sexta-feira, 28 de novembro de 2025

"Nikolas recebeu apoio e recursos da máfia do combustível", denuncia Rogério Correia

Rogério Correia apresentou ações na PGR contra Nikolas Ferreira e detalha suspeitas sobre financiamento de campanha

        O deputado federal Rogério Correia - 06/10/2025 (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o também deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) teria recebido apoio político e recursos de grupos ligados à chamada “máfia do combustível” em Minas Gerais. Em entrevista ao Boa Noite 247, ele relatou que já move três ações contra o parlamentar na Procuradoria-Geral da República (PGR), duas delas em segredo de justiça, e advertiu que “esse Nikolas tem feito muita coisa errada” e precisa ser permanentemente fiscalizado.

Ao longo da entrevista, Correia descreveu suspeitas de lavagem de dinheiro, questionou a atuação da Câmara dos Deputados diante de parlamentares condenados que continuam com mandato e voto ativo, e analisou a crise política em torno do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do bloco do Centrão.

◉ Ações contra Nikolas Ferreira e ligação com máfia do combustível

Logo no início, o deputado contou que já são três procedimentos contra Nikolas Ferreira em tramitação na PGR, sendo dois unificados e sob sigilo. Ele lembrou o episódio em que o colega gravou um vídeo alarmista sobre o Pix, alegando falsamente que o sistema seria taxado, o que, segundo Correia, atrapalhou mecanismos de controle contra lavagem de dinheiro.

Segundo ele, a desinformação não foi um episódio isolado, mas dialogaria com interesses de grupos criminosos:

“Eu tô com três processos contra o Nícolas… e já estão dois em segredo de justiça que são relativos àquela questão do Pix, que ele agiu boicotando o sistema de triagem, inclusive contra lavagem de dinheiro.”

Rogério afirmou ter vinculado essa atuação a operações do Primeiro Comando da Capital (PCC) e à atuação de redes criminosas em Minas Gerais. Ao aprofundar a apuração, diz ter encontrado indícios de que postos de gasolina ligados à “máfia do combustível” teriam financiado a campanha de Nikolas:

“Depois de toda aquela relação com o PCC, fui resgatar o que ele tinha de postos de gasolina que apoiaram a campanha, de pessoas ligadas à máfia do combustível, recurso para campanha. Esses dois processos estão unificados e estão em segredo de justiça na PGR.”

Ele relatou que a Procuradoria está analisando as denúncias e reiterou a necessidade de acompanhamento permanente da conduta do parlamentar mineiro.

◉ Suspeitas de articulação de fuga e ligação com Donald Trump

Rogério Correia também explicou que, além das ações já em curso, apresentou nova representação à PGR, desta vez em conjunto com o deputado Reimont, para investigar o episódio em que Nikolas teria levado um celular a uma reunião com Jair Bolsonaro, no mesmo dia em que o ex-presidente tentou fugir usando tornozeleira eletrônica.

O deputado associou isso à declaração do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que afirmou ter falado com Bolsonaro por telefone, reforçando a necessidade de quebra de sigilo telefônico:

“É uma suspeita muito grande de que essa história mal contada do Trump que fala o seguinte: ‘Eu falei com esse senhor ontem à noite, espero revê-lo em breve’. Se quebrar o sigilo, nós vamos saber se essa suspeita procede.”

Correia mencionou ainda relatos sobre uma possível rota de fuga envolvendo uma fazenda ligada à família Piquet, nas proximidades de Unaí (MG), com pista de pouso que poderia ser usada em eventual tentativa de fuga aérea rumo à embaixada dos Estados Unidos:

“Diz que tem um aeroporto lá perto… que poderia estar também acionado, tem um pouso em que ele poderia dali tentar algum tipo de fuga de um helicóptero para a embaixada norte-americana.”

◉ Cobrança por cassação de Ramagem e crítica à inércia da Câmara

A entrevista avançou para o tema da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou o cumprimento da pena do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e comunicou ao presidente da Câmara sobre a perda de mandato. Rogério Correia foi enfático ao afirmar que a Constituição não deixa margem para outra medida:

“Olha, não tem outra decisão a não ser realmente decretar o fim do mandato deles.”

