segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Votação de Flávio supera desempenho de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022

 Senador cresce no Nordeste, vira votos em Minas Gerais e Tocantins e amplia vantagem no eleitorado sulista

Vídeo gerado por IA mostrando o ex-presidente Jair Bolsonaro no lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro - Crédito: REUTERS/Bia Borges

O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), superou a votação obtida por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), nos pleitos de 2018 e 2022. No eleitorado brasileiro como um todo, o parlamentar obteve 6,8 milhões de votos a mais que o pai em 2018 e 5 milhões a mais do que há quatro anos. O avanço foi impulsionado sobretudo pelo Nordeste, onde o presidente Lula (PT) manteve o patamar de votos, mas viu o adversário reduzir a distância em um histórico reduto petista.


O Ceará é um dos retratos da arrancada do candidato do PL. Os dados mostram que Lula teve a maioria dos votos no estado, conquistando 63,22% do eleitorado, mas perdeu cerca de 45 mil votos e se manteve no mesmo patamar que na eleição passada. Já Flávio cresceu nesse período: em 2022, Jair Bolsonaro teve 1,3 milhão de votos no Ceará, mas o filho conquistou quase 370 mil eleitores a mais e atingiu 31,32% dos votos válidos.

A expansão também ocorreu no Piauí, estado em que Lula havia obtido sua maior vantagem contra Jair Bolsonaro. O presidente registrou novamente 1,5 milhão de votos, mas o adversário conquistou um quarto do eleitorado, somando mais de 500 mil eleitores. Na Bahia, onde o PT reelegeu o governador Jerônimo Rodrigues, Flávio chegou a quase 2,5 milhões de votos, enquanto o petista perdeu cerca de 200 mil eleitores e viu sua votação recuar em quase todas as cidades baianas na comparação com 2022.

No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, Flávio ampliou o desempenho anterior do pai. Em São Paulo, o PT lançou a candidatura de Fernando Haddad para fortalecer o palanque de Lula e tentar frear o bolsonarismo, mas o plano não se mostrou efetivo. Com o apoio do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), o candidato do PL ampliou as duas votações anteriores da família no estado, enquanto Lula perdeu quase 1 milhão de votos em relação ao último pleito.

No Rio de Janeiro, o PT se aliou ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que não fez uma campanha explícita para o ex-presidente — atitude que gerou reclamações de setores da esquerda. Paes fechou acordos estaduais com aliados da família Bolsonaro, como a família Reis, de Duque de Caxias, que indicou a vice em sua chapa. O resultado das urnas fluminenses mostrou revezes para os petistas: Paes ainda pode perder a eleição no primeiro turno caso o Tribunal Superior Eleitoral suspenda a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), enquanto Benedita da Silva (PT), candidata ao Senado, foi superada por dois bolsonaristas, Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL). Além disso, Flávio recebeu 135 mil votos a mais no estado na comparação com o pleito anterior.

Minas Gerais e Tocantins protagonizaram viradas diretas na comparação com 2022. Em solo mineiro, considerado o fiel da balança na disputa presidencial, Lula havia vencido por uma diferença de 600 mil votos há quatro anos, mas viu Flávio superá-lo pela mesma quantidade no último domingo. Já no Tocantins, onde o presidente tinha conquistado cerca de metade do eleitorado em 2022, Flávio atingiu esse percentual, retomando a maioria dos eleitores no estado em que o pai venceu em 2018 e ampliando a votação em mais de 100 mil votos.

Na Região Norte, Flávio registrou avanço em todos os estados em relação aos desempenhos do pai nas últimas duas eleições. O Pará se destacou como a principal fonte de votos do senador, que se consolidou em colégios eleitorais como São Félix do Xingu — passando de 63% para 72% dos votos — e reduziu a diferença em relação ao rival no restante do estado, saltando dos 1,7 milhão de votos obtidos por Fernando Haddad no primeiro turno de 2018 para mais de 2,1 milhões de eleitores conquistados agora por Flávio.

No Sul, estados que já haviam garantido vitória a Jair Bolsonaro mantiveram o apoio ao filho, que registrou o principal crescimento no Rio Grande do Sul. No estado gaúcho, o PT não lançou candidatura própria ao governo estadual pela primeira vez desde a redemocratização e apoiou Juliana Brizola (PDT), que perdeu no primeiro turno para o deputado federal Luciano Zucco (PL). Lula sofreu viradas em zonas eleitorais gaúchas, como na cidade de Dom Pedrito, onde havia vencido Jair por 53,88% a 38,86% em 2022, mas viu Flávio liderar a apuração neste ano com 51,14% contra 41,63%. Em Santa Catarina, onde o presidenciável lançou o irmão Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado, a chapa conquistou mais de 300 mil votos a mais que o pai há quatro anos.

O único recuo registrado por Flávio ocorreu no Distrito Federal, onde a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi eleita senadora. No centro do poder, o enteado perdeu cerca de mil votos na comparação com a votação do pai no último pleito, enquanto Lula avançou e conquistou 30 mil votos a mais no DF.

Fonte: Brasil 247

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