sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Arruda desiste do GDF e elogia todos os candidatos, exceto Celina

 Após TSE barrar sua candidatura por 5 votos a 2, ex-governador anuncia que não recorrerá, pede que eleitores não votem nele e cita nominalmente quatro adversários, deixando de fora a atual governadora

José Roberto Arruda teve o registro de candidatura ao governo do Distrito Federal rejeitado pelo TSE por 5 votos a 2 - Crédito: Roberto Rodrigues

 O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) anunciou nesta quinta-feira (24) que não recorrerá da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que manteve o indeferimento de sua candidatura ao Governo do Distrito Federal. Ao comunicar a desistência, Arruda fez elogios públicos a quatro dos candidatos que disputam o Palácio do Buriti, mas deixou de fora justamente a governadora Celina Leão (PP).

Arruda citou Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Leandro Grass (PT). Embora tenha ressaltado diferenças políticas e ideológicas, disse reconhecer nos quatro uma convivência civilizada e projetos para o futuro de Brasília. Não anunciou, porém, apoio a nenhum deles.

Celina, que era a principal adversária de Arruda na disputa, não foi mencionada entre os elogios. Após a decisão do TSE, a governadora afirmou que pretende disputar o eleitorado do ex-governador, que classificou como predominantemente de centro-direita.


● “Não votem mais em mim”

Arruda afirmou que, após consultar seus advogados, concluiu que não havia recurso viável capaz de reverter sua situação e que prolongar a disputa judicial poderia prejudicar o processo eleitoral no Distrito Federal.

O ex-governador também fez um apelo para que seus eleitores não insistam em votar nele caso sua fotografia ainda apareça nas urnas eletrônicas, uma vez que seus votos não serão considerados válidos. Disse ainda que respeita a decisão do Judiciário, embora mantenha a convicção de que havia registrado sua candidatura de acordo com a legislação.

O TSE determinou a comunicação imediata ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) para encerrar a condição sub judice de Arruda. Com isso, ele deve interromper a campanha e não poderá mais utilizar recursos dos fundos eleitoral e partidário, participar de debates ou manter propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

● TSE decidiu por 5 votos a 2

Por 5 votos a 2, o TSE confirmou a decisão do TRE-DF que havia negado o registro da candidatura de Arruda. O caso envolve condenações por atos dolosos de improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.

A discussão jurídica envolveu a aplicação da Lei Complementar 219/2025, que modificou regras da Lei da Ficha Limpa e estabeleceu novos parâmetros para a contagem dos períodos de inelegibilidade. A defesa sustentava que as alterações tornavam Arruda elegível porque parte das condenações teria origem em fatos conexos.

O entendimento majoritário, entretanto, foi de que permanecia uma causa de inelegibilidade suficiente para impedir o registro. Segundo o TSE, Arruda acumula sete condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa, envolvendo dano ao erário e enriquecimento ilícito.

● Disputa pelos votos de Arruda

A saída definitiva do ex-governador acrescenta uma nova variável à reta final da eleição no Distrito Federal. Arruda não indicou para onde gostaria que seus votos migrassem e recomendou que seus apoiadores escolham, de acordo com suas próprias convicções, quem consideram mais preparado para governar Brasília.

Ao elogiar nominalmente Caputo, Cappelli, Belmonte e Grass, entretanto, Arruda fez uma distinção política clara em relação a Celina Leão, a única das principais candidaturas que não recebeu sua manifestação positiva.

Celina, por sua vez, já deixou claro que pretende conquistar esse eleitorado. “Esse voto, a gente vai atrás, com certeza”, declarou a governadora após a decisão do TSE.

Fonte: Brasil 247

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