terça-feira, 11 de agosto de 2026

Moraes determina busca e apreensão contra ex-secretário do Maranhão

 Raimundo Cutrim é apontado como fonte de jornalista investigado após reportagens envolvendo o ministro do STF Flávio Dino

Ministro Alexandre de Moraes  -  Crédito: Victor Piemonte/STF

O ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (11), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Cutrim é apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens que denunciaram suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro do STF Flávio Dino e seus familiares no Maranhão.

Segundo o Metrópoles, a realização da operação foi conformada pela defesa do ex-secretário e com o STF. A investigação tramita sob sigilo. As diligências desta terça-feira foram solicitadas pela Polícia Federal (PF) e receberam o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A nova operação ocorre meses depois de Moraes autorizar uma busca e apreensão na residência de Luís Pablo, em São Luís. A medida contra o jornalista foi realizada em março.

Segundo a Polícia Federal, Luís Pablo passou, em novembro de 2025, a divulgar conteúdos com fotografias e informações sobre o veículo funcional utilizado por Dino. O jornalista também publicou que o automóvel, oficialmente pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), estaria sendo utilizado por familiares do ministro.

Flávio Dino nega que tenha ocorrido uso irregular dos veículos.


⦿ Defesa de Cutrim invoca sigilo constitucional da fonte

A defesa de Raimundo Cutrim afirmou à reportagem que ainda não havia tido acesso à íntegra dos autos relacionados às medidas de busca e apreensão.

O advogado José Berilo de Freitas Leite manifestou preocupação com a exposição de uma pessoa apontada como fonte de jornalista e destacou a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

“A defesa registra sua preocupação técnica quanto à exposição de alguém na condição de fonte jornalística, garantia diretamente vinculada ao sigilo da fonte assegurado pelo art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, e ao pleno exercício da liberdade de imprensa, valores que devem ser preservados independentemente do desfecho das apurações em curso”, afirmou.

⦿ Jornalista também foi alvo de busca

A operação contra Cutrim acrescenta um novo capítulo à investigação que já havia alcançado Luís Pablo.

Em março, Moraes autorizou um mandado de busca e apreensão na residência do jornalista, em São Luís. Na ocasião, associações de imprensa manifestaram preocupação com a investigação do profissional, acusado de perseguir Flávio Dino.

De acordo com a PF, Luís Pablo também foi investigado em 2017 por suposta prática de extorsão para não divulgar informações relacionadas a operações policiais.

A defesa do jornalista não havia sido localizada pelo Metrópoles até a publicação da reportagem.

⦿ Flávio Dino nega uso irregular de veículos oficiais

Em nota, a assessoria de Flávio Dino rejeitou a acusação de utilização irregular de carros oficiais e afirmou que um veículo blindado foi cedido a pedido da Secretaria de Segurança do STF.

“A assessoria do ministro Flávio Dino, em face da repetição de inverdades, informa que jamais houve uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão. Um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, no âmbito de acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país”, diz a manifestação.

A assessoria argumentou ainda que não pode fornecer detalhes relacionados à segurança do ministro e de seus familiares.

“A assessoria não pode transmitir detalhes de segurança do ministro e de sua família, inclusive porque ele é alvo constante de agressões e ameaças, como é público e notório. Nesse sentido, investigações recentes demonstraram que até mesmo os veículos particulares do ministro e sua família eram ‘monitorados’ e seguidos”, acrescentou.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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