domingo, 9 de agosto de 2026

Braga Netto deverá depor em caso de desvio de armas do Exército

 Oitiva prevista para novembro depende de autorização do ministro do STF Alexandre de Moraes

        General Braga Netto  - Crédito: Fernando Frazão / Agência Brasil

O general Walter Souza Braga Netto foi indicado como testemunha pela defesa de um tenente-coronel acusado de se apropriar de armas que estavam sob responsabilidade do Exército no Rio de Janeiro. O depoimento está marcado para 10 de novembro e deverá ocorrer por videoconferência.

Segundo a coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles, o nome de Braga Netto foi apresentado pela defesa do tenente-coronel Alexandre de Almeida. O oficial chefiava o setor responsável pela fiscalização de armas e produtos controlados da 1ª Região Militar, que abrange Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Almeida é acusado pelo Ministério Público Militar (MPM) de se apropriar de armas entregues ao Exército para destruição ou retorno à cadeia de suprimentos da Força. Segundo a denúncia, parte dos armamentos havia pertencido a militares da reserva ou já mortos.

Os episódios investigados ocorreram entre 2016 e 2018, período em que Braga Netto comandava a 1ª Região Militar.


⦾ Defesa cita ordens de superiores

Ao contestar a acusação de participação nas ilegalidades, a defesa de Alexandre de Almeida sustenta que o tenente-coronel atuava “cumprindo as diretrizes dos escalões superiores e de ordens diretas de seus superiores hierárquicos”.

É nesse contexto que Braga Netto foi indicado como testemunha pela defesa do oficial.

A oitiva, embora já esteja prevista para 10 de novembro, ainda depende de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena de Braga Netto.

Ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e ex-candidato a vice-presidente na chapa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Braga Netto está preso no Rio de Janeiro, onde cumpre pena definitiva de 26 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

⦾ MPM aponta dados falsos no sistema do Exército

De acordo com a denúncia do Ministério Público Militar, informações falsas teriam sido inseridas no sistema interno do Exército para esconder a origem das armas desviadas.

Os armamentos, segundo a acusação, eram registrados em nome de Almeida ou de terceiros e, posteriormente, repassados a outras pessoas.

A investigação relaciona as supostas irregularidades justamente ao período entre 2016 e 2018, quando Braga Netto ocupava o comando da 1ª Região Militar.

A coluna do Metrópoles informou que não conseguiu localizar a defesa do tenente-coronel.

⦾ Armas teriam sido usadas para pagar reforma

A denúncia do MPM aponta ainda que parte das armas desviadas teria sido utilizada pelo tenente-coronel como pagamento por uma reforma em sua residência.

O serviço de marcenaria custou aproximadamente R$ 21,5 mil. Segundo o marceneiro citado na investigação, Almeida afirmou que não tinha dinheiro para pagar pelo trabalho e ofereceu armas como forma de pagamento.

Os armamentos foram entregues, conforme a investigação, com registros e documentos já emitidos em nome do profissional.

Outras pessoas também teriam recebido armas desviadas e passaram a responder a acusações relacionadas a crimes como receptação, posse ilegal de arma de fogo e uso de documento falso.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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