quinta-feira, 30 de julho de 2026

TSE vê pressão do STF em caso sobre vídeo de Bolsonaro com IA

Ministros do TSE veem pressão indevida em decisão sobre vídeo com IA de Bolsonaro usado em evento de Flávio, diz CNN Brasil

Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro em vídeo de Inteligência Artificial
Crédito: ABr | Reprodução

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de pedir explicações sobre o uso de um vídeo de Jair Bolsonaro feito com inteligência artificial em evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro provocou incômodo no Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo a CNN Brasil, ministros do TSE avaliam reservadamente que a medida representa interferência em uma discussão que deveria ser conduzida pela Justiça Eleitoral. Para esses integrantes da corte, a análise sobre eventual irregularidade no uso de inteligência artificial em contexto eleitoral deve caber ao próprio tribunal, e não ao STF.

Moraes afirmou em sua decisão que os esclarecimentos da defesa do ex-presidente seriam necessários para verificar se houve “flagrante desrespeito à legislação eleitoral por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal”. O episódio ampliou uma disputa de bastidores entre alas do Supremo e do TSE.

⦾ Bastidores apontam disputa entre cortes

A avaliação de integrantes do TSE, feita sob reserva, é que o caso da inteligência artificial não seria um episódio isolado. Ministros apontam que outras controvérsias consideradas essencialmente eleitorais também passaram a ser tratadas no Supremo.

A percepção, segundo a CNN Brasil, é compartilhada por integrantes do Ministério Público Eleitoral. Para essas fontes, decisões recentes e sinalizações de ministros do STF indicariam uma espécie de “a lei do mais forte”, com risco de o Supremo “tratorar” decisões do TSE das quais discorde.

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro e candidato à Presidência, também avalia que o STF pode atuar mesmo que a campanha obtenha uma decisão favorável no caso envolvendo o vídeo gerado por inteligência artificial.

⦾ Atuação de Moraes entra no radar do TSE

O incômodo provocado pela atuação de uma ala do STF entrou no radar da cúpula do TSE. Nos bastidores, a leitura é que a tensão entre os tribunais deve continuar e pode marcar a atuação do Judiciário durante as eleições deste ano.

Em outra decisão recente, Moraes determinou que a Procuradoria-Geral Eleitoral analisasse uma carta escrita por Bolsonaro e lida por Flávio, sob suspeita de propaganda eleitoral antecipada em favor do senador. Para o ministro, o conteúdo teria “carga semântica equivalente a pedido explícito de voto” e poderia configurar propaganda eleitoral antecipada.

Moraes enviou cópias da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral. A abertura de inquérito para apurar se o pré-candidato bolsonarista cometeu o crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é citada, nos bastidores, como parte de um conjunto de decisões do STF com impacto eleitoral.

⦾ Ministro deixou o TSE, mas mantém influência

Alexandre de Moraes presidiu o TSE nas eleições de 2022, mas deixou de integrar a corte em junho de 2024. Mesmo fora do tribunal eleitoral, ele preserva influência sobre o cenário político por meio da relatoria de processos com repercussão direta na disputa.

Entre esses casos está um inquérito cujo avanço teria pesado na decisão do ex-governador Cláudio Castro, do PL, de desistir da disputa ao Senado. O mesmo processo ainda pode atingir a candidatura de Márcio Canella, do União Brasil no Rio de Janeiro, aliado de Flávio Bolsonaro e alvo da Polícia Federal por determinação de Moraes.

No processo que trata da execução da pena de Bolsonaro, Moraes também proibiu o ex-presidente de fazer manifestações político-eleitorais e suspendeu as visitas de Flávio ao pai por 90 dias, prazo que termina depois do primeiro turno da eleição.

⦾ Gilmar Mendes e pesquisa AtlasIntel também são citados

As fontes ouvidas pela CNN Brasil afirmam que a atuação de Moraes se soma a iniciativas de outros ministros do STF. Um dos casos mencionados envolve Gilmar Mendes, que pediu investigação contra Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo, após a publicação de vídeos contra o Supremo. O ex-governador foi denunciado pelo crime de calúnia.

Gilmar também expôs publicamente a tensão entre os tribunais ao afirmar, em entrevista, que o STF poderia eventualmente derrubar a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, de censurar a divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel.

A suspensão da pesquisa determinada por Nunes Marques foi criticada nos bastidores do Supremo e também gerou desconforto entre ministros do próprio TSE. Para parte desses magistrados, porém, o tema deve ser resolvido dentro da Justiça Eleitoral, de modo a evitar uma nova intervenção do STF.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil 

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