Senador do PL opta por manter segurança do Senado e equipe contratada pelo partido
Flávio Bolsonaro rejeita escolta da Polícia Federal durante campanha presidencial (Foto: Adriano Machado/Reuters)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, recusou a escolta oferecida pela Polícia Federal (PF) para reforçar sua segurança durante o período da campanha eleitoral. A informação foi publicada pelo jornal O Globo, em reportagem do blog da jornalista Malu Gaspar.
O parlamentar decidiu permanecer sob a proteção da Polícia Legislativa do Senado, responsável por sua segurança desde o início do atual mandato, em 2019, além de contar com seguranças contratados pelo Partido Liberal (PL).
De acordo com interlocutores de Flávio Bolsonaro ouvidos reservadamente pela reportagem, o senador não confia na atuação da Polícia Federal durante o processo eleitoral por considerar que a corporação estaria aparelhada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Um aliado do parlamentar, que falou sob condição de anonimato, resumiu a decisão da seguinte forma: "Flávio não se sente à vontade com a PF. Ele se sente seguro com a que já tem, oferecida pelo Senado."
Entre as preocupações do entorno do senador está a possibilidade de vazamento de agendas, estratégias de campanha e conversas privadas durante uma disputa presidencial que deve ser novamente marcada pela polarização política.
◎ Caso Master amplia desconfiança
Integrantes do núcleo político de Flávio Bolsonaro passaram a demonstrar maior desconfiança após o surgimento de conversas nas quais o senador cobrava recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse".
O episódio teve impacto na campanha do pré-candidato e interrompeu um movimento de crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Os levantamentos mais recentes indicaram estabilidade nas intenções de voto, cenário interpretado pelo grupo como um sinal de que os efeitos políticos do episódio envolvendo "Dark Horse" teriam sido contidos.
◎ Investigações seguem no STF
Após uma série de reportagens do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro. Os recursos foram pagos por uma empresa ligada ao ecossistema do Banco Master para um fundo administrado pelo advogado de imigração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Ainda de acordo com a publicação, havia um pedido para que a investigação permanecesse vinculada ao ministro Alexandre de Moraes, em razão de outro inquérito envolvendo Eduardo Bolsonaro. No entanto, a tendência apontada pela reportagem é que o caso permaneça sob a relatoria do ministro André Mendonça, responsável pelas investigações relacionadas ao Banco Master.
◎ Declarações de Eduardo Bolsonaro ampliaram debate sobre segurança
A decisão de Flávio Bolsonaro de rejeitar a escolta da Polícia Federal ocorre após declarações do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que afirmou que o senador pode se tornar alvo de um atentado durante o período eleitoral.
Em vídeo gravado nos Estados Unidos, Eduardo saiu em defesa do irmão após as revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e criticou as reportagens sobre o caso. Na gravação, o parlamentar também fez um alerta sobre a segurança de Flávio.
Segundo Eduardo Bolsonaro, "cada vez mais vai valer a pena assassinar Flávio". Ao justificar a afirmação, ele comparou a situação do senador a episódios de violência envolvendo lideranças políticas de direita nas Américas, citando o assassinato do candidato equatoriano Fernando Villavicencio, o atentado contra o senador colombiano Miguel Uribe Turbay, a suposta facada sofrida por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e o atentado a tiros contra o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
◎ Polícia Federal afirmou atuar com neutralidade
No mês anterior, a Polícia Federal apresentou, em reunião realizada em Brasília com representantes de partidos políticos, o planejamento para a segurança dos candidatos à Presidência da República. Na ocasião, segundo a reportagem, a PF afirmou que o trabalho será pautado pela "neutralidade político-partidária" e pela "preservação da integridade física" dos presidenciáveis.
Fonte: Brasil 247 com informaçõe sdo jornal O Globo
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