Nos bastidores da diplomacia brasileira, no entanto, a situação pode produzir efeitos indiretos no posicionamento do Brasil em discussões internacionais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como uma “indelicadeza” diplomática o convite feito pelo presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para participar da cerimônia de posse do novo governo chileno. As informações foram divulgadas pelo portal CNN Brasil.
Segundo relatos feitos a aliados do presidente brasileiro, a avaliação no Palácio do Planalto é de que o gesto representa um sinal de falta de diplomacia por parte de Kast, apesar de uma tentativa inicial de manter um tom mais moderado nas relações com o governo brasileiro.
O convite foi direcionado ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, adversário político de Lula no cenário nacional. A presença de Flávio Bolsonaro na cerimônia, marcada para esta quarta-feira (11), teria sido interpretada por integrantes do governo brasileiro como um gesto político sensível no contexto das relações entre os dois países.
A irritação do presidente brasileiro teria aumentado após a informação de que o presidente eleito chileno também convidou Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para o evento. O ex-deputado federal é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação em processo judicial.
Apesar do desconforto diplomático gerado pelo episódio, diplomatas brasileiros avaliam que o incidente não deve provocar um rompimento no diálogo entre Brasília e Santiago. Integrantes do Itamaraty consideram que o episódio é relativamente menor quando comparado às críticas públicas dirigidas a Lula pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
Nos bastidores da diplomacia brasileira, no entanto, a situação pode produzir efeitos indiretos no posicionamento do Brasil em discussões internacionais. Um dos reflexos apontados por diplomatas é o possível fortalecimento da defesa brasileira da candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A indicação de Bachelet é considerada estratégica por setores do governo brasileiro. A ex-presidente chilena é uma figura influente na política internacional e adversária política direta de José Antonio Kast no cenário chileno.
De acordo com fontes diplomáticas, o próprio Kast pretendia discutir o tema da sucessão na ONU com Lula durante a visita do presidente brasileiro ao Chile. O assunto ganhou relevância diante das articulações em torno da escolha do próximo secretário-geral da organização.No cenário internacional, o presidente argentino Javier Milei tem manifestado apoio à candidatura do argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão vinculado à ONU.
A movimentação diplomática em torno da sucessão na organização internacional ocorre em meio a disputas geopolíticas e alianças regionais, nas quais países da América Latina buscam ampliar sua influência nas principais instituições multilaterais.
Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil
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