segunda-feira, 9 de março de 2026

Nassif alerta para suposta articulação entre Polícia Federal e André Mendonça

Jornalista afirma que investigação envolvendo filho de Lula e operação Master indicaria pressão institucional e riscos de manipulação política

       André Mendonça (Foto: Victor Piemonte/STF)

A possibilidade de prisão de Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estaria sendo discutida internamente na Polícia Federal e representa, segundo o jornalista Luís Nassif, um sinal de alerta sobre o funcionamento da corporação e o rumo de investigações recentes. Em artigo publicado no GGN nesta segunda-feira (9), Nassif afirma que a informação divulgada pela jornalista Mônica Bérgamo sobre essa discussão na PF indicaria um movimento mais amplo dentro da instituição.

Segundo Nassif, o episódio não deve ser visto como um fato isolado, mas como parte de um conjunto de acontecimentos ligados à chamada Operação Master. O jornalista sustenta que irregularidades apontadas no caso revelariam uma atuação da Polícia Federal que, em sua avaliação, já apresentaria excessos antes mesmo do aval do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

Entre os pontos citados no artigo estão o vazamento de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Master, logo nos primeiros dias de perícia e a divulgação de informações que, segundo o jornalista, teriam alimentado uma campanha contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Nassif afirma que a questão central não é a defesa dos ministros, mas a necessidade de identificar a origem e o destino desses vazamentos.

Outro episódio mencionado é a quebra do sigilo de Fábio Luís da Silva, medida que, de acordo com o texto, teria sido autorizada por André Mendonça sem a apresentação de indícios concretos de ligação com a investigação. Nassif também critica o que chama de divulgação seletiva da movimentação bancária de Lulinha, afirmando que teriam sido omitidos elementos que contextualizariam os dados.

O artigo ainda aborda um suposto conflito institucional envolvendo André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Nassif sustenta que haveria uma tentativa de controle sobre um eventual acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, atribuição que, segundo ele, pertence exclusivamente ao Ministério Público Federal.

Ao tratar desse ponto, o jornalista afirma que as experiências da Operação Lava Jato demonstraram riscos quando acordos de delação ocorrem sem supervisão institucional adequada. “As lições da Lava Jato são inequívocas: sem supervisão judicial efetiva, procuradores moldavam o conteúdo das delações segundo suas motivações políticas”, escreve.

Nassif também argumenta que a pressão sobre autoridades responsáveis pelos processos estaria sendo construída por meio da divulgação de notícias sobre suposto “mal-estar” na Polícia Federal. Ele afirma que esse movimento teria ocorrido quando Dias Toffoli assumiu a relatoria do caso e que agora se repetiria em relação ao procurador-geral da República.

Para o jornalista, a condução da investigação pela força-tarefa da Operação Master, em conjunto com o ministro André Mendonça, poderia levar delatores a direcionarem acusações contra alvos previamente definidos.

O autor também critica a atuação institucional no caso. Segundo ele, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não teria demonstrado firmeza suficiente para conter excessos dentro da corporação.

Na avaliação do jornalista, a situação exigiria uma reação rápida das instituições e do governo federal. “O governo precisa acordar e se dar conta de que a conspiração já começou”, escreveu.

Leia a íntegra no GGN.

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