Em maio de 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, foi destaque no Summit Valor Econômico Brazil-USA, evento do Grupo Globo realizado no Hotel Plaza, um dos mais caros de Nova York.
Ele era o principal patrocinador e orador, abrindo os trabalhos e recebendo a chancela de credibilidade do maior site de economia e negócios do país. A festa celebrava os 25 anos do Valor Econômico e reuniu os figurões do mercado financeiro do Brasil e alguns dos Estados Unidos. A partir daí, sua vida foi facilitada no mercado financeiro para cometer os crimes em série. Ele tinha a chancela do Valor e da Globo.
Isso não será matéria da Globo.
Vorcaro abriu seu discurso com uma propaganda do Master, de olho em importantes personalidades do setor financeiro dos Estados Unidos, muitas delas com negociações em andamento com o Brasil. Ele sabia com quem estava falando e que a Globo lhe deu essa oportunidade.
Estavam lá, entre outros, segundo matéria do próprio Valor, “James Bullard, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) de Saint Louis, e Kevin Warsh, ex-membro do Conselho de Governadores do Fed. Simon Rosenberg, estrategista do partido Democrata, e Scott Jennings, estrategista do partido Republicano”. Ele iriam “analisar as eleições americanas e como a escolha do presidente dos EUA pode afetar investimentos nos países emergentes”.
“Os governadores Claudio Castro, do Rio de Janeiro; Mauro Mendes, do Mato Grosso; Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul; Tarcísio de Freitas, de São Paulo; Helder Barbalho, do Pará; Ratinho Junior, do Paraná, e Ronaldo Caiado, de Goiás, vão divulgar a agenda de investimentos de grande porte em seus respectivos Estados. Também falarão o secretário de Fazenda do município de São Paulo, Luis Felipe Vidal Arellano, e e Alexandre Vermeulen, presidente da invest.Rio.”
Sob o governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, a Rioprevidência comprou quase R$ 1 bilhão em letras podres do Master.
Vorcaro, que fazia então seu début na altas esferas dos negócios no país, teve a oportunidade de vender seu peixe, com o “selo de qualidade” das organizações Globo. Foi apresentado por Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio, o organizador daquele fórum, que classificou o seminário como “histórico” e um “debate saudável” e o chamou de “amigo”.
“Estamos muito entusiasmados com esse quórum e teremos repercussão ampla em todos os veículos do grupo Globo”, disse. “A gente pretende voltar todo ano”.
Vorcaro, o grande nome do encontro, mostrou as altas avaliações de agências de análise de risco e exibiu uma propaganda em inglês de um produto chamado CredCesta. Agradeceu o Valor, “que tem sido um baluarte para nossa nação, uma referência e um norte para nós, com informações sempre precisas e isentas. Cumprimento o Fred e toda a equipe que admiro bastante: Lauro, Maria Fernanda, Álvaro, Malu e todos os demais. Essa semana se enriquece com a presença do Valor nas discussões”.
“Sempre saio com uma bagagem mais rica”, disse. “Alcançamos um nível de investimento com ratings Fitch, reenforçando a nossa credibilidade”. Em seguida, a apresentadora agradece Daniel pelas “palavras inspiradoras”.
O carimbo de credibilidade do grupo Globo lhe abriu várias portas para cometer seus crimes financeiros. Em dezembro de 2025, Luciano Huck, por exemplo, virou garoto-propaganda do Will Bank, banco digital controlado pelo Master. A instituição ganhou grande exposição ao se tornar patrocinadora do Domingão com Huck, com inserções de marca, ações promocionais e menções recorrentes durante a atração.
Ele chegou a negociar a compra da Will Bank, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central. Segundo diálogos vazados com a namorada Martha Graeff, Vorcaro cita um jantar com Huck. Aparece igualmente uma reunião com “editoras de revistas da Globo” — área comandada por Fred Kachar.
Vorcaro manteve uma relação íntima com a Globo, usando dinheiro sujo para limpar sua imagem, a do seu banco e sua biografia, enquanto o grupo influenciava milhões de pessoas. Foi apenas por meio de propaganda oficial e patrocínio a eventos ou algo além disso? A Globo precisa ser responder. Com vazamentos seletivos da Polícia Federal, a Globo tenta, mais uma vez, se eximir das consequências do monstro que ajudou a criar, como aconteceu durante a Lava Jato. Falta dar as explicações, que nunca serão dadas.
Fonte: DCM
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