O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, tomou na última terça-feira (22) duas decisões provisórias sobre vídeos da disputa presidencial: mandou retirar uma publicação que associava o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Banco Master e manteve no ar um conteúdo do parlamentar que relaciona a vitória de Lula (PT) em 2022 a uma suposta comemoração de criminosos.
A coligação de Lula pediu a remoção do vídeo publicado por Flávio no Instagram e no Facebook, além de direito de resposta nas plataformas. Na publicação, o senador afirma que “os bandidos comemoraram a vitória do seu candidato” e acrescenta que, depois do resultado eleitoral, “eles realmente venceram”.
Nunes Marques negou o pedido neste momento por entender que os elementos apresentados inicialmente não comprovavam que o conteúdo era falso ou estava fora de contexto. O plenário do TSE ainda vai analisar o caso.
Em processo apresentado pelo PL, o ministro determinou que o Instagram remova em até 24 horas um vídeo do perfil @lulapelaverdade. A publicação associava Flávio Bolsonaro ao Banco Master e ao filme “Dark Horse”, mostrando fatos já verificados pela Polícia Federal de diálogos entre o senador e o banqueiro.

TSE ordenou identificação de responsável por perfil
O PL sustentou que o vídeo atribuía ao senador envolvimento em irregularidades sem comprovação. Nunes Marques afirmou que a publicação ultrapassava os limites da crítica política ao relacionar Flávio a fatos criminosos sem apresentar elementos concretos.
A decisão também ordena o fornecimento de dados para identificar o responsável pelo perfil e proíbe novas republicações do conteúdo. As medidas integram uma ação eleitoral e podem sofrer nova análise no tribunal.
As decisões saíram em meio a questionamentos sobre a relação entre Nunes Marques e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Reportagens baseadas em mensagens apreendidas pela Polícia Federal mencionaram pagamentos e contatos envolvendo pessoas ligadas ao ministro.
Entre os episódios relatados, há referências a valores destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, e ao pagamento de uma suposta acompanhante em encontro atribuído a Nunes Marques
Os envolvidos negam irregularidades, e o ministro declarou que seu filho “nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”; ele também disse que não teria votado pela confirmação da prisão de Vorcaro e de outros investigados caso se sentisse “cooptado de alguma forma”.
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