sábado, 25 de julho de 2026

“Tarcísio é um político ingrato e traíra”, dispara Márcio França



Chapa encabeçada por Fernando Haddad lança candidatura em São Paulo com discurso forte de França contra o atual governador

Márcio França
Crédito: Reprodução/YouTube/PT

Durante a convenção partidária realizada neste sábado (25) para oficializar a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado de São Paulo, o ex-ministro e ex-governador Márcio França (PSB), candidato a vice-governador na chapa, proferiu um discurso contundente de crítica à postura ética e política do atual governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A composição do grupo político reúne Fernando Haddad como candidato ao governo, Márcio França como candidato a vice-governador e apresenta as candidatas Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) para a disputa das vagas ao Senado Federal.

Em sua fala de abertura, França enfatizou o papel e a força de liderança do presidente Lula (PT) na articulação das forças políticas no estado, ressaltando o valor do exemplo prático e da representatividade de gênero promovida na formação do grupo local.

“As palavras ajudam, mas o que arrasta é o exemplo. E estamos aqui arrastados pelo exemplo do presidente Lula, pela perseverança deste homem que com mais de 80 anos está tinindo. Ele arrasta pelos exemplos. Ele insiste, persiste. Ele nunca deixa que a gente desanime. E ele nos fez chegar até aqui hoje”, afirmou França, detalhando a estratégia de formação da chapa. “Foi a intuição do presidente que falou o seguinte: nos outros estados vamos fazer várias coligações diferentes. Mas São Paulo é um exemplo para todo o Brasil. Não adianta a gente ficar falando que existe metade de mulheres e metade de homens e na hora de ocupar os espaços ocupar tudo com homens. É preciso saber dividir estes espaços. E aqui em São Paulo o presidente Lula escolheu e temos duas mulheres e dois homens disputando as quatro vagas. Nosso adversário tem quatro homens disputando as quatro vagas. Por aí vocês já podem pegar o exemplo”, apontou.

⦾ Acusações de ingratidão, traição e trajetória política

Ao abordar a conduta moral do governador paulista, Márcio França expressou sua gratidão às lideranças nacionais que apoiaram sua trajetória e contrapôs essa postura ao histórico do adversário, acusando-o de deslealdade com os governos nos quais atuou em cargos de confiança.

“A palavra gratidão não prescreve. Serei sempre grato pelo presidente Lula e pelo presidente Alckmin pelas oportunidades que me deram. E acho uma característica muito forte do atual governador de São Paulo. Ele é um político ingrato. É ingrato com as coisas de todas as pessoas. O atual governador de São Paulo foi cargo de confiança do presidente Lula, da presidente Dilma, do Michel Temer e de Bolsonaro”, disparou o ex-governador.

França prosseguiu acusando Tarcísio de Freitas de atuar de forma dissimulada, sustentando que nem os aliados mais próximos de Jair Bolsonaro (PL) confiam em sua conduta. “Nem a família do Bolsonaro acredita no Tarcísio. Por que eu tenho que acreditar. Se eles acreditassem, eles tinham deixado o Tarcísio ser candidato [à Presidência]. Eles sabem que o Tarcísio é traíra. Tem cara de traíra, tem rabo de traíra, tem dente de traíra, é traíra! Está escondendo o Flávio Bolsonaro de todos os lugares, está mentindo para as pessoas, está fazendo um pouco para um lado e um pouco para o outro”, declarou.

O ex-ministro analisou ainda episódios recentes envolvendo menções às candidatas Simone Tebet e Marina Silva, interpretando as declarações do adversário como uma manobra interna direcionada a outros correligionários. “Quando ele falou recentemente da Marina e da Simone, não pensem vocês, Marina e Simone, que ele estava criticando vocês. Ele queria, na verdade, prejudicar o outro candidato ao Senado, que ele não quer mais o Derrite. Para prejudicar, ele quis levar as duas para dentro do assunto, porque ele quer preservar um candidato. A índole dele vai ser sempre assim”, avaliou.

⦾ Tamanho do cargo e relação com o interior do estado

A avaliação da estatura política necessária para administrar o estado de São Paulo foi outro ponto destacado por França, que criticou o distanciamento do atual chefe do Executivo paulista em relação à classe política local e aos representantes dos municípios.

“Ele é alguém menor do que a cadeira do governo de São Paulo. São Paulo teve muitos governadores, de diversas tendências diferentes, mas todos eles tinham tamanho para exercer a função de governador. O governador não pode ser pequeno. São Paulo é um grande estado, um dos mais importantes do mundo”, refletiu.

França reforçou as críticas destacando a rejeição do eleitorado do interior do estado a atos de deslealdade e apontou a falta de diálogo da atual gestão com prefeitos, vereadores e deputados. “A população do interior de São Paulo tem muitas coisas boas e não aceitam trairagem. Nenhuma pessoa do interior aceita trairagem. Esse governador nunca recebeu um único prefeito, nenhum vereador. Ele não recebe deputado. Ele falou que não precisa dos políticos, porque ele se elegeu sem político e pretende se reeleger sem político”, protestou.

⦾ Cenário eleitoral e projeções para o pleito nacional

Observando os dados das pesquisas de intenção de voto e a margem entre os concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes, o candidato a vice-governador traçou projeções para a disputa e destacou o impacto direto do resultado paulista na eleição presidencial.

“A diferença que temos hoje, numérica, do Haddad em relação ao Tarcísio, é uma diferença de 2,5 milhões de votos. Parece muito, mas isso, como não tem três, quatro candidatos, significa 1,5 milhão. É muito importante que vocês saibam que qualquer mudança nesse ciclo pode ser decisivo”, explicou.

França concluiu fazendo um apelo à mobilização da militância para garantir o avanço da chapa ao segundo turno ou a busca da vitória combinada com o cenário nacional. “E aí tem uma surpresa: se levarmos a eleição aqui para o segundo turno, se vocês nos ajudarem, significa dizer que vamos ganhar a eleição no primeiro turno com o presidente Lula. Se a gente empatar em São Paulo, a gente ganha a eleição no primeiro turno com o presidente Lula. Imagina como seria bom ter São Paulo e o Brasil sintonizados”, projetou.

Ao final de sua intervenção, França exaltou a trajetória acadêmica e administrativa de Fernando Haddad, reafirmando sua preparação para assumir a chefia do Poder Executivo estadual. “Haddad é uma pessoa preparada para exercer essa função, já foi ministro de várias pastas, prefeito de São Paulo. Ele tem tamanho para ser o governador de São Paulo. Ele sabe as coisas que precisam ser feitas”, finalizou.

Fonte: Brasil 247

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