Análise da Palver mostra predomínio de mensagens contrárias ao senador; projeto citado no rumor foi arquivado em 2008 e não era dele
Flávio Bolsonaro - Crédito: Adriano Machado/Reuters
O boato sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida gerou uma repercussão predominantemente negativa para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e favoreceu o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais, segundo levantamento da Palver divulgado pela CNN Brasil. A informação falsa vinculou o candidato à Presidência a uma proposta de outro parlamentar, arquivada em 2008.
As críticas representaram 73% das manifestações sobre Flávio nas redes, contra 27% de apoio, quando excluídas as publicações neutras. No WhatsApp e no Telegram, a distribuição foi de 60% de mensagens contrárias ao candidato e 40% favoráveis.
O monitoramento também identificou uma diferença entre a circulação do boato e a resposta do senador. Cerca de 37% das mensagens analisadas apresentaram a informação falsa como verdadeira. Já o desmentido e as publicações em defesa de Flávio corresponderam a 16% do conteúdo.
A discussão chegou a 735 menções a cada 100 mil mensagens nesta sexta-feira (25). Até quarta-feira (23), o assunto aparecia entre 40 e 80 vezes no mesmo universo de publicações.
Segundo a Palver, empresa de tecnologia e inteligência de dados, perfis de esquerda tiveram protagonismo na disseminação do conteúdo e alcançaram elevado engajamento. O relatório classificou Flávio como “o ator político mais prejudicado” e apontou o PT e o campo governista como “os principais beneficiados pela narrativa”.
A análise considera que o episódio pode provocar uma “erosão do apoio católico” à candidatura do senador. Essa avaliação, porém, se refere aos possíveis efeitos da repercussão: o levantamento acompanha o debate digital e não mede intenção de voto.
A associação de Flávio ao tema partiu de um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli. A proposta pretendia trocar a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos”. Além de não ter sido apresentada pelo senador, a iniciativa foi arquivada no ano seguinte.
O canal de televisão que divulgou a informação se retratou e pediu desculpas. Flávio publicou um vídeo para negar qualquer articulação nesse sentido e voltou a abordar o assunto durante uma agenda no Rio de Janeiro nesta sexta-feira.
“É uma mentira que eu teria apoiado algum projeto que fosse retirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Jamais faria isso”, declarou.
O candidato atribuiu a disseminação da informação falsa à “milícia do PT”. O material apresentado não traz comprovação dessa acusação. O predomínio de perfis de esquerda na distribuição do conteúdo, identificado pelo monitoramento, não estabelece a autoria do boato.
“Eu sempre respeitei todas as religiões. Todos sabem que sou cristão, que sou evangélico, mas que respeito todas as religiões”, acrescentou Flávio.
O vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, também se pronunciou. Ele afirmou ter recebido mensagens de católicos preocupados com as notícias em circulação e disse que o governo preservará as tradições religiosas.
“Preciso esclarecer que, enquanto o presidente Lula e eu estivermos governando este país, as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão protegidas e preservadas”, afirmou Alckmin.
A disputa pelo eleitorado religioso aparece nos resultados do Datafolha divulgados na quinta-feira (24). Entre os católicos, Lula registrou 45% das intenções de voto, contra 33% de Flávio. Entre os evangélicos, o senador alcançou 47%, enquanto o presidente teve 27%. Os indecisos somaram 2% em cada segmento.
Nesta semana, bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgaram um vídeo em defesa da democracia, do voto consciente e do combate à manipulação religiosa. “As igrejas não são currais eleitorais”, afirmaram os religiosos.
Fonte: Brasil 247
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