sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Quase metade dos ministros deve deixar governo para disputar eleições, e Lula aposta em “números 2” para manter entregas

Trocas previstas a partir de abril devem atingir até 22 pastas; estratégia prioriza secretários-executivos para evitar paralisia

     Lula durante reunião ministerial (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminha para uma das maiores reformulações ministeriais do atual mandato a partir de abril, quando ministros que pretendem concorrer nas eleições de 2026 precisarão se desincompatibilizar dos cargos. A estratégia definida no Palácio do Planalto é manter a máquina funcionando sem interrupções, promovendo majoritariamente os secretários-executivos — os chamados “números 2” das pastas — que, em geral, têm perfil mais técnico do que político. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.

A expectativa é de que quase metade da Esplanada passe por mudanças. A medida, segundo a articulação do Planalto, busca impedir que o governo perca ritmo em obras, programas e entregas, num período em que Lula pretende elevar sua popularidade para disputar a reeleição.

Em conversa com jornalistas em meados de dezembro, Lula reconheceu que a saída de auxiliares será ampla e indicou que não pretende barrar a decisão de ninguém:

“Eu sei que tem uma enxurrada de ministros que vai sair, acho que pelo menos 18. Não vou impedir ninguém de sair, vou apenas torcer”, disse o presidente.

Segundo o desenho discutido internamente, o número de desligamentos pode chegar a 22 ministros, com Lula também sinalizando que pretende conversar pessoalmente com os auxiliares que devem deixar seus postos nos próximos meses.

☉ Haddad e Lewandowski puxam a fila — mas sem candidatura confirmada

Dois nomes aparecem como os primeiros a deixar o governo: Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça. Nenhum dos dois, segundo o relato, pretende disputar eleição, mas ambos comunicaram a intenção de saída.

Haddad disse que já conversou com Lula sobre o tema e, dias depois, indicou que pode se despedir do cargo ainda em fevereiro. Seu plano seria colaborar com a campanha de reeleição do presidente, embora Lula já tenha afirmado publicamente que gostaria de vê-lo candidato em São Paulo — opção defendida por setores do PT, que o pressionam a disputar o governo estadual ou o Senado.

No Ministério da Fazenda, Haddad trabalha para que o comando fique com seu secretário-executivo, Dario Durigan, garantindo continuidade da política econômica.

Já Lewandowski comunicou a Lula em 23 de dezembro que considera sua missão cumprida e quer uma rotina mais tranquila perto da família. Diferentemente da Fazenda, a sucessão na Justiça permanece indefinida.

☉ Alckmin pode sair do MDIC e abrir espaço para Márcio Elias Rosa

Outro movimento relevante envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin, que ocupa também o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ele teria de deixar o cargo caso dispute eleição em São Paulo — hipótese defendida por parte do PT — ou se for novamente o parceiro de chapa de Lula na campanha presidencial.

Nesse cenário, o secretário-executivo Márcio Elias Rosa, ex-procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, aparece como possível substituto.

☉ Mudanças no Planalto: Casa Civil, SRI e comunicação no radar

Entre as pastas instaladas no Palácio do Planalto, a reforma deve alcançar Casa Civil e Secretaria de Relações Institucionais (SRI). O ministro Rui Costa pode sair em abril para concorrer ao Senado pela Bahia, e a tendência é que o posto fique com a secretária-executiva Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff.

Na SRI, Gleisi Hoffmann deve tentar novo mandato pelo Paraná. O substituto ainda não está definido, mas uma das possibilidades apontadas é a promoção do secretário-executivo, o diplomata Marcelo Costa.

Há ainda a hipótese de saída de Sidônio Palmeira, ministro da Comunicação Social, caso ele assuma a coordenação do marketing da campanha de Lula à reeleição.

☉ Lista de ministros que podem deixar o governo até abril

Fora do Planalto, o conjunto de saídas pode ser amplo e envolver ministérios centrais. Entre os nomes citados como prováveis ou possíveis candidatos estão:

  •  Marina Silva (Meio Ambiente)
  •  Simone Tebet (Planejamento)
  •  Jader Filho (Cidades)
  •  Waldez Goés (Integração Nacional)
  •  Renan Filho (Transportes)
  •  Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos)
  •  Wolney Queiroz (Previdência)
  •  Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário)
  •  André Fufuca (Esporte)
  •  André de Paula (Pesca)
  •  Macaé Evaristo (Direitos Humanos)
  •  Sonia Guajajara (Povos Indígenas)
  •  Anielle Franco (Igualdade Racial)

Desses, Renan Filho, do MDB, é apontado como o único com perspectiva de disputar um governo estadual: ele pretende voltar ao comando de Alagoas, que governou entre 2015 e 2022.

Outros ministros são mencionados como potenciais candidatos ao Senado, enquanto parte do grupo teria projetos de candidatura à Câmara.

☉ Marina e Tebet: decisões ainda dependem de Lula

Entre os nomes citados, dois casos se destacam por dependerem diretamente das decisões do presidente: Marina Silva e Simone Tebet.

No caso de Marina, a discussão envolve a possibilidade de candidatura ao Senado por São Paulo. Se a estratégia não avançar, ela pode tentar renovar o mandato de deputada, com a ressalva de que talvez precise mudar de partido, diante de conflitos internos na Rede Sustentabilidade. Para substituí-la no Meio Ambiente, o nome mais forte é o do secretário-executivo João Paulo Capobianco, que tem trajetória consolidada na área ambiental e dentro da própria pasta.

Já Tebet avalia disputar o Senado pelo Mato Grosso do Sul — seu estado de origem — ou por São Paulo. A decisão deve ser tomada no primeiro semestre. A expectativa é que seu secretário-executivo, Gustavo Guimarães, com ampla experiência na área econômica, assuma o comando do Planejamento.

☉ Infraestrutura deve seguir a “solução caseira”

A lógica de promover os “números 2” aparece com mais força nos ministérios de infraestrutura, para evitar atrasos e descontinuidade em obras.

Em Transportes, o nome citado como provável sucessor é George Santoro, ex-secretário da Fazenda de Alagoas. Em Portos e Aeroportos, a tendência é a promoção de Tomé Franca, com passagem por cargos estaduais em Pernambuco.

A avaliação no Planalto é que, em áreas com cronogramas sensíveis, trocas políticas com nomes externos poderiam gerar um período de adaptação e reduzir a capacidade de execução.

☉ Outras saídas possíveis: França, Silveira e Camilo Santana

Além do grupo principal, também são mencionadas saídas adicionais até abril, como: 

● Márcio França (Empreendedorismo e Pequena Empresa), que sonha com uma candidatura em São Paulo
●Alexandre Silveira (Minas e Energia), citado como possível postulante ao Senado por Minas Gerais
● Camilo Santana (Educação), que pode deixar o MEC para tentar voltar ao governo do Ceará, diante da ameaça representada pela pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) no cenário estadual

No caso do Ceará, Camilo é visto como um nome mais competitivo do que o atual governador Elmano de Freitas, aliado do presidente.

☉ Troca recente no Turismo sinaliza novo método de recomposição política

Antes do fim do ano, Lula já promoveu uma mudança relevante: o Ministério do Turismo passou por troca após a saída de Celso Sabino, substituído por Gustavo Feliciano, indicado por uma parcela da bancada do União Brasil e aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Sabino, segundo o relato, foi expulso do União Brasil por não respeitar a decisão da legenda de deixar o governo e agora procura uma sigla para se candidatar ao Senado pelo Maranhão.

☉ Estratégia eleitoral e continuidade administrativa

A reconfiguração planejada por Lula combina cálculo eleitoral com continuidade administrativa. Ao apostar em secretários-executivos, o Planalto tenta garantir que as entregas continuem sem sobressaltos num período decisivo, em que o governo busca reduzir ruídos, manter obras em andamento e apresentar resultados concretos.

Ao mesmo tempo, o movimento abre espaço para reposicionamentos partidários e rearranjos internos — tanto nas alianças quanto nas disputas regionais — que devem marcar o início de 2026 como um dos momentos mais sensíveis do mandato, com o governo já operando sob lógica de campanha.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário