sábado, 23 de maio de 2026

Transferência de Vorcaro amplia tensão entre PF e André Mendonça

Decisão de André Mendonça de manter Daniel Vorcaro na PF elevou reclamações internas da corporação

         Daniel Vorcaro na prisão (Foto: Reprodução)

A transferência de Vorcaro para uma sala especial na superintendência da PF (Polícia Federal), determinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ampliou a tensão entre a corporação e o relator do caso Banco Master. A decisão manteve Daniel Vorcaro, dono do banco, sob custódia no prédio da PF, apesar de pedidos anteriores para que ele fosse levado a outra unidade.

As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, uma hora depois de a decisão de André Mendonça vir a público pela imprensa, a cúpula da PF ainda não havia sido formalmente notificada pelo relator do caso.

Antes da determinação, Vorcaro estava em uma cela comum da PF. O banqueiro passou a cumprir custódia no local depois que a corporação rejeitou uma proposta de acordo de delação premiada. A estrutura é descrita como um espaço de passagem, destinado a presos em flagrante que permanecem ali por, no máximo, dois dias.

⊛ PF havia pedido transferência para a Papudinha
A permanência de Daniel Vorcaro na superintendência contrariou movimentações anteriores da Polícia Federal. Há semanas, quando aumentava a possibilidade de a corporação não fechar acordo de delação com o banqueiro, a PF pediu a André Mendonça que ele fosse transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

A unidade é conhecida como Papudinha. Nos últimos dias, a corporação reforçou o pedido ao ministro do STF. Ainda assim, as solicitações não foram analisadas antes da nova decisão, que determinou a continuidade de Vorcaro na superintendência da Polícia Federal.

⊛ Regras internas viram novo foco de atrito
Integrantes da PF afirmam que Daniel Vorcaro não estaria submetido às regras normalmente aplicadas no local. Um dos pontos de incômodo relatados é o tempo de contato com os advogados.

Segundo esses relatos, presos custodiados na superintendência teriam direito a duas horas de conversa com defensores. No caso de Vorcaro, porém, o banqueiro costuma permanecer com os advogados das 9h às 18h.

A situação reforçou a insatisfação de setores da corporação com André Mendonça. De acordo com policiais ouvidos pela coluna, o desgaste não começou agora e envolve críticas à forma como o ministro conduz o inquérito relacionado ao Banco Master.

⊛ Desgaste com Mendonça vem de decisões anteriores
A Polícia Federal já demonstrava desconforto com decisões do relator do caso no STF. Policiais reclamam que André Mendonça toma decisões consideradas “descabidas”, tenta assumir o controle da investigação e se comporta como se fosse “dono do inquérito”.

Em fevereiro, Mendonça chegou a proibir delegados de compartilhar informações e dados da investigação com seus superiores hierárquicos. A medida irritou a cúpula da corporação e passou a ser vista como mais um episódio de interferência na rotina interna da PF.

Com a decisão sobre a custódia de Daniel Vorcaro, o caso Banco Master passou a concentrar não apenas os desdobramentos da investigação envolvendo o banqueiro, mas também um embate crescente entre a Polícia Federal e o ministro responsável pela relatoria no Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Brasil 247 informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo

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