sábado, 5 de setembro de 2026

VÍDEO: Viagem paga para servidor do BC na Disney foi “um agrado”, diz Vorcaro em depoimento


      Daniel Vorcaro em depoimento à PF antes de sua prisão definitiva. Foto: reprodução

O ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro admitiu à Polícia Federal, em depoimento na sexta-feira (28), que ofereceu um “agrado” ao ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Sousa durante uma viagem da família do servidor à Disney, nos Estados Unidos. Vorcaro negou ter pago vantagens indevidas a Paulo Sérgio e a Bellini Santana, outro servidor investigado no caso.

Vorcaro afirmou que Paulo Sérgio comentou sobre uma viagem que faria com a família e que, então, ofereceu acesso a um serviço de concierge que já mantinha nos Estados Unidos. “Obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas”, disse o ex-banqueiro.

Ao ser questionado se Paulo Sérgio reembolsou o serviço, Vorcaro respondeu que não se recordava e acrescentou: “Acredito que não, porque eu ofereci como um agrado”. Ele sustentou que disponibilizava a estrutura para amigos e conhecidos e que não se tratava de um benefício com valor específico.

A PF colheu o depoimento no inquérito que apura a relação de Vorcaro com os dois servidores do Banco Central. O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, afastou Paulo Sérgio e Bellini Santana dos cargos em março.


PF apura atuação de servidores em processos do Banco Master

As investigações apontam suspeitas de que os servidores forneceram orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do Banco Central que envolviam o Master. A apuração também examina se eles revisaram documentos enviados pelo banco à autoridade monetária e sugeriram alterações.

Os investigadores ainda suspeitam que informações internas tenham chegado a Vorcaro antes de eventuais medidas do Banco Central, o que permitiria ao empresário antecipar respostas do Master. Paulo Sérgio chefiou a área de fiscalização da instituição, enquanto Bellini Santana atuava em setor responsável pela supervisão bancária.

Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-servidor do BC. Foto: reprodução
O Banco Central liquidou o Master após o agravamento da crise da instituição, no fim de 2025. Vorcaro está preso preventivamente desde março e já havia sido detido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou sua soltura dias depois.

Em nota após o depoimento, a defesa de Vorcaro afirmou que ele teve sua primeira oportunidade de responder diretamente a parte dos fatos investigados e negou corrupção. Os advogados de Paulo Sérgio disseram que o servidor pagou todos os custos da viagem da família a Orlando, na Flórida, e que os gastos estão “devidamente comprovados”.

Fonte: DCM

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