Em editorial publicado na última terça-feira (15), a Folha de S.Paulo, sob o título “Flávio é inexperiente e herdeiro de visão golpista”, questionou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, apontando que ele não tem experiência em gestão nem trajetória parlamentar que o credencie, e que seu projeto político é herdeiro do golpismo do pai (condenado pelo STF).
O veículo, que costumeiramente representa a voz do dito “mercado” e da direita, criticou sua subserviência a Trump, sua tentativa de se desvincular de relações com milicianos e as “rachadinhas” em seu gabinete, além do diálogo com Daniel Vorcaro (Banco Master) e o pedido de milhões para o filme “Dark Horse”. Leia trechos do editorial da Folha:
Desde que foi apontado pelo pai, Jair Bolsonaro, como candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta questionamentos sobre as qualidades que possuiria para ocupar o cargo mais alto da República. […]
Num contexto em que mais uma vez não despontou uma candidatura conservadora forte, Flávio, mesmo sem o apoio entusiasmado do centrão, tornou-se competitivo, beneficiado pela polarização. Pesquisas recentes apontam empate técnico com Lula em cenários de segundo turno. […]
Jair foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, enquanto Flávio promete indultar o pai e preserva o discurso de confronto institucional. Também é arriscada sua subserviência a Donald Trump, presidente dos EUA, em temas sensíveis como tarifas, terras raras e mudança climática. […]
Quando deputado estadual, chegou a conceder a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio a um policial que estava preso sob acusação de homicídio e que, mais tarde, seria identificado como integrante de milícia. Sua vida pública também foi marcada pela investigação sobre um suposto esquema de “rachadinhas” em seu gabinete.
Mais recentemente, veio à tona seu diálogo amistoso com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o pedido de milhões para o filme em homenagem ao pai.
Nada disso, por óbvio, autoriza atribuir-lhe crimes que não foram provados. Mas é parte de sua biografia e não pode ser ignorado.
Antes de postular à Presidência, Flávio precisa demonstrar que está preparado para exercê-la —e que aceita sem ambiguidades os limites que a Constituição impõe a quem ocupa o poder.
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