Instituto Locomotiva aponta apoio à divisão das tarefas e alerta para a sobrecarga feminina
Pai e filho - Crédito: Jon Nazca/Reuters
A ausência da figura paterna marcou a infância e a adolescência de metade dos brasileiros das classes D e E, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. Ao mesmo tempo, o levantamento identifica uma mudança significativa na percepção sobre a paternidade: a maioria considera que pais e mães devem compartilhar o cuidado, o afeto e a formação emocional dos filhos.
Segundo o UOL, o estudo mostra que, mesmo entre brasileiros que cresceram sem a presença constante do pai, existe o reconhecimento de que a participação paterna deveria ir além do sustento financeiro e incluir diálogo, acolhimento e envolvimento cotidiano.
“Muitos brasileiros cresceram sem uma presença paterna constante ou com pais mais associados ao sustento do que ao cuidado cotidiano”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
“Hoje, essas mesmas pessoas reconhecem que ser pai também deve envolver escuta, afeto, diálogo e participação. Essa demanda deveria abrir espaço para vínculos mais próximos, que muitos não viveram na própria infância e adolescência”, acrescenta.
⦾ Maioria defende afeto e cuidado compartilhados
Os números mostram que a defesa de uma divisão mais equilibrada das responsabilidades alcança diferentes dimensões da criação dos filhos.
Para 88% dos entrevistados, demonstrar carinho e afeto deveria ser responsabilidade tanto do pai quanto da mãe. Outros 87% consideram que ambos deveriam ter momentos de lazer e diversão com os filhos e saber quem são os amigos das crianças e dos adolescentes.
A formação emocional também aparece como atribuição conjunta. Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados afirmam que conversar sobre sentimentos deveria ser responsabilidade dos dois, enquanto 84% defendem que pai e mãe participem de diálogos difíceis.
“Quando perguntamos aos brasileiros de quem são determinadas responsabilidades em relação aos filhos percentuais elevados dizem que deveria ser dos dois”, diz o diretor do instituto.
“Grande maioria defende responsabilidades compartilhadas entre pai e mãe”, afirma Cunha.
A pesquisa indica, portanto, uma distância entre a experiência vivida por parte da população e o modelo familiar que os próprios brasileiros consideram adequado atualmente.
⦾ Internet, escola e consultas também entram na divisão
A defesa da responsabilidade compartilhada não se restringe ao afeto e ao diálogo.
Mais de 79% dos entrevistados consideram que pai e mãe deveriam dividir tarefas como acompanhar a internet e as redes sociais usadas pelos filhos, participar de eventos escolares, ajustar compromissos profissionais para acompanhá-los, ajudar nas tarefas e levá-los a consultas médicas.
O resultado reforça a percepção de que a paternidade, na avaliação da maioria dos entrevistados, deve envolver presença efetiva na rotina de crianças e adolescentes.
Mesmo entre aqueles que não tiveram a figura paterna presente, o levantamento identifica o entendimento de que essas obrigações deveriam ser compartilhadas.
⦾ Ausência paterna amplia sobrecarga das mulheres
A desigualdade na distribuição das tarefas também produz consequências diretas para as mães, segundo o Instituto Locomotiva.
Quando o pai deixa de assumir parte das responsabilidades relacionadas aos filhos, essas funções tendem a ser absorvidas pelas mulheres, ampliando a carga de trabalho dentro da família e afetando inclusive sua disponibilidade para atividades profissionais remuneradas.
“Quase sempre as tarefas não executadas pela figura paterna sobram para as mulheres, e as consequências disso são desde a exaustão até o tempo reduzido para a mulher exercer atividades remuneradas”, afirma o diretor do instituto.
“Vale destacar que isso não está sendo relatado pelos filhos, está sendo dito pelos filhos”, afirma o diretor.
⦾ Pesquisa aponta mudança na percepção da paternidade
Os dados indicam uma mudança entre o modelo de paternidade experimentado por parte dos brasileiros e aquele que a maioria considera desejável.
Embora muitos tenham crescido sem presença paterna constante ou em famílias nas quais o pai era associado principalmente ao papel de provedor, os entrevistados demonstram esperar uma participação mais ampla dos homens na criação dos filhos.
A expectativa inclui não apenas responsabilidades práticas, mas também escuta, carinho, diálogo e acompanhamento da formação emocional.
Como resume Meirelles, mesmo brasileiros que não tiveram esse tipo de vínculo durante a infância e a adolescência reconhecem hoje que a paternidade deve ser construída também por meio da presença e da participação cotidiana.
Fonte: Brasil 247 com informações do UOL
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