domingo, 28 de junho de 2026

Fila do INSS tem nova queda e chega ao menor nível desde outubro de 2024


          Prédio da Previdência Social. Foto: Divulgação

A fila de pedidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) caiu pelo quarto mês consecutivo e atingiu 1,9 milhão de requerimentos nesta quinta-feira (25), segundo antecipação feita pela presidente do órgão, Ana Cristina Silveira. O número é o menor desde outubro de 2024.

Em sua primeira entrevista desde que assumiu o comando do instituto, em abril, Silveira afirmou que a tendência é de redução gradual nos próximos meses e que o governo trabalha para criar mecanismos que tornem o processo mais estável e duradouro.

O cenário, segundo ela, ainda reflete oscilações acumuladas ao longo dos últimos anos, com variações no tempo de análise e no tamanho da fila que acompanharam diferentes momentos de gestão e decisões administrativas.

“A entrega que a gente quer fazer não é [só] do ano de 2026, é uma entrega estruturante. A gente vai melhorar sistemas e fluxos de trabalho para que a gente possa continuar, de forma permanente, analisando os benefícios, os requerimentos, dentro de um prazo razoável para que a pessoa possa suprir a sua necessidade”, disse Silveira.

Em junho, o estoque de pedidos represados caiu 267 mil, ritmo inferior ao registrado em maio, quando a redução havia sido de 366 mil. A presidente do INSS projeta uma desaceleração natural dessa queda, já que os casos mais simples de resolução já foram processados.

Ela também reafirmou a meta de zerar os pedidos fora do prazo legal até o fim de setembro, compromisso alinhado ao governo federal. Atualmente, esse grupo soma 616 mil solicitações dentro de um universo total de 1,9 milhão. O restante está dentro do prazo de análise de até 45 dias ou depende de complementação de informações dos segurados.

“A gente está ajustando o fluxo, melhorando o sistema, trazendo os órgãos para trabalhar junto, Ministério da Previdência, Dataprev [estatal de tecnologia que cuida dos sistemas da Previdência], INSS. Essa diminuição [da fila] vai acontecer paulatinamente”, afirmou.

Entre os principais desafios apontados pela gestão está a instabilidade dos sistemas internos do INSS, que afeta a produtividade e interrompe o andamento das análises de benefícios em diferentes períodos.

Dados citados anteriormente pela Folha indicam que os sistemas do órgão ficaram fora do ar por 1.466 horas entre agosto de 2023 e dezembro de 2024, o equivalente a mais de dois meses de interrupções acumuladas.

A Dataprev, responsável pela infraestrutura tecnológica, afirmou em nota que a soma dos períodos não reflete o funcionamento geral, “uma vez que as ocorrências são pontuais, em serviços específicos e de curta duração média”.

Ainda assim, a própria estatal reconhece indicadores abaixo do ideal em anos recentes. Segundo a empresa, os sistemas operaram com “disponibilidade superior a 96%” em 2024 e 2025, enquanto os acordos de serviço exigem mínimo de 98%.

A presidente do INSS Ana Cristina Silveira. Foto: Divulgação

Em 2026, no entanto, não houve descumprimento formal desses parâmetros, segundo a Dataprev, que afirmou que “não houve registro de descumprimento dos acordos de nível de serviço”. Silveira afirmou que a estabilidade tecnológica passou a ser prioridade da nova gestão e disse que houve melhora recente no funcionamento das plataformas.

“O principal [ponto] que a gente está trabalhando é a estabilidade do sistema. No último mês, não teve queda de sistema, e isso se dá [devido a] esse trabalho conjunto. Toda semana a gente senta com a Dataprev, avalia o que foi feito, o que vai ser feito, prioriza o que é necessário”, disse.

Segundo ela, parte das instabilidades ocorre durante atualizações técnicas. “Muitas vezes o sistema sai do ar ou tem algum problema porque há [implementação de] melhorias. O que está nos diferenciando? A gente está escolhendo horários de menor fluxo, alinhando nossa prioridade, [discutindo] os riscos dessa melhoria. Venho conversando com o presidente da Dataprev: não adianta melhorar o sistema e ele ficar instável. Então, a gente está sempre prezando pela estabilidade”, acrescentou.

Outro ponto de reorganização interna envolve a distribuição de servidores. O INSS remanejou cerca de 10% da equipe da área de reabilitação profissional para acelerar a análise de novos pedidos e reduziu o ritmo de revisões do Benefício de Prestação Continuada (BPC), suspendendo novas convocações para perícias de revisão.

“Diminuímos um pouco o ritmo para que a gente pudesse dar vazão aos requerimentos iniciais, mas sem deixar de fazer a revisão. A gente só precisou equalizar”, afirmou a presidente.

Ela destacou ainda que o setor responsável pelas avaliações sociais é um dos menores dentro da estrutura do instituto, o que limita a capacidade de expansão imediata desse tipo de análise.

A recomposição do quadro de servidores é vista como essencial pela gestão. Segundo Silveira, o INSS contava com 33,8 mil servidores ativos no início de 2018, número que caiu para 17,8 mil no começo de 2026.

A presidente estima necessidade de reposição de cerca de 10 mil servidores, mas reconhece que o cenário fiscal e administrativo dificulta essa expansão. O órgão solicitou a contratação emergencial de 2.000 novos concursados para 2027, além dos 300 já nomeados neste ano, dependendo de aval do Ministério da Gestão e Inovação.

Segundo Silveira, caso as contratações avancem, haverá prioridade para o atendimento presencial nas agências. “Ter servidores em trabalho remoto não é negativo, porque eles otimizam a análise. Mas está em estudo como a gente [pode] trazer mais servidores para as agências. A gente ainda não tem nada concreto, mas com certeza está no nosso radar”, afirmou ela, ressaltando que não será “uma decisão de cima para baixo”.

Ela também rejeitou críticas de que a redução da fila estaria sendo acompanhada de aumento de indeferimentos. Segundo a presidente, os números de concessão seguem elevados, com recorde de 890 mil novos benefícios em março e mais de 700 mil análises mensais em abril e maio.

“A gente está analisando mais, mais rápido, mas estamos concedendo mais. Então não procede a informação de que a gente está analisando mais rápido e indeferindo. Está sendo proporcional”, afirmou. Com informações da Folha.

Fonte: DCM

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