segunda-feira, 27 de julho de 2026

Zema oficializa candidatura sem vice e promete indulto a Bolsonaro


             Romeu Zema na convenção do Partido Novo em Brasília. Foto: Reprodução

O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República em convenção realizada em Brasília, mas deixou para depois a definição do vice da chapa.

No discurso e em respostas a jornalistas, Zema prometeu conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) caso seja eleito. “Quero que o Brasil resolva injustiças cometidas em relação aos atos do 8 de Janeiro. Temos pessoas que não sabiam o que estavam fazendo e estão detidas. Se houve uma tentativa de golpe, que haja um julgamento imparcial, e não um julgamento político, como aconteceu. Precisamos passar uma borracha e olhar para o futuro. No que depender de mim, será feito [o indulto a Bolsonaro]”, afirmou.

A convenção confirmou o nome de Zema por aclamação, sem contagem de votos. O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, disse que a sigla lançará cerca de 150 candidatos pelo país, principalmente para a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.

Ribeiro também defendeu a candidatura do ex-governador e atacou o PT. “A competência de Zema não se compara à de outros candidatos. […] Ele não deixou o PT voltar [em Minas Gerais]. Uma boa gestão com pessoas dedicadas, íntegras e corajosas enterra o PT. Vamos enterrar o PT como enterramos em Minas Gerais”, declarou.


⦾ Pesquisas, vice e disputa pelo eleitorado de direita

O Novo ainda enfrenta dificuldade para escolher um vice diante do desempenho de Zema nas pesquisas. Na véspera da convenção, o ex-governador citou a possibilidade de convidar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa para compor a chapa.

No Datafolha divulgado na sexta-feira (24), Zema marcou 3% das intenções de voto. Ele disputa o eleitorado de direita com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que apareceu com 4%, e com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registrou 32%.

Zema afirmou que espera crescer quando a campanha começar. “A eleição é como um cardápio de restaurante, só abrimos quando estamos lá. O brasileiro só vai sintonizar no ‘modo eleição’ mais adiante”, disse. Nos bastidores, parte da bancada do Novo condiciona o apoio ao ex-governador a uma redução das críticas a Flávio Bolsonaro.

⦾ Banco Master, STF e uso de fundo eleitoral

Ao tratar do Banco Master, Zema disse que o banqueiro Daniel Vorcaro é de Minas Gerais, mas afirmou que nunca teve contato com ele. O ex-governador provocou, sem citar Flávio Bolsonaro, quem teria estendido “o tapete vermelho” em Brasília para o empresário e quem voou em aeronaves bancadas por ele.

Zema defendeu o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF, e também o afastamento de Gilmar Mendes por sua influência fora da Corte e pelo patrocínio de eventos como o Fórum de Lisboa. O pré-candidato ainda propôs idade mínima de 60 anos para ministros, lista tríplice preparada por Senado, OAB e Ministério Público e o fim de decisões monocráticas sobre pautas aprovadas pelo Legislativo.

Na área econômica e de segurança, Zema defendeu a venda de estatais, revisão de benefícios sociais, reformas administrativa e previdenciária, classificação de facções criminosas como terroristas e construção de um “superpresídio” na Amazônia. Eduardo Ribeiro afirmou que o Novo usará saldo do fundo partidário e fundo eleitoral neste ano: “Temos cerca de R$ 80 milhões, parte significativa vai para a candidatura de Zema”.

Fonte: DCM

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