Ele lembrou que, nos casos de condenação criminal com trânsito em julgado ou perda de direitos políticos, a perda de mandato é consequência direta da decisão judicial, e que a Câmara teria apenas de cumprir o que está na Constituição, sem espaço para manobras políticas.

O deputado criticou a demora para tratar da situação de Carla Zambelli, já condenada, e apontou que o mesmo rigor deve se aplicar a Ramagem. Ele também chamou atenção para o fato de que parlamentares foragidos seguiram votando do exterior, o que considera inaceitável:

“Nós temos uma situação curiosa em que existe uma deputada foragida com condenação criminal transitada em julgada… e agora com Ramagem, essa moda não pode pegar.”

Segundo ele, a Casa precisa criar mecanismos de controle para impedir que deputados com restrição judicial de saída do país continuem votando do exterior, como ocorreu em casos recentes:

“Se ele tá proibido de sair do Brasil, como é que ele tá votando do exterior? A Câmara teria que ter algum controle disso.”

◉ Crise política com Hugo Motta e solidariedade a Lindbergh Farias

Questionado sobre o rompimento anunciado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, com o líder do PT, Lindbergh Farias, Rogério Correia afirmou que a crise é política e não pessoal, e prestou solidariedade ao colega de partido.

Ele destacou que o presidente da Câmara não pode escolher com quais líderes de bancadas decide dialogar:

“Primeiro é prestar minha solidariedade ao Lindbergh, porque não pode o presidente da Casa dizer com qual líder ele conversa, não conversa, aceita ou não aceita o papel que está sendo exercido. Isso é um problema interno da bancada do Partido dos Trabalhadores.”

Correia explicou que as críticas feitas pela bancada do PT dizem respeito a decisões políticas de Hugo Motta, como a nomeação do deputado Derrite para a relatoria de projeto de lei do governo Lula sobre facções criminosas e a condução do caso Ramagem. Ao mesmo tempo, ele eximiu o presidente da Câmara de conivência com a fuga do parlamentar:

“Eu eximo de responsabilidade o presidente Hugo Motta… O Ramagem teve uma atitude de foragir enganando a todos.”

Para o petista, o conflito central não é pessoal, mas decorre da posição do Centrão, que estaria oscilando entre compor com a extrema direita ou com o governo, mirando as eleições de 2026.

◉ O dilema do Centrão entre Lula e a extrema direita

Rogério Correia descreveu o cenário de disputa pela liderança política nas próximas eleições presidenciais. Segundo ele, parte expressiva do Centrão estaria inclinada a se alinhar com a extrema direita em torno do governador Tarcísio de Freitas, numa estratégia em que esses partidos se enxergam como protagonistas da futura coalizão de poder.

“O Centrão fez uma opção inicial… de tentar uma composição com a extrema direita em nome do Tarcísio, que eles acham que terão sobre ele algum controle.”

No entanto, ele ponderou que o fortalecimento de Lula nas pesquisas e a resistência do bolsonarismo em “passar a bola” ao Centrão criam fissuras no bloco, inclusive por regiões, especialmente no Nordeste, onde a rejeição ao antipetismo é maior.

Correia destacou que, embora a direita e a extrema direita somem votos na Câmara, a variável decisiva será a reação da sociedade em ano eleitoral:

“A equação não é só quantos votos se tem no Congresso, mas como vai se comportar a população diante disso em véspera de eleição.”

◉ Governo Lula, agenda econômica e derrota da “PEC da bandidagem”

Na avaliação do deputado, apesar das derrotas pontuais no Congresso, o governo Lula teria saído mais forte junto à opinião pública em embates recentes, especialmente no episódio da chamada “PEC da bandidagem” e do Projeto de Lei da anistia a golpistas:

“Aquele projeto que eles chamavam de dosimetria e que a gente chamou da PEC da bandidagem… foi uma derrota histórica para eles nas ruas.”

