Partido busca preservar imagem de Lula na disputa presidencial e reforça discurso de que eventuais responsabilidades cabem individualmente aos investigados
PT define estratégia para desvincular Lula de investigações sobre Jaques Wagner (Foto: Agência Brasil | Agência Senado )
O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu uma estratégia de comunicação para enfrentar os desdobramentos da operação da Polícia Federal que teve o senador Jaques Wagner (PT-BA) como alvo. A orientação interna é sustentar publicamente que qualquer eventual revelação decorrente das investigações deve ser atribuída ao parlamentar, sem vinculação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará a reeleição. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
De acordo com a apuração da emissora, a cúpula petista decidiu reforçar a tese de que eventuais responsabilidades são individuais e não podem ser associadas ao governo ou ao presidente. A estratégia tem como principal objetivo evitar desgastes políticos para Lula em meio ao cenário pré-eleitoral.
Além disso, o partido pretende manter em sua comunicação o debate em torno do caso envolvendo o Banco Master. A avaliação interna é que o tema pode ser utilizado para direcionar o embate político contra adversários, especialmente no contexto da próxima disputa presidencial.
◉ PT aposta em confronto político com adversários
Segundo a CNN Brasil, a legenda planeja intensificar, nos próximos dias, a divulgação de informações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O discurso petista buscará destacar que Lula enfrentará o parlamentar na corrida ao Palácio do Planalto e que o adversário teria relações diretas com personagens mencionados em investigações sobre fraudes financeiras.
Entre os episódios que deverão ser explorados por dirigentes e parlamentares do PT estão a visita de Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro e um áudio no qual o senador solicita recursos para o filme "Dark Horse". O partido também pretende relembrar ocasiões em que Flávio se referiu a Vorcaro como "mermão".
A estratégia integra um esforço mais amplo para deslocar o foco do noticiário envolvendo integrantes da base governista e concentrar o debate público em episódios relacionados à oposição.
◉ Direção nacional manifesta apoio a Jaques Wagner
Apesar da preocupação com os impactos políticos das investigações, dirigentes petistas têm demonstrado apoio ao senador baiano. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta quinta-feira (18) que Jaques Wagner continua sendo uma figura de confiança da legenda.
Em publicação sobre o caso, Edinho ressaltou que o partido apoia as investigações envolvendo o Banco Master e defendeu a apuração dos fatos. Segundo ele, "Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência".
A declaração busca equilibrar dois objetivos do partido: demonstrar apoio político ao senador e, ao mesmo tempo, reforçar o compromisso com a apuração das denúncias e a responsabilização de eventuais envolvidos.
◉ Comunicação do PT reforça confiança no senador
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também se pronunciou sobre o caso e reiterou a confiança da legenda em Jaques Wagner. Em sua avaliação, tentativas de equiparar diferentes grupos políticos dentro do contexto das investigações não encontram respaldo nos fatos.
Valadares afirmou que existe uma "confiança" do partido no senador e declarou que "uma tentativa de equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua".
As manifestações públicas de dirigentes petistas refletem a linha de atuação adotada pela legenda após a operação da Polícia Federal: defender a apuração das denúncias, respaldar Jaques Wagner e, simultaneamente, preservar a imagem de Lula diante dos possíveis desdobramentos do caso.
Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário