Ratinho afirmou que suas declarações foram feitas em tom de brincadeira
O apresentador Ratinho se defendeu após a abertura de um inquérito para investigar declarações consideradas LGBTfóbicas, negou ter desrespeitado pessoas ao longo de sua carreira e anunciou que pretende deixar de fazer brincadeiras no Programa do Ratinho, exibido pelo SBT, para evitar novos processos. O comunicador abordou publicamente a controvérsia na noite de segunda-feira (10).
As informações são do UOL. A investigação foi aberta pela Polícia Civil após uma denúncia relacionada a declarações feitas pelo apresentador na televisão. A manifestação ocorreu depois da repercussão de um comentário direcionado ao cantor Tiago Piquilo, da dupla Hugo & Tiago, durante o programa exibido na quarta-feira (5).
Ratinho afirmou que suas declarações foram feitas em tom de brincadeira e contestou a interpretação de que teria a intenção de ofender. Ao comentar a repercussão, o apresentador sustentou que esse tipo de interação faz parte de seu estilo na televisão e afirmou: “Nunca desrespeitei ninguém”.
O episódio que motivou a nova controvérsia aconteceu quando Tiago Piquilo apareceu no palco com os cabelos platinados. Durante a conversa, Ratinho fez um comentário sobre a aparência do sertanejo utilizando um termo associado à orientação sexual de forma considerada ofensiva.
Tiago não confrontou o apresentador naquele momento e respondeu sobre a mudança no visual. Na sequência, Ratinho também perguntou se o cantor estava usando maquiagem, e o artista explicou que participantes do programa passam pelo camarim antes de entrar no ar.
Após a repercussão negativa, Agripino Magalhães Júnior, ativista LGBTQIAPN+ e pré-candidato em São Paulo, apresentou uma denúncia. Segundo o UOL, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar declarações atribuídas ao apresentador e consideradas LGBTfóbicas. O procedimento tramita sob sigilo, de acordo com o denunciante.
Durante seu pronunciamento no SBT, Ratinho criticou a iniciativa de Agripino e acusou, sem citar inicialmente o nome do ativista, o responsável pela denúncia de tentar utilizar uma entidade para obter vantagem.
O apresentador argumentou ainda que trabalha há 28 anos na televisão fazendo brincadeiras com convidados e insistiu que não teria como objetivo desrespeitar quem participa de seu programa.
Ao final do pronunciamento, Ratinho afirmou que pretende mudar sua postura diante das câmeras. Para explicar a decisão, mencionou uma situação envolvendo Silvio Santos e disse que adotará comportamento semelhante ao do fundador do SBT diante de críticas recebidas no passado.
“Não brinco mais. É melhor, mais fácil e evito processo”, declarou.
Agripino Magalhães Júnior, por sua vez, rejeitou a justificativa de que o episódio deveria ser entendido exclusivamente como humor. Segundo o ativista, manifestações que associam orientação sexual a uma forma de insulto podem reforçar estereótipos e contribuir para a normalização do preconceito contra a população LGBTQIAPN+.
O denunciante afirmou ainda que não pretende promover o “cancelamento” de Ratinho, mas discutir a responsabilidade de comunicadores com grande alcance. Ele também questionou a posição do SBT diante da ocorrência de outros episódios envolvendo o apresentador.
A presidente do SBT, Daniela Beyruti, também se pronunciou sobre a controvérsia. Ela afirmou que pessoas LGBT fazem parte da história da emissora e são bem-vindas em seus programas, ao mesmo tempo em que defendeu que a intenção de Ratinho não seria machucar outras pessoas.
Daniela avaliou que o apresentador pertence a uma geração diferente, mas reconheceu que determinadas brincadeiras podem provocar ofensa independentemente da intenção de quem as faz. A executiva informou que conversaria com Ratinho sobre o assunto.
A nova investigação ocorre meses depois de outra controvérsia envolvendo o apresentador. Em março de 2026, Ratinho questionou a escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma mulher trans, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Em junho, a Justiça determinou que Erika teria direito de resposta no Programa do Ratinho com o mesmo destaque dado às declarações do apresentador. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu temporariamente essa determinação após um recurso apresentado pelo SBT.
Com a abertura do novo inquérito, as declarações feitas no programa voltaram ao centro da discussão sobre os limites entre humor, liberdade de expressão e manifestações consideradas discriminatórias. Ratinho nega a intenção de desrespeitar pessoas e afirma que, diante das repercussões e dos processos, reduzirá as brincadeiras feitas no ar.
Fonte: Brasil 247
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