quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Campanha de Lula aciona TSE contra Meta por favorecer Flávio Bolsonaro e cobra investigação sobre vídeos de Nikolas

 Coligação questiona alcance milionário de vídeos de Nikolas Ferreira e pede ao TSE investigação sobre distribuição de conteúdo político no Instagram

Luiz Inácio Lula da Silva -   Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A equipe jurídica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, nesta quarta-feira (14), novos documentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reforçar uma ação contra a Meta, controladora do Instagram e do Facebook. A coligação suspeita que os mecanismos de distribuição de conteúdo da empresa estejam beneficiando a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto publicações ligadas à campanha pela reeleição do presidente enfrentariam restrições de alcance.

Segundo o jornal O Globo, a nova manifestação concentra parte das suspeitas no desempenho das publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado de Flávio Bolsonaro. Os advogados de Lula apontam diferenças expressivas entre o número de seguidores do parlamentar e as visualizações registradas em seus vídeos, além de questionarem os critérios utilizados pela plataforma para recomendar conteúdos políticos.

A petição foi encaminhada ao ministro Marco Aurélio Bellizze, relator da ação. A campanha argumenta que o alcance das publicações de Nikolas seria incompatível com os parâmetros de distribuição informados pela própria Meta, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelos perfis associados ao presidente.

“Em termos claros, a META vem entregando a campanha de Flávio Bolsonaro a uma quantidade de usuários e usuárias que sequer celebridades internacionais alcançam. Não há como conceber equilíbrio na disputa eleitoral com esse cenário”, afirma o documento apresentado ao TSE.


⦿ Vídeos de Nikolas chegam a 56 milhões de visualizações

Um dos principais argumentos da coligação envolve os números registrados pelo perfil de Nikolas Ferreira no Instagram. De acordo com a petição, o deputado possui 22,9 milhões de seguidores, mas suas publicações em vídeo alcançam, em média, aproximadamente 40 milhões de visualizações.

Para sustentar o questionamento, os advogados comparam o desempenho do parlamentar ao de personalidades internacionais como Kylie Jenner, Kim Kardashian, Beyoncé e Neymar, que possuem bases de seguidores significativamente maiores.

A campanha destaca um vídeo de Nikolas que teria alcançado 56,1 milhões de visualizações no Instagram. A mesma publicação, segundo os dados apresentados à Justiça Eleitoral, registrou 396,4 mil visualizações no TikTok.

A diferença representa um alcance aproximadamente 140 vezes maior no Instagram, discrepância que, na avaliação dos advogados, exige explicações sobre o funcionamento dos sistemas de recomendação da Meta.

O questionamento ganha relevância eleitoral porque parte das publicações do deputado contém críticas a Lula e manifestações de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

A coligação também menciona o plano de conformidade da própria empresa, segundo o qual conteúdos políticos recebem, em regra, menor destaque nos mecanismos de recomendação.

A campanha pede que a Justiça Eleitoral examine os critérios de distribuição para esclarecer se houve tratamento desigual.

⦿ Campanha de Lula relata restrições no Instagram

Além de questionar o alcance das publicações de Nikolas, a equipe jurídica do presidente afirma que o perfil oficial de Lula enfrentou dificuldades para impulsionar conteúdos no Instagram entre os dias 9 e 10 de outubro.

Segundo os advogados, a conta ficou impedida de promover publicações no feed durante esse período, comprometendo a estratégia de comunicação digital da campanha em uma fase decisiva da disputa presidencial.

A manifestação também sustenta que a Meta reconheceu problemas em seus sistemas, incluindo a desativação equivocada de uma conta de anúncios da campanha antes do primeiro turno.

Para a coligação, a posterior correção dessas falhas não seria suficiente para reparar eventuais prejuízos eleitorais, uma vez que a circulação de mensagens políticas depende diretamente do momento em que os conteúdos são divulgados.

A campanha argumenta, portanto, que o restabelecimento das funcionalidades não elimina a necessidade de investigar o impacto das restrições sobre a divulgação de suas publicações.

⦿ TSE já havia cobrado explicações da Meta

A nova petição foi apresentada depois de Bellizze determinar, no sábado (10), que a Meta prestasse esclarecimentos sobre as dificuldades relatadas pela campanha de Lula para impulsionar conteúdos nas redes sociais.

Na ação original, os representantes do presidente acusam a empresa de promover “seletividade algorítmica” e “restrição” de alcance às publicações da campanha.

Os advogados também apontam suposta “omissão” na remoção de contas que utilizariam inteligência artificial para atacar Lula, além da permanência de “conteúdos sintéticos” cuja circulação é vedada pelas regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

As alegações fazem parte dos questionamentos submetidos ao TSE e ainda dependem de esclarecimentos técnicos e da análise judicial.

⦿ Coligação pede preservação de dados e informações sobre algoritmos

Diante das suspeitas, a campanha de Lula solicita que o TSE determine à Meta a preservação dos registros e dados de moderação relacionados ao perfil de Nikolas Ferreira desde 16 de agosto.

Os advogados querem saber quais medidas de moderação foram eventualmente aplicadas à conta do deputado e como as visualizações de suas publicações se distribuem entre seguidores e usuários que não acompanham diretamente o parlamentar.

Outro ponto considerado essencial pela coligação é verificar se os mecanismos destinados a reduzir a recomendação de conteúdos políticos foram aplicados de maneira equivalente aos perfis vinculados às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.

A solicitação busca permitir uma comparação técnica entre o tratamento dispensado aos dois campos políticos pela plataforma.

Caso os pedidos sejam acolhidos, a Meta terá de fornecer as informações determinadas pela Justiça Eleitoral, que poderão subsidiar a avaliação sobre a existência ou não de tratamento desigual na distribuição de conteúdos durante a campanha presidencial.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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