sábado, 29 de novembro de 2025

Alcolumbre diz não haver conflito com Lula e reclama de falta de diálogo sobre indicação ao STF

Presidente do Congresso afirma a interlocutores que não foi avisado pelo presidente sobre escolha de Jorge Messias e nega ter provocado o governo

    Hugo Motta, Davi Alcolumbre e Lula (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)


O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), reafirmou a senadores próximos que “não tem guerra pessoal com o presidente Lula”, apesar do clima de tensão criado após a indicação de Jorge Messias para a vaga aberta pela aposentadoria de Luiz Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram publicadas pelo jornal G1, que ouviu relatos de interlocutores diretos do senador.

Segundo o portal, Alcolumbre tem demonstrado forte incômodo com setores do PT que, na avaliação dele, estariam alimentando a ideia de um conflito político entre o Senado e o presidente. O estopim da irritação foi o fato de Lula não tê-lo comunicado previamente sobre a escolha de Messias, diferentemente do que Alcolumbre esperava. Ele defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aliado político e nome que vinha sendo articulado nos bastidores.

Falta de diálogo e queixas sobre comunicação oficial

O senador relatou que não recebeu telefonema de Lula nem do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no dia da indicação. A decisão chegou ao seu conhecimento pela imprensa, o que aumentou a sensação de isolamento político.

Nesta sexta-feira (28), Alcolumbre permaneceu em Brasília e, ainda conforme o G1, não havia recebido contato do Palácio do Planalto para agendar uma conversa com o presidente. Articuladores políticos do governo afirmaram ao blog que Lula deve procurar o presidente do Senado nos próximos dias, especialmente diante do reconhecimento dentro do Planalto de que ainda não há os 41 votos necessários para aprovar o nome de Messias no plenário.

Essa avaliação interna levou aliados do governo a admitir que Lula terá de atuar diretamente para evitar uma derrota significativa em sua articulação institucional.

Senador nega provocação ao governo

Em meio ao aumento das tensões, Alcolumbre também negou ter feito qualquer gesto de provocação ao governo durante a sessão do Congresso que derrubou vetos do presidente ao novo licenciamento ambiental. No episódio, chamou atenção o fato de ele ter cumprimentado o presidente da Câmara, Hugo Motta, que havia acabado de chegar ao plenário e se sentou ao seu lado.

O senador classificou a leitura como exagerada e explicou aos colegas: “Como não vou citar o presidente da Câmara, que tinha chegado ao plenário? Isso não foi uma provocação”, disse, segundo senadores presentes.

Tentativa de apaziguamento nas votações

Ainda de acordo com os relatos divulgados pelo G1, Alcolumbre buscou mostrar boa vontade ao governo ao pedir que os vetos presidenciais só fossem votados após a COP 30, realizada em Belém e encerrada na semana passada. A pauta já poderia ter sido apreciada anteriormente, e havia maioria para isso — incluindo pressão da bancada ruralista —, mas o presidente do Congresso avaliou ser mais prudente esperar o fim do evento internacional.

A expectativa agora é de que Lula e Alcolumbre retomem o diálogo, em meio às negociações de alto impacto político envolvendo o STF e a condução das pautas legislativas no Senado.

Fonte: Brasil 247

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