Alta do índice combina emprego aquecido e compras seletivas, enquanto cesta acumula inflação de 6,52%
Supermercado na zona sul do Rio de Janeiro. (Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O consumo das famílias brasileiras cresceu 2,49% no primeiro semestre de 2026, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pela circulação de renda. Apesar do avanço, os consumidores adotaram um comportamento mais seletivo diante da pressão dos alimentos, enquanto a cesta de 35 produtos monitorada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) acumulou alta de 6,52%.
Em junho, o indicador de consumo elaborado pela Abras cresceu 0,48% na comparação com maio. Em relação ao mesmo mês de 2025, o avanço chegou a 1,86%, já descontada a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Para o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o desempenho reflete uma combinação entre a manutenção do emprego, a disponibilidade de recursos na economia e a cautela dos consumidores diante do encarecimento de alguns alimentos.
“A leitura do período aponta para um comportamento mais planejado, com maior atenção às promoções, comparação de preços e seletividade na composição da cesta”, afirmou Milan durante entrevista coletiva.
O resultado indica que as famílias continuaram ampliando as compras nos supermercados, mas passaram a observar com mais rigor os preços e a substituir produtos na tentativa de preservar o orçamento. Promoções, diferenças entre marcas e composição da cesta ganharam relevância nas decisões de consumo ao longo do semestre.
☉ Copa do Mundo altera perfil das compras
A Copa do Mundo também influenciou o movimento nos supermercados durante junho. Na chamada “Cesta Copa”, criada pela Abras para acompanhar os produtos mais procurados durante a competição, os cortes bovinos tiveram a maior participação, respondendo por 17,2% do valor total.
As cervejas apareceram em seguida, com 13,1%, enquanto os cortes de frango representaram 11,4%. Os embutidos responderam por 10,9% e os refrigerantes, por 10,3%. Somadas, essas cinco categorias concentraram mais de 60% do valor da cesta analisada pela associação.
O impacto da competição não foi uniforme durante o mês. O desempenho variou de acordo com as datas dos jogos, a participação da seleção brasileira, as promoções oferecidas pelas redes varejistas e a disponibilidade de renda dos consumidores.
Na semana de estreia do Brasil, a mobilização em torno da seleção coincidiu com um período próximo ao pagamento dos salários. Essa combinação favoreceu as compras de alimentos e bebidas ligados às confraternizações durante as partidas.
☉ Cesta de 35 produtos recua em junho
Embora o consumo tenha avançado, o Abrasmercado, indicador que acompanha os preços de 35 produtos de amplo consumo, apresentou queda de 0,28% em junho na comparação com maio. Foi a primeira redução depois de três meses consecutivos de alta.
Com o recuo mensal, o valor médio da cesta passou de R$ 854,91 em maio para R$ 852,54 em junho. A diminuição, entretanto, não foi suficiente para neutralizar os aumentos registrados anteriormente.
No acumulado do primeiro semestre, o Abrasmercado subiu 6,52%, percentual superior ao crescimento real de 2,49% observado no consumo das famílias. A diferença evidencia a pressão exercida pelos preços sobre o orçamento doméstico, sobretudo entre março e maio.
“A queda de junho trouxe uma acomodação pontual, mas não eliminou a pressão acumulada ao longo do semestre, especialmente entre março e maio”, disse Milan.
☉ Feijão e leite pressionam produtos básicos
A cesta formada por 12 produtos básicos ficou praticamente estável em junho, com variação positiva de 0,08% sobre maio. O valor médio desse conjunto de itens encerrou o mês em R$ 357,39.
Entre janeiro e junho, porém, a cesta básica acumulou aumento de 4,99%. O resultado foi impulsionado principalmente pelo feijão e pelo leite longa vida, produtos relevantes no orçamento alimentar das famílias.
A combinação entre crescimento do consumo e elevação dos preços mostra um primeiro semestre marcado pela manutenção da demanda nos supermercados, mas também por maior planejamento financeiro. Nesse cenário, o consumidor buscou preservar o poder de compra por meio da pesquisa de preços, da procura por ofertas e da seleção mais cuidadosa dos itens levados para casa.
Fonte: Brasil 247
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