segunda-feira, 5 de outubro de 2026

VÍDEO: a reação animada de Tralli e Lo Prete na Globo após vitória de Flávio Bolsonaro no 1° turno


      César Tralli e Renata Lo Prete. Foto: Reprodução/TV GLOBO

César Tralli e Renata Lo Prete encerraram de forma efusiva e descontraída a cobertura da Globo sobre o primeiro turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (4). Após a confirmação de que Flávio Bolsonaro (PL) avançaria para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, os jornalistas apareceram sorridentes, trocaram elogios, deram as mãos, riram e lamentaram o fim da transmissão.

“Acabou?”, perguntou Lo Prete. “Acabou”, respondeu Tralli. “Que pena, né, que acabou”, afirmou a jornalista, ainda sorrindo. “Podia esticar mais um pouco, né?”, acrescentou. O tom festivo chamou atenção nas redes justamente por ocorrer ao final de uma cobertura marcada pelo destaque dado ao desempenho do filho de Jair Bolsonaro.

Tralli colocou a mão no ombro da colega e os dois permaneceram de mãos dadas durante parte dos agradecimentos. “Queria te agradecer muito”, disse Lo Prete. “Eu que quero te agradecer. Pela parceria, foi incrível. Muito obrigado mesmo”, respondeu o apresentador. Ela ainda agradeceu ao colega pela “aula” durante a apuração.

Os dois também riram ao se confundir sobre a data do segundo turno. Tralli citou inicialmente o dia 24, corrigiu para 25 e explicou que estaria no estúdio desde a véspera. Ao final, eles acenaram para a câmera, e Lo Prete mandou um beijo. “Nós juntos aqui celebrando a democracia nesse dia tão especial”, afirmou o âncora.



A cena não surgiu no vácuo. Nas semanas anteriores à votação, a Globo e outros grandes jornais já vinham blindando Flávio Bolsonaro, naturalizando seu extremismo e fabricando falsas equivalências entre o candidato do PL e Lula. Escândalos envolvendo Flávio Bolsonaro, que receberiam semanas de cobertura negativa se atingissem um candidato de esquerda, tiveram espaço reduzido ou simplesmente desapareceram dos principais telejornais.

Entre eles estavam as revelações sobre as relações do entorno de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro e reportagens do PlatôBR envolvendo Alexandre Ferreira Dias Santini, amigo e ex-sócio do senador. Os relatos e documentos mencionavam festas, hotéis de luxo, garotas de programa, um relógio Rolex de R$ 300 mil e um suposto lobby no Supremo Tribunal Federal. O Jornal Nacional, tão ágil para repercutir acusações frágeis contra o PT durante a Lava Jato, não demonstrou o mesmo entusiasmo diante do material sobre o bolsonarista.

A proteção ficou ainda mais explícita no episódio do debate presidencial. A Globo havia deixado Renan Santos (Missão) de fora, apesar de ele aparecer em terceiro lugar nas pesquisas e ser um dos adversários que mais confrontavam Flávio. Após o Supremo Tribunal Federal determinar sua participação, o candidato do PL desistiu do programa. Em vez de realizar o encontro com os demais concorrentes, a emissora cancelou o debate e seus jornalistas passaram a atacar a interferência da Justiça nas regras estabelecidas pela própria empresa.

A operação lembrou a atuação da Globo na eleição de 1989, quando uma edição do debate entre Lula e Fernando Collor exibida pelo Jornal Nacional favoreceu o “Caçador de Marajás”. Em 2026, a emissora não precisou transformar Flávio em um candidato moderado. Bastou esconder seus flancos, suavizar seu histórico e tratá-lo como alternativa eleitoral aceitável depois do fracasso das candidaturas apoiadas pela direita tradicional e pela Faria Lima.

A blindagem não se restringiu à Globo. Folha e Estadão também foram criticados por tratar Flávio como o único nome capaz de derrotar Lula e por reduzir o peso de controvérsias que acompanham sua trajetória, das “rachadinhas” às conexões políticas expostas no caso Vorcaro. O senador chegou ao segundo turno amparado pelo centrão, por líderes neopentecostais, pelo mercado financeiro e por corporações de mídia que voltaram a apresentar o bolsonarismo como barreira contra a esquerda.

É nesse contexto que os sorrisos, as mãos dadas, as risadas e a lamentação pelo fim da transmissão ganham significado político. Depois de semanas de proteção editorial, o encerramento animado ofereceu uma imagem perfeita da relação entre a Globo e o candidato que ela ajudou a normalizar.

Flávio chega ao segundo turno carregando o sobrenome do pai, Jair Bolsonaro, condenado e preso por participação na tentativa de golpe de Estado. Ainda assim, foi tratado a pão de ló por veículos que, mais uma vez, demonstraram disposição para relativizar o extremismo quando a alternativa é a permanência de Lula no poder.

Fonte: DCM

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