Crédito: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O governo do Brasil decidiu chamar a consultas o seu embaixador na Argentina, Julio Bitelli, após considerar como uma “afronta” os insultos proferidos pelo repugnante presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Lula (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante a Convenção Nacional do PL, em São Paulo, no sábado (25). O caso ganhou destaque na imprensa argentina.
A medida diplomática brasileira, que representa uma escalada sem precedentes nas relações bilaterais, decorre das infames declarações feitas por Milei durante o evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
A decisão de convocar o embaixador Bitelli de volta a Brasília foi tomada pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, assim que retornou de uma viagem oficial pela Ásia neste domingo (26). O episódio é visto pela imprensa argentina e por observadores diplomáticos como o estopim de uma das crises mais graves da história da relação entre os dois países.
Fontes do governo brasileiro ouvidas pelo Clarín teceram duras críticas ao comportamento do governante argentino, que viajou acompanhado de sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e do chanceler argentino, Pablo Quirno. De acordo com interlocutores em Brasília, o argentino “não tem ideia do que é ser Presidente e não tem códigos”.
“Em uma viagem privada, conseguiu ofender os Poderes Executivo, Judiciário e o povo brasileiro, algo nunca visto em décadas de relação bilateral. Nem nos momentos de rivalidade entre os governos militares houve nada sequer similar”, afirmaram fontes em Brasília à publicação argentina.
As agressões verbais do presidente argentino também miraram o Supremo Tribunal Federal (STF). Milei proferiu insultos e palavras de baixo calão contra o ministro Alexandre de Moraes. A reação ocorreu porque o magistrado proibiu Jair Bolsonaro (PL) — que cumpre pena de 27 anos em prisão domiciliar por liderar uma tentativa de golpe de Estado — de receber a visita do governante argentino. As ofensas provocaram imediata manifestação de repúdio por parte do presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, além de severas críticas de integrantes do gabinete de Lula.
Fonte: Brasil 247
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