segunda-feira, 6 de julho de 2026

Crise entre Michelle e Flávio tem ingredientes passionais expõe guerra familiar pelo espólio político de Bolsonaro

Atrito teria sido agravado pelo protagonismo dado a Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, Eduardo e Carlos, na disputa pelo Senado no Rio

Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro            -              Crédito: Reprodução | Agência Senado

A crise aberta entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou novos contornos e expôs uma disputa familiar que vai além da política eleitoral. Segundo informações publicadas pelo jornalista Cláudio Magnavita, na coluna Magnavita, do Correio da Manhã, o conflito teria ingredientes passionais ligados ao espaço ocupado por Rogéria Bolsonaro, ex-esposa de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.

De acordo com a coluna, o clima teria azedado depois que Rogéria passou a ganhar protagonismo na composição de uma chapa competitiva ao Senado no Rio de Janeiro, na condição de primeira suplente de Márcio Canella. Para aliados da família ouvidos pela coluna, Michelle não teria se conformado com a volta da ex-esposa de Jair Bolsonaro à ribalta política.

◍ Rogéria volta ao centro da disputa

Rogéria Bolsonaro já foi vereadora do Rio por dois mandatos e tem histórico eleitoral próprio. Em 1992, obteve 7.924 votos para a Câmara Municipal. Quatro anos depois, em 1996, foi reeleita com 24.891 votos. Em 2000, no entanto, acabou ficando na suplência após disputar espaço com o próprio filho, Carlos Bolsonaro, lançado pelo pai.

A coluna relembra que aquele episódio escancarou tensões familiares antigas: Jair Bolsonaro colocou Carlos para concorrer contra a própria mãe, o que acabou impedindo Rogéria de conquistar um terceiro mandato.

◍ A reação de Michelle e o papel de Flávio

Para a coluna Magnavita, o “pecado” de Flávio Bolsonaro teria sido devolver protagonismo político à mãe. Um amigo da família, citado na publicação, afirmou: “só o fator passional explica a irracionalidade política das últimas posições de Michelle”. Ele acrescentou: “o grande pecado de Flávio foi ressuscitar politicamente Rogéria”.

A avaliação é que, se Rogéria chegar ao Senado, ainda que como suplente em eventual licença de Canella, ela passaria a ocupar um lugar simbólico relevante: não mais o de ex-esposa de Jair Bolsonaro, mas o de mãe de um eventual presidente da República, caso Flávio avance em seus planos políticos.

◍ Tensão antiga com ex-esposas de Bolsonaro

A coluna também aponta que Michelle Bolsonaro sempre manteve relação tensa com as ex-esposas de Jair Bolsonaro, especialmente Rogéria Bolsonaro e Ana Cristina Siqueira Valle, mãe de Jair Renan. Segundo o texto, Michelle teria vetado acenos políticos de Jair às duas em diferentes momentos eleitorais.

No caso de Ana Cristina, a tensão ficou evidente em 2022, quando ela disputou uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Naquele pleito, Michelle declarou publicamente que seu irmão, Eduardo Torres, era o “candidato oficial da família”, isolando politicamente a mãe de Jair Renan.

◍ Vídeo e suspeição contra Flávio ampliaram a crise

O ponto mais grave da crise, segundo a coluna, teria sido a repercussão dada por Michelle a um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre a chamada “festa do astronauta”, ligada a Daniel Vorcaro. A publicação afirma que o episódio levantou suspeitas contra Flávio Bolsonaro, embora o senador não estivesse em Nova York na data citada.

Para Magnavita, ao dar protagonismo ao vídeo, Michelle teria criado uma ferida difícil de cicatrizar no núcleo familiar. A coluna classificou o gesto como um “suicídio político e familiar”, por ter ampliado a suspeição contra o próprio enteado em meio a uma disputa pelo comando do capital político bolsonarista.

◍ Disputa pelo legado bolsonarista

A crise evidencia a disputa interna pelo espólio político de Jair Bolsonaro. De um lado, Michelle tenta preservar o protagonismo conquistado como ex-primeira-dama e liderança com influência no segmento evangélico. De outro, os filhos de Jair Bolsonaro buscam manter o controle político da família e evitar que a ex-primeira-dama se sobreponha ao clã.

O conflito com Flávio, portanto, não se limita a divergências eleitorais pontuais. Ele revela uma batalha mais profunda pelo comando simbólico e prático do bolsonarismo em 2026.

Fonte: Brasil 247 com informações publicadas pelo jornalista Cláudio Magnavita, na coluna Magnavita, do Correio da Manhã

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