domingo, 26 de julho de 2026

“Não sabem onde ela está”: deputado italiano pressiona governo sobre paradeiro de Zambelli


   O deputado italiano Angelo Bonelli. Foto: Divulgação

O deputado italiano Angelo Bonelli questionou o governo da Itália sobre a situação da ex-deputada federal brasileira Carla Zambelli e afirmou que ainda não recebeu informações oficiais sobre o local onde ela estaria morando no país. A manifestação ocorre enquanto a Justiça italiana analisa um novo pedido de extradição apresentado pelo Brasil.

Em declaração divulgada sobre o caso, Bonelli afirmou que enviou um pedido formal ao ministro do Interior italiano para saber se as autoridades tinham conhecimento da residência de Zambelli. Segundo o parlamentar, que rebateu após a ex-deputada foragida afirmar que tem endereço conhecido, a solicitação foi feita antes da análise da Corte de Cassação da Itália sobre o pedido relacionado a uma condenação de cinco anos por ameaça com arma de fogo e porte ilegal de arma.

“Doze dias atrás perguntei ao Ministro do Interior italiano, com um pedido formal, se eles sabiam onde Carla Zambelli estava residente, considerando que o Supremo Tribunal de Cassação da Itália se pronunciará em 1º de julho sobre seu pedido de extradição para uma pena de cinco anos por ameaças com arma de fogo e porte ilegal de armas”, afirmou Bonelli.

O deputado italiano declarou que não recebeu resposta do governo até o momento e levantou a possibilidade de que as autoridades policiais italianas também não tenham informações sobre a localização da ex-parlamentar.

“Até o momento, não recebi resposta do governo, e é provável que as autoridades policiais italianas também não saibam onde Carla Zambelli está morando”, disse.

Bonelli também afirmou considerar necessário que o governo italiano adote medidas de acompanhamento para garantir que Zambelli seja entregue às autoridades brasileiras caso a extradição seja autorizada pela Justiça italiana.

“Considero preocupante que o governo italiano não tenha julgado necessário implementar qualquer forma de controle para garantir que, em caso de autorização de extradição, Carla Zambelli seja entregue às autoridades judiciais brasileiras”, declarou.

A ex-deputada Carla Zambelli. Foto: Divulgação
No documento encaminhado ao ministro italiano, o deputado citou a decisão da Sexta Seção da Corte de Cassação, que anulou sem determinar novo julgamento uma autorização anterior de extradição relacionada a uma das condenações impostas pela Justiça brasileira contra Zambelli.

O texto menciona que essa decisão envolveu a condenação de 10 anos de prisão relacionada à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) brasileiro e à inserção de um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o documento, a Corte de Cassação italiana baseou sua decisão em questionamentos sobre imparcialidade e independência no processo.

O pedido apresentado por Bonelli também cita uma segunda condenação contra Zambelli, com pena de cinco anos e três meses de prisão por ameaça com uso de arma de fogo e porte ilegal de arma. O caso está relacionado ao episódio em que a ex-deputada teria abordado e ameaçado um jornalista em São Paulo antes do segundo turno das eleições de 2022.

Após essa condenação, a Interpol emitiu uma segunda Difusão Vermelha (“Red Notice”) contra Carla Zambelli. De acordo com o documento, as autoridades brasileiras apresentaram um pedido formal de prisão ao Ministério da Justiça italiano em outubro de 2025.

A audiência para análise do novo pedido de extradição foi marcada para o dia 1º de julho na Corte de Cassação italiana. No documento, Bonelli questiona se o governo pretende executar o mandado de prisão previsto na “Red Notice” e adotar medidas de vigilância enquanto aguarda a decisão judicial.

O parlamentar italiano também citou o artigo 704, parágrafo 3º, do Código de Processo Penal italiano, ao solicitar informações sobre possíveis medidas para evitar risco de fuga ou ações destinadas a impedir o andamento do processo.

Carla Zambelli deixou o Brasil após condenações judiciais e passou a responder a processos relacionados ao pedido de extradição na Itália. A ex-deputada afirma que não está foragida e que cumpre as determinações impostas pela Justiça italiana enquanto aguarda a conclusão das análises judiciais.

Fonte: DCM

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