segunda-feira, 6 de julho de 2026

Flávio Bolsonaro ignora “conselho de amigo” de Valdemar sobre Lula; entenda


      Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, repetiu um gesto comum quando chegou nos Estados Unidos, no domingo (5): fazer críticas contudentes ao presidente Lula (PT). A postura, porém, contraria a orientação defendida pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que tem aconselhado o senador a mudar o tom da pré-campanha presidencial.

Segundo o Globo, interlocutores dizem que Valdemar avalia que a rejeição de Lula já chegou ao limite e tende a não crescer mais. Por isso, considera pouco produtivo manter a estratégia centrada em ataques ao presidente.

“A grande vantagem que temos é Lula ter 48% de rejeição e não sair disso. Flávio não tem que falar mal do Lula, porque a rejeição dele já está alta e não vai crescer”, disse o dirigente a correligionários.

O presidente do PL defende que Flávio concentre o discurso em propostas econômicas e tente ampliar o alcance para além do eleitorado bolsonarista mais fiel. A avaliação interna é que falar de economia poderia ajudar o senador a reduzir resistências e disputar votos em setores menos ideológicos.

Valdemar e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução
A preocupação também passa pelos números de rejeição do próprio Flávio. Pesquisas Datafolha e AtlasIntel realizadas no fim de julho mostraram o senador com índices superiores aos de Lula. No Datafolha, Flávio apareceu com 48% de rejeição, contra 46% do petista. Na AtlasIntel, o senador registrou 53%, enquanto Lula marcou 48%.

Outro levantamento, feito pelo BTG/Nexus e divulgado no fim de junho, apontou cenário semelhante. Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados disseram que não votariam em Flávio Bolsonaro “de jeito nenhum”. Lula aparece em seguida, com 47% de rejeição. O estudo foi realizado por telefone entre 22 e 24 de maio, com 2.045 eleitores, margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE sob o protocolo BR-04193/2026.

Entre os demais nomes testados, Cabo Daciolo (Mobiliza) aparece com rejeição de 42%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 34%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 32%. Renan Santos (Missão) soma 31%, Joaquim Barbosa tem 30% e Augusto Cury registra 27%.

O levantamento também indica melhora na avaliação do governo Lula. A parcela que considera a gestão “ótima” ou “boa” subiu de 33% para 37% em relação a abril, enquanto a avaliação “ruim” ou “péssima” caiu de 43% para 40%. Na pergunta sobre aprovação, 47% dizem aprovar o governo, e 48% afirmam desaprovar.

Lula mantém ainda o maior eleitorado consolidado entre os nomes avaliados: 37% dizem que ele é o único candidato em quem votariam. Flávio aparece com 26% nesse grupo. Nos cenários eleitorais testados, o petista aparece numericamente à frente do senador em um eventual segundo turno, por 47% a 43%, em empate técnico no limite da margem de erro.

Além da mudança de discurso, Valdemar ainda tenta convencer Michelle Bolsonaro a participar da campanha de Flávio. O dirigente vê a ex-primeira-dama como um ativo importante para reduzir a rejeição do senador, especialmente entre mulheres conservadoras e eleitoras evangélicas, após a crise que expôs o racha no bolsonarismo.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

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