sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Cinco PMs são presos por crimes durante massacre no RJ


      Policiais civis e militares do Rio de Janeiro durante massacre. Foto: Antônio Lacerda/EFE

A Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro prendeu cinco PMs do Batalhão de Choque nesta sexta (28), suspeitos de crimes cometidos durante massacre na megaoperação Contenção, que completou um mês e deixou 122 mortos nos complexos da Penha e do Alemão. A investigação aponta indícios de irregularidades registrados por câmeras corporais, incluindo o suposto furto de um fuzil apreendido após um confronto.

Três dos cinco presos foram identificados como o sargento Eduardo de Oliveira Coutinho, o subtenente Marcelo Luiz do Amaral e o sargento Diogo da Silva Souza. Outros cinco policiais são alvo de mandados de busca e apreensão, sob investigação da 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar.

A PM afirmou em nota que “não compactua com possíveis desvios de conduta” e que pune com rigor quando as irregularidades são comprovadas.

A decisão judicial relata que os policiais recolheram um fuzil após o tiroteio, mas não registraram a apreensão. Imagens mostram diálogos em que os agentes discutem desmontar a arma, colocá-la em mochilas e transportá-la para outro local.

Corpos em sacos no pátio do IML após megaoperação da polícia no Rio. Foto: Janaina Quinet/Reuters
Em um dos trechos, Coutinho diz: “Eu vou tirar e colocar na minha mochila de novo, está separado”, e mais adiante: “Vou colocar lá atrás do banco”. Outro policial sugere ir “para um lugar deserto, colocar na caçamba”.

O juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venancio Braga afirma que as gravações não esclarecem o destino do fuzil e classificou a conduta como “gravíssima violação” aos deveres funcionais, com risco concreto à ordem pública militar.

Segundo o relatório da operação, o Batalhão de Choque fez 27 prisões e registrou uma morte por intervenção policial, além de apreender 22 fuzis e outras armas — nenhum dos investigados aparece como responsável pelos 22 fuzis oficialmente recolhidos.

Ao todo, 210 policiais do Choque participaram da operação, atuando principalmente nas ruas da Penha que dão acesso à Vila Cruzeiro. O relatório da megaoperação foi incluído pela Promotoria do Rio nos autos enviados ao STF no âmbito da ADPF 635, que acompanha ações policiais no estado.

Fonte: DCM

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