terça-feira, 11 de agosto de 2026

Grupo neonazista tinha plano para explodir Planalto e prédio durante debate

 

O Planalto Central no dia 8 de janeiro de 2023. Foto: reprodução
Um grupo extremista monitorado pelas autoridades planejava explodir o Palácio do Planalto e discutiu atacar o edifício que receberia um debate do segundo turno das eleições. A investigação identificou as conversas em grupos do Telegram usados para recrutamento, difusão de ideologia neonazista e incentivo à violência.

Os participantes do grupo restrito compartilhavam mapas de prédios dos Três Poderes, incluindo o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), além da planta baixa do Planalto. Eles discutiam formas de entrar e sair do palácio e tratavam a invasão e a explosão de prédios públicos como objetivo.

Uma das mensagens recuperadas mencionava a intenção de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”. Os investigadores também encontraram defesas de uma “revolução” e da “abolição do Estado”, com a intenção de usar um ataque em Brasília para difundir uma mensagem violenta e antidemocrática.

O maior dos grupos reunia mais de 600 integrantes. Administradores selecionavam participantes considerados mais alinhados ao perfil procurado e os convidavam para uma segunda comunidade, restrita a 46 pessoas; o acesso dependia de link ou da busca pelo nome exato do grupo.

Sala de acesso restrito usada pelo CyberLab em Brasília
Sala de acesso restrito usada pelo CyberLab em Brasília. Foto: Reprodução

Manuais de explosivos e mandados em cinco estados

No grupo menor, as conversas avançaram para instruções sobre fabricação de explosivos e coquetéis molotov. Os participantes também faziam cálculos sobre quantidades e custos de materiais; o Ministério da Justiça e Segurança Pública estimou que os recursos debatidos poderiam produzir mais de três granadas por integrante.

Os administradores procuravam identificar pessoas dispostas a participar de ações violentas e, segundo a apuração, buscavam inclusive integrantes dispostos a matar. Em uma conversa, um participante pediu indicações de outros grupos nazistas para ampliar o recrutamento.

O CyberLab, laboratório do Ministério da Justiça voltado à repressão de crimes cibernéticos, classificou os dois grupos como de alto grau de periculosidade. O órgão informou que, naquele ano, produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio, com conteúdos racistas, homofóbicos, misóginos e agressões contra mulheres.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Os investigados podem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista, além de incitação ao crime; computadores e celulares recolhidos seguem sob análise dos investigadores.

Fonte: DCM

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