Ele ressaltou que o desgaste social foi tão grande que a anistia não avançou e o projeto de “dosimetria” acabou barrado no Senado. Em paralelo, Correia citou entregas do governo Lula em políticas sociais, obras de infraestrutura e medidas econômicas, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, além da inflação em queda:

“Os programas sociais chegam agora numa dimensão maior… a inflação baixou… o presidente Lula vai entregar o Brasil com a inflação mais baixa que se tem na história desde o Plano Real.”

◉ Corte de renúncias fiscais e reforço do orçamento social

Como presidente da Comissão de Finanças e Tributação (CFT), Rogério Correia informou que conseguiu aprovar um projeto que prevê corte linear de 10% nas renúncias fiscais — benefícios tributários e incentivos — que hoje somariam quase R$ 800 bilhões ao ano.

De acordo com ele, a proposta pode abrir espaço fiscal de cerca de R$ 20 bilhões para o orçamento da União, a serem destinados a políticas sociais em 2026:

“É fundamental ser votado agora, porque significa mais 20 bilhões para os cofres da União para o orçamento em questões sociais pro ano que vem.”

Para o deputado, é nesse tipo de agenda que deveria se construir um pacto mínimo na Câmara até o fim do ano, priorizando matérias consensuais que “ajudem o Brasil”, enquanto a anistia a golpistas não teria “o menor clima” para ser votada.

◉ Banco Central, juros altos e convocação de Galípolo

Na reta final da entrevista, o tema mudou para a política monetária. O comentarista lembrou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição mira o centro da meta de inflação de 3%, e não apenas o teto da banda, num contexto em que o Brasil já opera com uma das maiores taxas de juros reais do mundo.

Rogério Correia considerou a situação “profundamente preocupante” e relatou que se reuniu com Galípolo para discutir o tema, defendendo que o Congresso entre no debate:

“Eu estive com o presidente do Banco Central Galípolo ontem para discutir vários temas. Um foi desse.”

O deputado disse que convidou o presidente do BC para comparecer à Comissão de Finanças e Tributação, provavelmente no dia 17, após a reunião do Copom, a fim de prestar esclarecimentos sobre os juros e a meta de inflação:

“No dia 17 ele está convidado, vamos ver se a gente enfrenta esse assunto aqui… esse debate tem que ser feito.”

Ele alertou que, mantido o arrocho monetário, o país pode enfrentar problemas de crescimento e, na sequência, de emprego, anulando parte dos avanços obtidos nos indicadores econômicos.

◉ Segurança pública, barragens e risco ambiental em Paracatu

O programa também registrou perguntas de internautas sobre temas diversos, como operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro e o risco de rompimento de barragens de mineração em Minas Gerais.

Um espectador que atuou como juiz substituto em Paracatu (MG) alertou para o perigo envolvendo a barragem de rejeitos da mineradora de ouro na região. Rogério Correia, que preside a comissão externa das barragens na Câmara, confirmou a preocupação e lembrou que o colegiado acompanha de perto empreendimentos com risco elevado:

“São mais ou menos 42 barragens que têm risco de rompimento. Essa [em Paracatu] tem que estar sempre sob vigilância.”

Ele explicou que a barragem — que utiliza mercúrio na mineração de ouro — é monitorada e que, em caso de colapso, haveria impacto direto sobre o rio São Francisco, com consequências ambientais devastadoras.

O deputado destacou ainda que a comissão acompanhou todo o processo de repactuação do crime da Vale em Mariana, retomado recentemente após anos de paralisação durante o governo Jair Bolsonaro:

“Essa comissão é muito importante… acompanhamos, por exemplo, todo o processo de repactuação do crime da Vale em Mariana… Aliás, o governo Bolsonaro parou tudo, né?”

Ao encerrar, Rogério Correia reforçou a necessidade de vigilância institucional sobre crimes ambientais, financiamento de campanhas por redes criminosas e o cumprimento rigoroso das decisões judiciais envolvendo parlamentares condenados, apontando que a credibilidade das instituições depende justamente da resposta a esses casos. Assista:

 

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário