quinta-feira, 24 de setembro de 2026

EUA pedem que Cilia Flores, esposa de Maduro, continue presa por risco de fuga

 Promotoria contesta prisão domiciliar de Cilia Flores e afirma que recursos e conexões internacionais dificultariam controle judicial

Nicolás Maduro e Cilia Flores em Caracas, Venezuela - Crédito: REUTERS/Carlos Jasso

O governo dos Estados Unidos pediu à Justiça que mantenha Cilia Flores, esposa de Nicolás Maduro, na prisão enquanto ela aguarda julgamento em Nova York (EUA). Segundo a Agência EFE, procuradores federais sustentaram que a concessão de liberdade sob fiança criaria um risco “extremo” de fuga e que as medidas propostas pela defesa não garantiriam sua presença perante o tribunal.

Em memorando apresentado ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, a promotoria solicitou que o juiz rejeite o pedido para transferir Flores a uma residência particular. 

Os procuradores citaram os recursos financeiros, as conexões internacionais e as acusações que pesam contra ela para fundamentar a oposição à mudança no regime de custódia.

A defesa de Flores, de 69 anos, pediu no início de setembro que ela deixe o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn e aguarde o julgamento em prisão domiciliar. Os advogados propuseram vigilância armada durante 24 horas, monitoramento por GPS, restrição de visitas e controle das ligações telefônicas.


Os defensores baseiam o pedido em problemas cardíacos apresentados por Flores. Segundo eles, a venezuelana precisa de acompanhamento médico e pode passar por um cateterismo cardíaco, procedimento que pode exigir cuidados posteriores fora da estrutura do centro de detenção.

A defesa afirma que Flores convive com prolapso da válvula mitral e apresentou episódios de pressão no peito e falta de ar durante o período em que permanece sob custódia. Seus advogados também relataram perda de peso desde janeiro. 

A equipe jurídica reconheceu nos autos que profissionais de saúde prestaram atendimento à ré, mas argumentou que a prisão não oferece as condições que considera necessárias para uma eventual recuperação após procedimentos cardíacos.

A promotoria contesta a avaliação da defesa sobre os riscos de manter Flores presa. Além da possibilidade de fuga, os procuradores alegam que pessoas ligadas a ela ainda poderiam pressionar ou intimidar testemunhas na Venezuela e em outros países por meio de redes estatais e grupos organizados. A acusação apresentou esse argumento como mais um motivo para manter a atual custódia.

Os procuradores também destacaram que Flores não possui vínculos migratórios com os EUA e afirmaram que ela dispõe de recursos financeiros capazes de facilitar uma tentativa de deixar o país. A defesa, por sua vez, ofereceu medidas de controle para limitar seus deslocamentos e contatos durante o processo.

Flores e Maduro permanecem presos nos EUA desde 3 de janeiro de 2026, quando forças estadunidenses os detiveram em Caracas e os levaram para Nova York. Os dois se declararam inocentes das acusações apresentadas pela Justiça norte-americana.

O processo inclui acusações de conspiração para importar cocaína aos EUA e crimes relacionados à posse de metralhadoras e artefatos destrutivos. A promotoria afirma que o caso envolve uma estrutura de narcotráfico que teria operado durante mais de duas décadas. Essas alegações integram a acusação e ainda dependem de julgamento.

O juiz federal Alvin Hellerstein marcou para 8 de outubro a audiência que analisará o pedido de prisão domiciliar. O julgamento conjunto de Flores e Maduro está previsto para começar em 1º de junho de 2027, em Nova York.

Fonte: Brasil 247

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