Em discurso na convenção que oficializou candidaturas no estado, a ex-ministra defendeu a preservação dos serviços públicos e destacou avanços ambientais do governo federal
Crédito: Reprodução/YouTube/PT
Durante o discurso na convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), fez duras críticas à gestão do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), focando na precarização dos serviços públicos do estado. Marina condenou a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), criticou as recentes diretrizes para a educação paulista e alertou para o crescimento expressivo da população em situação de rua.
A chapa majoritária apresentada no encontro conta com Fernando Haddad na disputa ao governo estadual, o ex-governador Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador, além das candidaturas ao Senado da ex-ministra Simone Tebet (PSB) e da própria Marina Silva.
Ao abrir sua fala, Marina fez um agradecimento direto ao público e aos líderes da coligação, ressaltando o papel da militância e a união política articulada para defender as instituições brasileiras. “Aqui temos o lastro dessa campanha, os principais espelhos, que são nossa militância. Parabéns, presidente Lula, porque o senhor ajudou, no momento mais difícil da nossa história, a juntar o povo brasileiro e as forças políticas democráticas, para salvar a nossa democracia”, afirmou.
⦾ Críticas à gestão estadual: Sabesp, educação e vulnerabilidade social
Ao direcionar suas declarações para os problemas sociais e administrativos de São Paulo, Marina criticou a transformação de recursos fundamentais em bens de mercado sob a administração de Tarcísio de Freitas. “Aqui em São Paulo o que é básico está sendo tratado como mercadoria. Água não é mercadoria. A privatização da Sabesp está sendo um prejuízo para a população de São Paulo”, enfatizou.
A ex-ministra também questionou a condução das políticas educacionais e o uso de recursos tecnológicos em substituição ao trabalho dos docentes na rede estadual. “A educação é o que faz a diferença, mas aqui em São Paulo os professores estão sendo abandonados. A plataforma não substitui os professores”, argumentou, em crítica às diretrizes da Secretaria de Educação.
Outro ponto destacado por Marina foi o avanço da vulnerabilidade social no estado. “Não é normal que no estado de São Paulo a população de rua tenha crescido 80%”, declarou a candidata ao Senado, apontando a necessidade de diretrizes focadas na redução dos indicadores de pobreza.
⦾ Unidade política e reconhecimento aos aliados
Marina reforçou o caráter amplo da frente política formada para o pleito, direcionando elogios a Fernando Haddad, Simone Tebet, Márcio França e ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em saudação a Haddad, destacou sua atuação na condução da economia nacional: “Muito obrigada, Fernando Haddad. Você, um ministro da Fazenda que mostrou que é possível trabalhar em benefício de todos, mas sobretudo em benefício dos que mais precisam”. Em relação a Simone Tebet, celebrou a composição conjunta no projeto eleitoral: “Obrigada, Simone, por aceitar o desafio de ser senadora por São Paulo e pelo Brasil. Me sinto muito honrada de ser parte dessa aliança, uma aliança inquebrantável nos princípios e valores da defesa dos direitos humanos, combate à desigualdade, respeito à diversidade, defesa da democracia e da nossa soberania”.
Sobre a presença de Márcio França na composição como vice, ressaltou seu conhecimento do território paulista, afirmando que, “ombro a ombro com o Haddad, haverão de garantir nossa vitória, para que São Paulo faça jus ao estado que pode ser a mola propulsora do desenvolvimento do Brasil”.
Dirigindo-se a Geraldo Alckmin, Marina sublinhou a gesto político de convergência. “O senhor é um homem que em vez de olhar para o que supera, num momento decisivo e estratégico, olhou para o que nos une. Em determinados momentos a gente não pode ficar olhando de cima para baixo. A gente tem que olhar de baixo para cima, para ver o que está acima de nós. Acima de nós está o povo brasileiro”, afirmou, defendendo o estabelecimento de “um novo ciclo de prosperidade que combate a desigualdade”.
⦾ Balanço ambiental, economia e soberania nacional
Ao detalhar sua atuação à frente do Ministério do Meio Ambiente a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina apresentou dados de redução do desmatamento e combate a queimadas no país, relacionando os resultados à sustentabilidade do setor produtivo.
“Foi graças ao seu compromisso de desmatamento zero que já reduzimos o desmatamento em 50% na Amazônia, 32% no Brasil. Nós reduzimos os incêndios em 75% na Amazônia e 88% no Pantanal, mais de 30% no Cerrado”, citou.
Marina relacionou as metas ambientais ao avanço de acordos internacionais, como a consolidação das negociações entre o Mercosul e a União Europeia. “Durante 25 anos se tentou, e um dos argumentos muito usados era de que não se podia fechar o acordo porque a agricultura brasileira era feita destruindo a Amazônia. Quando o senhor assume, o desmatamento cai e o agronegócio e a agricultura familiar crescem. Provamos que é possível meio ambiente e desenvolvimento caminharem juntos”, acrescentou.
Encerrando seu discurso, a ex-ministra classificou sua participação no pleito como um ato de “legítima defesa” das conquistas sociais, econômicas e ambientais do país, criticando ações políticas de oposição que prejudicam o setor produtivo e o desenvolvimento nacional.
“Estou aqui em legítima defesa de tudo que já fizemos e do que tivemos que reconstruir. Em legítima defesa do que precisamos fazer. Não é possível ter um presidente da República que articula, que trama contra o Brasil, que vai atrás de taxação para destruir a indústria do calçado, para prejudicar o etanol e os bicombustíveis. Essas pessoas não estão fazendo mal a uma ideologia. Estão fazendo mal ao povo, a uma nação. Por isso que eu e Simone estamos aqui para mostrar que é possível, mesmo pensando diferente, sendo progressista ou conservadora, tem coisas que a gente não pode abrir mão. Não é possível abrir mão da soberania, da democracia, do combate à desigualdade, do enfrentamento à mudança climática”, concluiu.
Fonte: Brasil 247
Nenhum comentário:
Postar um comentário