mínimos de uma interferência ilícita no processo eleitoral que impediu o avanço da apuração. A PF não encontrou, nessa fase preliminar, elementos suficientes para sustentar uma investigação sobre eventual participação do governo estadunidense nas eleições brasileiras.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo via coluna de Malu Gaspar

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