O deputado italiano Angelo Bonelli questionou o governo da Itália sobre a situação da ex-deputada federal brasileira Carla Zambelli e afirmou que ainda não recebeu informações oficiais sobre o local onde ela estaria morando no país. A manifestação ocorre enquanto a Justiça italiana analisa um novo pedido de extradição apresentado pelo Brasil.
Em declaração divulgada sobre o caso, Bonelli afirmou que enviou um pedido formal ao ministro do Interior italiano para saber se as autoridades tinham conhecimento da residência de Zambelli. Segundo o parlamentar, que rebateu após a ex-deputada foragida afirmar que tem endereço conhecido, a solicitação foi feita antes da análise da Corte de Cassação da Itália sobre o pedido relacionado a uma condenação de cinco anos por ameaça com arma de fogo e porte ilegal de arma.
“Doze dias atrás perguntei ao Ministro do Interior italiano, com um pedido formal, se eles sabiam onde Carla Zambelli estava residente, considerando que o Supremo Tribunal de Cassação da Itália se pronunciará em 1º de julho sobre seu pedido de extradição para uma pena de cinco anos por ameaças com arma de fogo e porte ilegal de armas”, afirmou Bonelli.
O deputado italiano declarou que não recebeu resposta do governo até o momento e levantou a possibilidade de que as autoridades policiais italianas também não tenham informações sobre a localização da ex-parlamentar.
“Até o momento, não recebi resposta do governo, e é provável que as autoridades policiais italianas também não saibam onde Carla Zambelli está morando”, disse.
Bonelli também afirmou considerar necessário que o governo italiano adote medidas de acompanhamento para garantir que Zambelli seja entregue às autoridades brasileiras caso a extradição seja autorizada pela Justiça italiana.
“Considero preocupante que o governo italiano não tenha julgado necessário implementar qualquer forma de controle para garantir que, em caso de autorização de extradição, Carla Zambelli seja entregue às autoridades judiciais brasileiras”, declarou.

No documento encaminhado ao ministro italiano, o deputado citou a decisão da Sexta Seção da Corte de Cassação, que anulou sem determinar novo julgamento uma autorização anterior de extradição relacionada a uma das condenações impostas pela Justiça brasileira contra Zambelli.
O texto menciona que essa decisão envolveu a condenação de 10 anos de prisão relacionada à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) brasileiro e à inserção de um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o documento, a Corte de Cassação italiana baseou sua decisão em questionamentos sobre imparcialidade e independência no processo.
O pedido apresentado por Bonelli também cita uma segunda condenação contra Zambelli, com pena de cinco anos e três meses de prisão por ameaça com uso de arma de fogo e porte ilegal de arma. O caso está relacionado ao episódio em que a ex-deputada teria abordado e ameaçado um jornalista em São Paulo antes do segundo turno das eleições de 2022.
Após essa condenação, a Interpol emitiu uma segunda Difusão Vermelha (“Red Notice”) contra Carla Zambelli. De acordo com o documento, as autoridades brasileiras apresentaram um pedido formal de prisão ao Ministério da Justiça italiano em outubro de 2025.
A audiência para análise do novo pedido de extradição foi marcada para o dia 1º de julho na Corte de Cassação italiana. No documento, Bonelli questiona se o governo pretende executar o mandado de prisão previsto na “Red Notice” e adotar medidas de vigilância enquanto aguarda a decisão judicial.
O parlamentar italiano também citou o artigo 704, parágrafo 3º, do Código de Processo Penal italiano, ao solicitar informações sobre possíveis medidas para evitar risco de fuga ou ações destinadas a impedir o andamento do processo.
Carla Zambelli deixou o Brasil após condenações judiciais e passou a responder a processos relacionados ao pedido de extradição na Itália. A ex-deputada afirma que não está foragida e que cumpre as determinações impostas pela Justiça italiana enquanto aguarda a conclusão das análises judiciais.
Fonte: DCM
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