domingo, 2 de agosto de 2026

Haddad: Lula governa “sem botar boné de presidente de nenhum outro país”

Em discurso na convenção que oficializou a candidatura do presidente à reeleição, Haddad também exaltou a manutenção de Alckmin como candidato a vice-presidente

Fernando Haddad  - Crédito: Reprodução

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou neste domingo (2) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa a defesa da soberania brasileira “sem botar boné de presidente de nenhum outro país”. Em discurso na convenção que oficializou a candidatura do presidente à reeleição, Haddad também exaltou a manutenção de Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.

A declaração foi feita no Expo Center Norte, na zona norte de São Paulo, durante o encontro que confirmou a chapa Lula-Alckmin para as eleições de outubro. O evento reuniu representantes dos sete partidos que apoiam a candidatura: PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT.












Ao abordar a política externa, Haddad afirmou que o Brasil precisa manter uma posição independente diante de governos estrangeiros e das pressões internacionais. Sem citar nominalmente qualquer presidente de outro país, o ex-ministro associou Lula à defesa dos interesses nacionais.

“Mas nós temos o desafio de nos próximos 60 dias levar a verdade para a população, dizer que o Brasil está sendo reconstruído e vai continuar seguindo em frente, de cabeça erguida, sem baixar a cabeça para presidente de nenhum outro país, sem botar boné de presidente de nenhum outro país, defendendo os interesses nacionais independentemente do teor das ameaças que possam nos ser feitas”, declarou.

Haddad também utilizou a metáfora de um “mar revolto” para descrever o cenário internacional, marcado, segundo ele, por guerras e pelo crescimento de movimentos de extrema direita na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.

“Num momento como esse de mar revolto, você precisa de um marujo confiável, experiente, de uma pessoa que sabe manejar o barco, manejar o navio, que sabe acionar os instrumentos necessários para proteger o Brasil, para preservar a nossa soberania, para preservar a nossa altivez e a nossa voz nos fóruns internacionais”, afirmou.

Na avaliação do candidato ao governo de São Paulo, Lula reúne experiência e reconhecimento internacional para conduzir o país em um período de instabilidade. Haddad afirmou que outros países gostariam de contar com uma liderança de perfil semelhante ao do presidente brasileiro.

“E, senhoras e senhoras, não tem ninguém no mundo hoje que consiga fazer isso melhor do que o presidente Lula. O presidente Lula é motivo de inveja no mundo. As pessoas gostariam de ter um Lula à sua disposição. Só que o Lula é brasileiro, só que o Lula é nosso. E só que o Lula vai continuar governando o Brasil enquanto o mar estiver revolto”, disse.

Ao defender a nova candidatura, Haddad afirmou que Lula manteve os compromissos assumidos desde sua atuação como dirigente sindical no ABC paulista. Para o ex-ministro, a trajetória política do presidente seria marcada pela continuidade entre seus discursos e suas ações no governo.

“E o presidente Lula nunca traiu os seus princípios de vida, nunca traiu o povo brasileiro, nunca traiu os compromissos que ele assumiu desde o seu primeiro discurso no ABC até todos os discursos que ele fez quando tomou posse como presidente da República”, declarou.

Haddad acrescentou que, em sua avaliação, não há contradição entre as posições apresentadas por Lula ao longo da vida pública e as medidas adotadas durante seus mandatos no Palácio do Planalto.

“Se nós lembrarmos de todas as entrevistas que ele deu, de todos os compromissos que ele assumiu, de todos os discursos que ele proferiu, você não vai achar uma incoerência em relação ao que ele praticou enquanto esteve no poder”, afirmou.

O ex-ministro também defendeu a continuidade da aliança entre Lula e Alckmin, formada originalmente para a eleição de 2022. Segundo Haddad, os dois colocaram divergências históricas de lado para reconstruir a democracia e preservar valores comuns, como o respeito ao resultado eleitoral.

“Isso uniu o Lula e o Alckmin em 2022 e une agora, mais uma vez, em 2026, para que a gente logre êxito em outubro e possa continuar fazendo o país seguir em frente, seguir o seu curso, reconstruindo”, disse.

Durante o discurso, Haddad fez críticas ao governo de Jair Bolsonaro e afirmou que a gestão anterior deixou problemas em áreas como saúde, educação, ciência, assistência social e finanças públicas.

“O presidente Lula sucedeu um presidente, se é que esse título cabe para o Bolsonaro, que desorganizou o país em todos os sentidos. Desorganizou o SUS, desorganizou as finanças, desorganizou a educação, a ciência e tecnologia, a assistência”, declarou.

Haddad também enumerou realizações que atribuiu à atual administração, entre elas o aumento dos recursos destinados à saúde e à educação, a valorização do salário mínimo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a redução do desemprego.

“Fez ajuste, mas não fez ajuste no lombo do trabalhador. Reajustou o salário mínimo e a tabela do Imposto de Renda, garantindo a promessa de campanha de que salário não é renda e quem ganha até 5 mil não paga mais imposto no Brasil. 15 milhões de brasileiros beneficiados”, afirmou.

O candidato ao governo paulista declarou ainda que o ajuste fiscal deve cobrar uma contribuição maior das parcelas mais ricas da população, sem transformar a discussão tributária em um conflito entre classes sociais.

“Não é nada de colocar pobre contra rico, é fazer o rico saber que ele também pertence a uma comunidade, que ele também tem que colaborar com o desenvolvimento nacional. Que não é porque ele mora na cobertura que ele não tem que pagar condomínio, que era o que acontecia no Brasil até 2022”, disse.

Ao encerrar sua participação, Haddad classificou a convenção realizada em São Paulo como histórica e afirmou que a chapa formada por Lula e Alckmin está preparada para disputar novamente o comando do país.

“É uma honra receber essa convenção histórica que mais uma vez vai oficializar a chapa que vai vencer as eleições de 2026. É Lula e Alckmin, presidente e vice-presidente do Brasil”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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