segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Vídeo resgata defesa inflamada de Flávio Bolsonaro a Willer Tomaz, alvo da PF no caso INSS

 Registro de sessão da CPI da Pandemia mostra Flávio Bolsonaro chamando o advogado de “meu amigo”. Willer Tomaz é investigado no caso das fraudes no INSS

         Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro  -  Crédito: Reprodução / Redes sociaiS

Um registro audiovisual resgatado dos arquivos do Senado Federal mostra o momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu em defesa apaixonada do advogado Willer Tomaz durante uma sessão da CPI da Pandemia, em 2021, informa a newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn. Na ocasião, o parlamentar referiu-se categoricamente a Tomaz como “meu amigo” e protestou com veemência contra a tentativa da comissão de quebrar o sigilo fiscal do causídico, que recentemente tornou-se alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.


O resgate da cena ganha contornos de destaque após desdobramentos recentes envolvendo o nome de Willer Tomaz. Na última semana, a PF cumpriu mandados de busca contra o advogado sob a suspeita de envolvimento em repasses financeiros nebulosos ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). Investigações apontam que empresas ligadas a Tomaz transferiram cerca de R$ 11 milhões para Samya Rocha, esposa do parlamentar maranhense. Além disso, a Polícia Federal apura indícios de que o imóvel habitado por Weverton no Lago Sul, em Brasília, teria sido adquirido por Tomaz, que também custearia despesas da propriedade, levantando hipóteses de ocultação e dissimulação de patrimônio.

A proximidade entre o advogado e a cúpula do poder em Brasília ficou ainda mais evidente com a revelação, feita pela revista Piauí, de uma imagem apreendida pela PF no celular de Weverton Rocha. A fotografia, datada de 23 de abril de 2023, mostra Willer Tomaz no centro de uma piscina em seu suntuoso rancho nos arredores da capital federal — apelidado de “Palácio de Planaltina” —, cercado por figuras políticas de peso, como Arthur Lira, Alexandre Ramagem, Juscelino Filho, Elmar Nascimento, Paulo Azi e o próprio Weverton.

O embate no Senado, resgatado no vídeo de mais de oito horas de duração, ocorreu no auge das apurações sobre a compra da vacina Covaxin pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). A negociação era intermediada pela empresa Precisa Medicamentos, do empresário Francisco Maximiano. Durante o depoimento do ex-deputado Luis Miranda, o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), questionou o depoente sobre a sua relação com diversos nomes que orbitavam a investigação, incluindo Frederick Wassef, Francisco Maximiano e o próprio Willer Tomaz.

Conectado remotamente, Flávio Bolsonaro pediu a palavra logo em seguida. Após negar qualquer vínculo “escura” ou interesse pessoal no caso da Covaxin — rebatendo reportagens da imprensa —, o filho do ex-presidente investiu contra Renan Calheiros, acusando o relator de tentar insinuar irregularidades ao citar pessoas de seu convívio. Foi nesse instante que Flávio explicitou a relação íntima com o advogado ao declarar: “O meu advogado e amigo Frederick Wassef, como o meu amigo advogado, Willer Tomaz”.

A tensão se intensificou quando Flávio Bolsonaro questionou o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM), sobre os critérios para as quebras de sigilo. Ao ser informado de que a medida atendia a conexões com suspeitas de vantagens indevidas, Flávio revelou o real motivo de sua indignação: o Requerimento nº 1.069/2021, apresentado por Renan Calheiros, que solicitava à Receita Federal os dados cadastrais, societários e de relacionamentos de Tomaz.

Flávio acusou Renan de promover uma fishing expedition — prática jurídica de investigação exploratória sem objeto delimitado — e disparou acusações no plenário. “O senador Renan Calheiros, acredito eu, sozinho, porque parece que ele é que manda na CPI, quebrou o sigilo fiscal do sr. Willer Tomaz, que nunca foi ouvido aí”, reclamou o senador, subindo o tom ao afirmar que “isso é um absurdo, isso é um crime”. Ele chegou a desacreditar a condução dos trabalhos por Aziz, sugerindo que a comissão parecia ter “um dono”.

Diante da pressão e das intervenções do então líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho — que assegurou no plenário que “correções serão feitas” —, o pedido de quebra de sigilo contra o advogado acabou sendo anulado. Registros oficiais do Senado mostram que a solicitação sobre Tomaz no Requerimento 1.069/2021 foi anotada como “tornada sem efeito por erro material”, retirando-o do foco principal das diligências da comissão na época.

Paralelamente, desdobramentos recentes na CPMI do INSS indicavam que a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa presidencial como vice de Flávio Bolsonaro esteve cercada de bastidores políticos. Integrantes e documentos da comissão sugerem que a atuação de Gaspar foi valorizada por ter blindado linhas de investigação que poderiam atingir pessoas do círculo de relações de Flávio, incluindo Tomaz.

Em manifestações oficiais prestadas à imprensa, Willer Tomaz negou veementemente qualquer irregularidade e reiterou que não figura como investigado no procedimento da Polícia Federal relativo à Operação Sem Desconto. Sobre as transferências de R$ 11 milhões para a esposa do senador Weverton Rocha, a defesa sustentou que Samya Rocha atua há anos como advogada associada ao seu escritório e que os repasses são decorrentes de honorários por serviços prestados, devidamente declarados e documentados.

A respeito dos imóveis, Tomaz argumentou ser dono de uma empresa imobiliária em Brasília que atua na compra, venda e administração de bens, sem qualquer ilicitude nas transações. O advogado alegou ainda que a cessão de aeronaves a Weverton ocorreu em caráter “estritamente pessoal e amistoso”. Sobre a imagem vazada da piscina, o causídico repudiou a exposição de sua vida privada em um evento particular de 2023, classificando o vazamento do aparelho do senador como ilegal e desvinculado de sua atuação profissional.

Por sua vez, o senador Weverton Rocha afirmou que a divulgação da fotografia não possui relação com as apurações da Operação Sem Desconto e atribuiu as ações da PF a um “viés político-eleitoral”. O parlamentar informou que recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para exigir a apuração do vazamento de registros pessoais contidos em seu telefone celular.

Fonte: Brasil 247


Nenhum comentário:

Postar um comentário