Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro citam o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma troca de mensagens sobre uma cobrança de R$ 10 mil. Uma mulher identificada como Rayanna escreveu que uma amiga dela “ficou com o Kassio”. O magistrado negou ter se encontrado com ela.
Em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna perguntou a Vorcaro: “Qual o endereço, Dani?”. Em seguida, avisou: “As meninas estão prontas”. O banqueiro respondeu com um endereço na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, bairro da zona oeste de São Paulo.
Uma semana depois, em 7 de março, Rayanna retomou o assunto e perguntou: “A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”. Logo depois, ela escreveu: “Ela disse que ficou com o Kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”.
Vorcaro pediu as informações para fazer o pagamento: “Me manda aqui” e “Dados e valor”. Rayanna respondeu “10 né!”, repetiu que a amiga “ficou com ele” e enviou um endereço de e-mail. As mensagens não detalham a natureza do encontro nem estabelecem outros elementos sobre a cobrança.

Número de Kassio e pedido de viagem aparecem em outra conversa
Outro trecho do material armazenado no celular de Vorcaro traz o número de telefone de Nunes Marques, sem relação apontada com a conversa de Rayanna. A mensagem foi enviada em dezembro de 2024 a Leonardo Serrano Giunchetti, operador de viagens que trabalhava para o banqueiro e era conhecido como Leo.
No texto, o ministro pediu ajuda para organizar uma viagem de cerca de dez dias, entre 8 e 18 de janeiro, para cinco pessoas. “Bom dia Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem de uns 10 dias”, escreveu.

Nunes Marques afirmou preferir destinos de língua portuguesa ou espanhola, mas também citou Budapeste, Graz e Salzburgo, além do Peru, como possibilidades para o roteiro. A mensagem não informa se a viagem chegou a ser contratada ou realizada.
Em 5 de dezembro de 2024, Leonardo questionou Vorcaro sobre a cobrança de uma viagem de outro cliente. “Dani…Veio de vc esse?”, perguntou, antes de escrever: “E se sim, é pra atender ele independente ou faço e faturo pra vc?”.

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