domingo, 6 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro pressiona Cármen Lúcia a votar contra Moraes no STF

 Candidato à Presidência cobra que ministra se posiciona contra Alexandre de Moraes e em apoio a André Mendonça

Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes  - Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), cobrou publicamente o voto da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), a favor da abertura de uma investigação contra o colega de corte, o ministro Alexandre de Moraes.

Em transmissão realizada nas redes sociais neste domingo (5), o parlamentar dirigiu-se diretamente à magistrada e declarou que ela deveria se preocupar com o legado de sua trajetória profissional. “Queremos saber se a senhora vai autorizar que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado”, afirmou Flávio Bolsonaro durante a live, acrescentando que a integrante do tribunal precisa se preocupar com a sua biografia.

A cobrança ocorre em um momento decisivo para a estabilidade do Supremo Tribunal Federal. A posição de Cármen Lúcia é considerada a chave no impasse travado entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que disputam a hegemonia de seus respectivos grupos na corte. A magistrada vê incorreções e erros nas condutas de ambos os ministros nas medidas que colocaram o tribunal no centro de uma crise institucional e ainda não definiu a qual deles dará seu apoio.


Durante a transmissão ao vivo, na qual conversou com candidatos aliados e eleitores, Flávio Bolsonaro fez convocações para os atos marcados para segunda-feira, 7 de Setembro, posicionando as manifestações contra o presidente Lula (PT) e contra o ministro Alexandre de Moraes. O senador associou o resultado dos julgamentos no STF à presença de manifestantes nas ruas. “Se no 7 de Setembro as ruas estiverem cheias em todo o Brasil, o julgamento vai ser um; se estiverem vazias, vai ser outro”, disse.

Durante a live, o parlamentar também ouviu declarações de interlocutores que defenderam as ações registradas no 8 de janeiro de 2023, sob a alegação de que as pessoas condenadas pelas invasões às sedes dos Três Poderes estariam sofrendo injustiças. A articulação da campanha do candidato do PL tenta inflar a adesão ao ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com o objetivo de romper o cenário de empate técnico apontado pelas pesquisas de intenção de voto e assumir o favoritismo na disputa pelo segundo turno.

Paralelamente à pressão política, o STF se prepara para deliberar sobre duas frentes de conflito interno. De um lado, a corte vai avaliar se houve arbitrariedade nos métodos aplicados por André Mendonça nas apurações referentes ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essas investigações culminaram no relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De outro lado, o plenário do tribunal avaliará a regularidade da decisão de Moraes ao utilizar a estrutura do inquérito das fake news para requerer a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O acirramento da crise entre os magistrados teve novos desdobramentos ao longo da semana. Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o segredo de justiça do relatório da Polícia Federal que exibia mensagens de Vorcaro direcionadas a Moraes, incluindo um trecho no qual o banqueiro perguntava se deveria deixar o país, às vésperas de sua prisão, em 2025.

Antes de Moraes optar pelo contra-ataque na quinta-feira (3), Cármen Lúcia chegou a telefonar para o colega, demonstrando solidariedade diante do quadro de exposição pública. Auxiliares do ministro interpretaram a ligação como um aceno de apoio, embora a magistrada não tenha garantido seu voto em deliberações futuras. No entanto, o passo seguinte dado por Moraes — a utilização do inquérito das fake news para retaliar Mendonça — não agradou à ministra, que relatou a interlocutores próximos um sentimento de perplexidade com a conduta dos dois colegas e com o nível de erosão interna atingido pelo Supremo.

Fonte: Brasil 247

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