quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Glenn Greenwald acusa EUA de interferirem para derrotar Lula e favorecer Bolsonaro


     Glenn Greenwald em entrevista à RT

O jornalista e escritor americano Glenn Greenwald, heroi dos bolsonaristas desde que passou a ficar obcecado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou que os Estados Unidos têm interesse direto no resultado das próximas eleições brasileiras e disse que Washington está atuando para enfraquecer o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e favorecer o campo político ligado a Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao programa “Conversando con Correa”, da RT, Greenwald afirmou que “os EUA têm muito interesse em que Lula perca e Bolsonaro ganhe” e disse considerar preocupante o grau de envolvimento americano na política brasileira.

“Se você olhar agora mesmo o mapa da América do Sul, só resta um país que é mais ou menos de centro-esquerda ou de esquerda. E esse é o país em que estamos [Brasil]”, afirmou.

Para Greenwald, a eleição brasileira terá importância não apenas para a Presidência, mas também para a composição do Congresso e dos governos estaduais. Segundo ele, os Estados Unidos não estariam simplesmente acompanhando o processo eleitoral à distância.

“Os Estados Unidos têm muito interesse em que Lula perca e Bolsonaro ganhe. O governo dos EUA não se limita a observar à distância e dizer: ‘Esperamos que…’. Ele se mostra ativo e envolvido em tentar, basicamente, derrubar o Brasil como o último grande, importante e influente governo de esquerda na América do Sul”, declarou.


O jornalista relacionou essa disputa à política externa americana para a América Latina e à crescente aproximação de países da região com a China. Na avaliação dele, Washington procura utilizar instrumentos econômicos e políticos para recompensar governos alinhados aos seus interesses e pressionar aqueles que adotam posições divergentes.

“Eu acho que os EUA estão interferindo muito nesses países, oferecendo benefícios àqueles que servem aos interesses estadunidenses e punindo os que não servem”, disse.

Greenwald comparou essa estratégia a uma política utilizada pelos Estados Unidos durante décadas em diferentes regiões do mundo.

“É basicamente a mesma combinação de recompensas e ameaças que os EUA têm utilizado no Oriente Médio, na Ásia e na América Latina durante décadas para fazer com que os governos se tornem suas marionetes”, afirmou.

Greenwald cita China e desdolarização

Greenwald relacionou a pressão americana à posição brasileira em favor de uma maior diversificação das relações econômicas internacionais e à aproximação com a China.

Segundo o jornalista, a ofensiva tarifária do governo Donald Trump contra o Brasil teria começado depois de o país defender a desdolarização. Ele também apontou a expansão da presença chinesa na América Latina como um dos fatores que aumentariam a disputa de influência na região.

A avaliação de Greenwald é que Washington procura impedir que países latino-americanos aprofundem relações econômicas e políticas independentes dos Estados Unidos, especialmente com Pequim.

Ele afirmou que durante anos houve uma forte onda de governos de esquerda na América Latina e disse que, atualmente, a política americana estaria conseguindo alterar esse cenário.

“Durante muito tempo, como você sabe melhor que ninguém, houve um movimento de esquerda muito forte em toda a América Latina que vinha prosperando em muitos países. E, mais uma vez, ao observar o mapa, fica claro que a política estadunidense é muito bem-sucedida”, afirmou.

Greenwald disse ainda que sua posição é particularmente preocupada por viver no Brasil.

“Sou cidadão estadunidense, mas moro na América do Sul, no Brasil. E percebo que essa intervenção estadunidense está funcionando e me preocupa o quão livres serão essas eleições”, declarou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário