Presidente lamenta resultado no estado paulista e critica não eleição de Simone Tebet e Marina Silva para o Senado
O presidente Lula (PT) expressou publicamente sua decepção com o resultado das urnas no estado de São Paulo, lamentando a derrota de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo paulista contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), além da não eleição de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) para as vagas ao Senado Federal, que acabaram sendo conquistadas por Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Ao analisar o cenário no maior colégio eleitoral do país, o chefe do Executivo fez uma defesa enfática da trajetória política de Haddad e questionou a escolha do eleitorado paulista pela terceira vez. “A cada vez que o Haddad perde uma eleição aqui em São Paulo eu fico frustrado. O Haddad é uma daquelas joias que alguém consegue produzir, e o estado de São Paulo produziu, a universidade produziu, e que ele não pode simplesmente perder uma eleição sem que a gente diga: ‘Haddad, não foi você que perdeu a eleição; quem perdeu foi o povo de São Paulo’. É a terceira vez. Se você for analisar o que o Tarcísio fez no estado de São Paulo, nada. Me diga uma grande obra. As obras são pensadas com o dinheiro do governo federal. Mas ele foi eleito. Talvez a culpa seja nossa, não dele, de não ter tentado mostrar para o povo a realidade”, declarou o presidente.
Apesar do resultado negativo no estado, Lula fez questão de enviar uma mensagem de apoio e incentivo ao seu aliado político para o futuro. “Agora, o que eu lamento profundamente é que o Haddad perde uma eleição e eu considero que foi uma derrota muito grande, que o povo de São Paulo pela terceira vez perde a chance de eleger o Haddad. Haddad, você é muito jovem. Não desanime não, cara. O teu dia chegará. E você um dia vai poder mostrar que se você conseguir governar esse estado e este país, a gente vai dar um salto de qualidade. O que precisamos é repensar como estamos fazendo as coisas. Nós fizemos as coisas certas? Acertamos nas nossas decisões?”, refletiu Lula.
O presidente também demonstrou perplexidade diante da não eleição das ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva para o Senado, relacionando a decisão do eleitorado com o contexto das mudanças climáticas globais e com o respeito soberano às regras do sistema democrático. “Como São Paulo deixa de eleger duas mulheres da qualidade de Simone Tebet e Marina Silva? Como é possível nesse momento, que o mundo tem na questão climática um dos maiores problemas da sociedade… Esse é o problema da democracia. A democracia é isso. A gente se submete ao veredito popular. Às vezes a gente ganha, às vezes a gente perde. Mas é um negócio que eu não consigo entender. No momento histórico que o planeta Terra vive, as maiores incertezas climáticas do mundo, a gente tem uma mulher da qualidade da Marina, que não é ser senadora por São Paulo; é ser senadora do Brasil, para representar o Brasil diante do mundo. A gente tem uma mulher ligada ao agronegócio [Simone Tebet] que pensa socialmente, no povo mais humilde. E essas pessoas não foram eleitas, para serem eleitas duas pessoas que não têm nenhum compromisso com a inclusão social. Será que o povo está certo? Ou estamos errados de reclamar?”, questionou.
Além disso, Lula destacou a necessidade de acompanhar o desempenho das autoridades eleitas nas urnas e resgatou a histórica desigualdade social do país como um dos fatores de preconceito contra projetos inclusivos. “Temos pela frente o mandato do Tarcísio, o mandato dos senadores, das pessoas que foram eleitas, para saber se as pessoas vão cuidar ou não. A história brasileira é muito triste. Esse país foi pensado historicamente para ser governado para 35% da população. Nunca se pensou em governar para 100%. Quando a gente pensa, a gente tem que incluir o povo da periferia, tem que pensar como abrir oportunidade para as crianças pobres. Nós nunca fomos perdoados pelas cotas, por trazer gente da periferia para fazer o Prouni, por fazer que o Fies financiasse gente muito pobre para fazer universidade. A gente sabe o quanto tem de preconceito”, apontou.
Por fim, o chefe do Executivo projetou a disputa de segundo turno na corrida presidencial, demonstrando confiança na vitória ao lado de seu vice, Geraldo Alckmin. “E esta eleição de hoje mostrou o seguinte: o jogo está sendo jogado. Houve a primeira etapa. E eu e o Alckmin queremos dizer: nós vamos ganhar essas eleições, porque não vamos permitir que o povo brasileiro sofra um revés de tudo aquilo que conquistamos”, concluiu Lula.
Fonte: Brasil 247
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