domingo, 20 de setembro de 2026

Governo Lula inclui trens para passageiros em nova carteira de projetos ferroviários

Estão previstos sete novos trechos ferroviários para cargas, integração urbana, turismo e transporte regional, com pelo menos dois projetos podendo ir a leilão ainda em 2026

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia de entrega dos Lotes 4 e 5 da Ferrovia Transnordestina, em Quixeramobim – CE, 02.07.2026  -  Crédito: Ricardo Stuckert/PR


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ao mercado sete novos projetos ferroviários de curta extensão, incluindo trechos com potencial para o transporte de passageiros. A carteira abrange seis estados e o Distrito Federal, e a expectativa do Ministério dos Transportes é levar pelo menos dois projetos a leilão até o fim deste ano.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, os projetos foram apresentados a empresas e bancos durante evento realizado em São Paulo. As ferrovias atravessam áreas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste e poderão atender desde o escoamento de produtos agrícolas e minerais até deslocamentos regionais de passageiros.

Entre as propostas, ganha destaque a ligação entre Brasília e Luziânia (GO), com 60,5 quilômetros, projetada para o transporte regional de passageiros. Em Minas Gerais, o trecho General Carneiro-Miguel Burnier, de 92 quilômetros, combina potencial para minério e siderurgia com vocação turística.

Na Paraíba, a ligação ferroviária entre Campina Grande e Cabedelo, com 163,2 quilômetros, é apresentada como corredor logístico multimodal com possibilidade de integração urbana.

⦾ Sete trechos entram na carteira

A lista apresentada pelo Ministério dos Transportes também contempla importantes corredores de cargas. No Rio Grande do Sul, o trecho de 108 quilômetros entre Cruz Alta e Santo Ângelo tem potencial para transportar soja, milho e fertilizantes. A ligação Santo Ângelo-Santa Rosa, de 65 quilômetros, busca integrar cooperativas e volumes transportados na região.

Em Goiás, a ferrovia entre Roncador Novo e Jardim Ingá terá 245 quilômetros e potencial de conexão com porto seco. Já o trecho Aguaí-Bauxita, entre São Paulo e Minas Gerais, terá 75,4 quilômetros e poderá integrar-se à rede ferroviária paulista.

O governo ainda não definiu quais dos sete projetos serão os primeiros a avançar para os leilões previstos para este ano.

⦾ Empresas terão dois anos para apresentar projetos

A estratégia adotada pelo Ministério dos Transportes utiliza o modelo de autorização ferroviária, instituído pelo Marco Legal das Ferrovias, de 2021. O mecanismo permite que empresas privadas construam e explorem ferrovias por sua conta, obedecendo às condições previstas na legislação.

Os vencedores dos processos terão até dois anos para elaborar e apresentar os projetos das novas ferrovias. A partir desses estudos será possível determinar a viabilidade dos empreendimentos e eventual necessidade de recursos públicos.

“São dois anos que ele [o proponente vencedor] vai me dar um projeto que pode ser viável ou não viável. Se ele precisar de dinheiro público, eu reabro, como na otimização, e levo a mercado”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro.

⦾ Minas-Rio terá leilão em dezembro

Além da nova carteira, o governo Lula já marcou para 17 de dezembro o leilão do corredor Minas-Rio, também estruturado pelo modelo de autorização. O certame será o primeiro do setor ferroviário em cinco anos.

O corredor possui 733 quilômetros e atualmente é operado pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). A estrutura será dividida em dois lotes. O primeiro compreenderá o percurso entre Iguatema (MG) e Barra Mansa (RJ), além do ramal entre Varginha e Lavras, em Minas Gerais. O segundo seguirá de Barra Mansa até Angra dos Reis (RJ).

A futura concessionária ficará encarregada da manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura. Também terá até dois anos para apresentar um plano de recapacitação da ferrovia.

De acordo com Santoro, CSN e MRS estudam conjuntamente o projeto Minas-Rio.

⦾ Governo prepara novos editais

Apesar da ampliação da carteira, o cronograma ferroviário enfrentou atrasos ao longo de 2026. Dos oito projetos inicialmente previstos para este ano, somente o corredor Minas-Rio tem leilão marcado. Os sete projetos apresentados agora não integravam originalmente essa programação.

O Ministério dos Transportes pretende publicar ainda neste ano os editais do Anel Ferroviário Sudeste (EF-118) e da Malha Oeste, mas os leilões deverão ficar para 2027.

“A gente, acredito, vai publicar os editais neste ano, mas o leilão será no ano que vem. Acho que, dado o prazo, não dá mais tempo para a concessão”, afirmou Santoro.

O ministro atribuiu parte da demora ao tempo necessário para as discussões dos projetos no Tribunal de Contas da União (TCU).

“O próximo governo vai ter um monte de leilões já [com editais] publicados ou em fase final de marcação. Demoraram muito essas discussões no tribunal [TCU], muito mais do que a gente achava que ia demorar. Demoraram mais de oito meses as discussões. Eu acho que agora está muito maduro”, completou.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário