quinta-feira, 12 de março de 2026

Procurador que pede cabeça de Pochmann no IBGE é o homem das “pedaladas fiscais” contra Dilma e “amigo de Moro”


        O procurador Júlio Marcelo de Oliveira e o senador Sérgio Moro. Foto: reprodução

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu o afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann, por suspeitas de irregularidades administrativas na condução do órgão.

A representação foi apresentada pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira. O pedido está relacionado a supostas irregularidades na gestão de Pochmann, como a substituição sucessiva de servidores de carreira e a tentativa de criação da Fundação IBGE+, uma instituição privada de apoio ao instituto.

No documento encaminhado, a procuradoria alertou para um “quadro institucional preocupante” gerado pela tentativa de criar uma entidade paralela com possíveis recursos próprios, atuando em áreas sensíveis de produção e tratamento de dados oficiais.

Para Oliveira, a criação dessa fundação não poderia ter ocorrido sem uma análise mais aprofundada, além de questionar a fragilidade na autonomia técnica e na credibilidade dos dados produzidos pelo IBGE.

O procurador também abordou os atos de gestão que alteraram a metodologia de obtenção de dados, o que, segundo ele, poderia enfraquecer a integridade das informações produzidas pelo IBGE. “A eventual manipulação indevida de parâmetros metodológicos, premissas técnicas ou processos de validação interna, com o objetivo de influenciar resultados conjunturais, configuraria violação grave aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência”, afirmou Oliveira.

Márcio Pochmann, presidente do IBGE. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress
Desde o início de 2024, servidores do IBGE já vinham criticando a gestão de Pochmann, acusando-o de criar um “IBGE paralelo” que desviava o foco da verdadeira missão da instituição.

Curiosamente, o procurador Júlio Marcelo Oliveira foi uma figura central no processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Ele foi o responsável por dar parecer favorável à rejeição das contas de Dilma no Tribunal de Contas da União (TCU), alegando que houve irregularidades na abertura de créditos suplementares sem autorização do Congresso e nas chamadas “pedaladas fiscais”.

Em 2015, Oliveira acusou o governo de utilizar recursos da Caixa Econômica Federal e do FGTS para custear programas governamentais sem o devido registro. “Essa prática permitiu ao governo uma expansão de gastos em ano eleitoral, o que violava a Lei de Responsabilidade Fiscal”, destacou, chamando a contabilidade do governo de “contabilidade destrutiva”, que resultou na perda do grau de investimento do Brasil.

Oliveira também teve exposta sua ligação com o ex-juiz Sergio Moro, chefão da Lava Jato, investigado por possíveis irregularidades na contratação pela consultoria Alvarez & Marsal. Desde 2016, Oliveira encontrou o ex-ministro da Justiça em várias ocasiões e era considerado “amigo”.

Furtado, autor da representação que deu origem ao caso Moro no tribunal, dizia que Oliveira mantinha laços de amizade com Moro e que, por isso, não teria isenção suficiente para levar adiante o processo que apurava se houve conflito de interesse na contratação do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro na iniciativa privada.

No Tribunal de Contas da União (TCU), aliados do então ministro Bruno Dantas passaram a contabilizar pelo menos seis votos para defenestrar o procurador do Ministério Público na Corte, Júlio Marcelo de Oliveira, do processo envolvendo Moro. Foi levado ao plenário um pedido de suspeição contra Júlio Marcelo.

Fonte: DCM

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